Saudação
Paz e bem - Bom dia, Seja bem-vindo !
Função Data Curitiba, 06 de janeiro de 2009


















 

 


Textos, Pensamentos e Mensagens

     
 

 

A Arma do Amor

Há muito tempo atrás, uma menina chamada Yang se casou e foi viver com o marido e a sogra. Depois de alguns dias, passou a não se entender com a sogra. As personalidades delas eram muito diferentes, e Yang foi se irritando com os hábitos da sogra que freqüentemente a criticava. Meses se passaram e Yang e sua sogra cada vez discutiam e brigavam mais.

De acordo com antiga tradição chinesa a nora tinha que se curvar para a sogra e a obedecer em tudo.
Yang já não suportando mais conviver com a sogra, decidiu tomar uma atitude e foi visitar um amigo de seu pai, que a ouviu e, depois, com um pacote de ervas lhe disse:
_ Você não poderá usá-las de uma só vez para se libertar de sua sogra porque isso causaria suspeitas. Vou lhe dar várias ervas que irão lentamente envenenando sua sogra. A cada dois dias ponha um pouco destas ervas na comida dela. Agora, para ter certeza de que ninguém suspeitará de você quando ela morrer, você deve ter muito cuidado e agir de forma muito amigável. Não discuta o que eu digo e ajudarei a resolver seu problema; mas você tem que me escutar e seguir todas as instruções que eu lhe der.
Yang respondeu:
_ Sim, Sr. Huang, eu farei tudo o que o que o senhor me pedir.
Yang ficou muito contente, agradeceu ao Sr. Huang e voltou apressada para casa para começar o projeto de assassinar a sua sogra. Semanas se passaram, e a cada dois dias Yang servia a comida "especialmente tratada" à sua sogra. Ela sempre lembrava do que Sr. Huang tinha recomendado sobre evitar suspeitas, e assim ela controlou o seu temperamento, obedeceu a sogra e a tratou como se fosse sua própria mãe.
Depois de seis meses a casa inteira estava com outro astral. Yang tinha controlado o seu temperamento e quase nunca se aborrecia. Nesses seis meses não tinha tido nenhuma discussão com a sogra, que agora parecia muito mais amável e mais fácil de lidar. As atitudes da sogra também mudaram e elas passaram a se tratar como mãe e filha. Um dia Yang foi novamente procurar o Sr. Huang para pedir-lhe ajuda e disse:
_ Querido Sr. Huang, por favor, me ajude a evitar que o veneno mate minha sogra! Ela se transformou numa mulher agradável e eu a amo como se fosse minha mãe. Não quero que ela morra por causa do veneno que eu lhe dei. O Sr. Huang sorriu, acenou com a cabeça e disse:
_ Yang, não precisa se preocupar. As ervas que eu dei eram vitaminas para melhorar a saúde dela. O veneno estava na sua mente e na sua atitude, mas foi jogado fora e substituído pelo amor que você passou a dar a ela. Na China existe uma regra dourada que diz:

"A pessoa que ama os outros também será amada."

Na grande parte das vezes recebemos das outras pessoas o que damos a elas, então...

...LEMBRE-SE SEMPRE:

O plantio é opcional.
A colheita é obrigatória.
Por isso cuidado com o que planta!!!

Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.

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A Avó de Jéssica:
[Uma Vida de Amor]

O que o homem semear, isso colherá.
(Gálatas 6:7)


Quando Jéssica veio ao mundo, trazia a cabeça amassada e os traços deformados, devido ao parto difícil vivido por sua mãe. Todos a olhavam e faziam careta, dizendo que ela se parecia com um lutador de box espancado. Todos tinham a mesma reação, menos a sua avó. Quando a viu, a tomou nos braços, e seus olhos brilharam. Olhou para aquele bebê, sua primeira netinha e, emocionada, falou: “linda!”. No transcorrer do desenvolvimento daquela sua primeira netinha, ela estaria sempre presente. E um amor mútuo, profundo, passou a ser compartilhado.
Anos depois, quando a avó de Jéssica foi diagnosticada como possuindo o Mal de Alzheimer, toda a família se tornou especialista no assunto. Parecia que, aos poucos, a vózinha ia se despedindo. Ou eles a estavam perdendo. Começou a falar em fragmentos. Depois, o número de palavras foi ficando sempre menor, até não dizer mais nada. Uma semana antes de morrer, seu corpo perdeu todas as funções vitais e ela foi removida, a conselho médico, para uma clínica de doentes terminais. Jéssica insistiu para ir vê-la. Ela entrou no quarto onde a avó estava e a viu deitada na cama, com seus óculos ao rosto, embora estes já não lhe servissem mais, pois ela não conseguia abrir os olhos.
O corpo estava debilitado, a boca entreaberta e mole. Uma grande dose de morfina a mantinha adormecida. Lentamente, Jéssica se sentou à sua frente. Tomou a sua mão esquerda e a segurou. Afastou daquele rosto amado uma mecha de cabelos brancos e ficou ali, sentada, sem se mover, incapaz de dizer coisa alguma.

Desejava falar, mas a tristeza que a dominava era tamanha, que não a conseguia controlar. Então, aconteceu... A mão da avó foi se fechando em torno da mão da neta, apertando mais e mais. O que parecia ser um pequeno gemido se transformou em um som, e de sua boca saiu uma palavra: “Jéssica”. A garota tremeu. O seu nome. A avó tinha quatro filhos, dois genros, uma nora e seis netos. Como ela sabia que era ela?
Naquele momento, a impressão que Jéssica teve foi que um filme era exibido em sua cabeça. Viu e reviu sua avó nos 14 recitais de dança em que ela se apresentou. Viu-a sapateando na cozinha, com ela. Brincando com os netos, enquanto os demais adultos faziam a ceia na sala grande. Viu-a, sentada ao seu lado, no Natal, admirando a árvore decorada com enfeites luminosos. Então Jéssica olhou para a avó, ali, e vendo em que se transformara aquela mulher, sua garganta ficou apertada, e ela chorou.
Deu-se conta que ela não assistiria ao seu último recital de dança, nem voltaria a torcer com ela no próximo campeonato mundial de futebol. Nunca mais poderia se sentar a seu lado, para admirar a árvore de Natal. Não a veria toda arrumada para o baile de sua formatura, ao final daquele ano. Não estaria presente no seu casamento, nem quando seu primeiro filho nascesse. As lágrimas corriam abundantes pela sua face. Acima de tudo, chorava porque finalmente compreendia a história que haviam lhe contado: de como a avó havia se sentido no dia em que ela nascera.
A avó olhara ‘através’ da sua aparência, enxergara ‘lá dentro’, e vira uma vida. Então, lentamente, Jéssica soltou a mão da avó e enxugou as lágrimas que molhavam o seu rosto. Ficou de pé, inclinou-se para a frente e a beijou. Num sussurro, disse para a avó: “linda!”.

O amor... não é invejoso;
o amor não se vangloria, não se ensoberbece...
não busca os seus próprios interesses...
não suspeita mal;
não se regozija com a injustiça,
mas se regozija com a verdade;
tudo sofre, tudo crê,
tudo espera, tudo suporta.

O amor jamais acaba.

Porque agora vemos como por espelho, em enigma,
mas então veremos face a face;
agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente,
como também sou plenamente conhecido.

Agora, pois, permanecem
a fé, a esperança, o amor, estes três;
mas o maior destes é o amor.

(I Corintios 13)

 

Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.

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A Bailarina


Desde pequena Svetlana só tinha conhecido uma paixão: dançar e sonhar em ser uma Gran Ballerina do Bolshoi Ballet. Seus pais haviam desistido de lhe exigir empenho em qualquer outra atividade. Os rapazes já haviam se resignado: o coração de Svetlana tinha lugar para somente uma paixão e tudo mais era sacrificado pelo dia em que se tornaria a Bailarina do Bolshoi. Haviam criado um apelido especial para ela : lankina que no antigo dialeto queria dizer "a que flutua". Era uma forma carinhosa de brincar com a bela e talentosa Svetlana pois a palavra também podia significar "a que divaga", ou "que sonha acordada".
Um dia, Svetlana teve sua grande chance. Conseguira uma audiência com Sergei Davidovitch, Ballet Master do Bolshoi, que estava selecionando aspirantes para a Companhia. Dançou como se fosse seu último dia na Terra. Colocou tudo que sentia e que aprendera em cada movimento, como se uma vida inteira pudesse ser contada em um único compasso. Ao final, aproximou-se do Ballet Master e lhe perguntou:
"Então, o Sr. acha que eu posso me tornar uma Gran Ballerina?"
Na longa viagem de volta a sua aldeia, Svetlana, em meio as lagrimas, imaginou que nunca mais aquele "Não" deixaria de reverberar em sua mente. Meses se passaram até que pudesse novamente calçar uma sapatilha . Ou fazer seu alongamento frente ao espelho.

Dez anos mais tarde Svetlana, já uma estimada professora de ballet, criou coragem de ir a performance anual do Bolshoi em sua região. Sentou-se bem a frente e notou que o Sr. Davidovitch ainda era o Ballet Master. Após o concerto, aproximou-se do cavalheiro e lhe contou o quanto ela queria ter sido bailarina do Bolshoi e quanto doera, anos atrás, ouvir-lhe dizer que não seria capaz.
"Mas minha filha, eu digo isso a todas as aspirantes" respondeu o Sr. Davidovitch. "Como o Sr. poderia cometer uma injustiça dessas? Eu dediquei toda minha vida! Todos diziam que eu tinha o dom. Eu poderia ter sido uma Gran Ballerina se não fosse o descaso com que o Sr. me avaliou!"
Havia solidariedade e compreensão na voz do Master, mas não hesitou ao responder: "Perdoe-me, minha filha, mas você nunca poderia ter sido grande o suficiente, se você foi capaz de abandonar seu sonho pela opinião de outra pessoa."


Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.

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A Carteira

(UMA HISTÓRIA DE PAIXÃO VERDADEIRA)

Eu retornava para casa, em um dia muito frio, quando tropecei em uma carteira.

Procurei por ‘algum meio’ de identificar o dono. Mas a carteira só continha três dólares e uma carta amassada, que parecia ter ficado ali por muitos anos. No envelope, muito sujo, a única coisa legível era o endereço do remetente. Comecei a ler a carta tentando achar alguma dica. Então eu vi pelo cabeçalho que ela tinha sido escrita há quase sessenta anos atrás. A letra era bonita e feminina, em tinta azul claro, e no canto esquerdo do papel havia uma flor. A carta dizia que sua mãe a havia proibido de se encontrar com Michael mas ela escrevia a carta para dizer que sempre o amaria. Assinado... Hannah.
Era uma carta bonita, mas não havia nenhum modo, com exceção do nome Michael, de identificar o dono. Entrei em contato com a companhia telefônica, expliquei o problema ao operador e lhe pedi o número do telefone no endereço que havia no envelope. O operador disse que havia um telefone mas não poderia me dar o número. Por sua própria sugestão, entrou em contato com o número, explicou a situação e fez uma conexão daquele telefone comigo. Eu perguntei à senhora do outro lado, se ela conhecia alguém chamada Hannah. Ela ofegou e respondeu:
_ "Oh! Nós compramos esta casa de uma família que tinha uma filha chamada Hannah. Mas isto foi há 30 anos!"
_ "E você saberia onde aquela família pode ser localizada agora?", eu perguntei.
_ "Do que me lembro, aquela Hannah teve que colocar sua mãe em um asilo alguns anos atrás", disse a mulher. "Talvez se você entrar em contato eles possam informar".
Ela me deu o nome do asilo e eu liguei. Eles me contaram que a velha senhora tinha falecido alguns anos atrás, mas eles tinham um número de telefone onde acreditavam que a filha poderia estar vivendo. Eu lhes agradeci e telefonei. A mulher que respondeu explicou que aquela Hannah estava morando agora em um asilo. A coisa toda começa a parecer estúpida, pensei comigo mesmo. Para que estava fazendo aquele movimento todo só para achar o dono de uma carteira que tinha apenas três dólares e uma carta com quase 60 anos? Apesar disso, liguei para o asilo no qual era suposto que Hannah estava vivendo e o homem que atendeu me falou:
_ "Sim, a Hannah está morando conosco."
Embora já passasse das 10 da noite, eu perguntei se poderia ir para vê-la.
_ "Bem", ele disse hesitante, "se você quiser se arriscar, ela poderá estar na sala assistindo a televisão".
Eu agradeci e corri para o asilo. A enfermeira noturna e um guarda me cumprimentaram à porta. Fomos até o terceiro andar. Na sala, a enfermeira me apresentou a Hannah. Era uma doçura, cabelo prateado com um sorriso calmo e um brilho no olhar. Falei a ela sobre a carteira e mostrei-lhe a carta. Assim que viu o papel de carta com aquela pequena flor à esquerda, ela respirou fundo e disse:
_ "Esta carta foi o último contato que tive com Michael."
Ela pausou um momento em pensamento e então disse suavemente:
_ "Eu o amei muito. Mas na ocasião eu tinha só 16 anos e minha mãe achava que eu era muito jovem. Oh, ele era tão bonito... Ele se parecia com Sean Connery, o ator."
_ "Sim", ela continuou, "Michael Goldstein era uma pessoa maravilhosa. Se você o achar, lhe fale que eu penso freqüentemente nele. E..." ela hesitou por um momento, e quase mordendo o lábio, " fale para ele que eu ainda o amo. Você sabe...", ela disse sorrindo com lágrimas que começaram a rolar em seus olhos, "eu nunca me casei. Eu jamais encontrei alguém que correspondesse ao Michael."


Eu agradeci a Hannah e disse adeus. Quando passava pela porta da saída, o guarda perguntou:
_ "A velha senhora conseguiu lhe ajudar?"
_ "Pelo menos agora eu tenho um sobrenome. Mas eu acho que vou deixar isto para depois. Eu passei quase o dia inteiro tentando achar o dono desta carteira".
Quando o guarda viu a carteira, ele disse:
_ "Ei, espere um minuto! Isto é a carteira do Sr. Goldstein. Eu a reconheceria em qualquer lugar. Ele está sempre perdendo a carteira. Eu devo tê-la achado pelos corredores ao menos três vezes."
_ "Quem é Sr. Goldstein?", eu perguntei com minha mão começando a tremer.
_ "Ele é um dos idosos do oitavo andar. Isso é a carteira de Mike Goldstein, sem dúvida. Ele deve ter perdido em um de seus passeios."
Agradeci o guarda, corri ao escritório da enfermeira e lhe falei sobre o que o guarda tinha dito. Nós voltamos para o elevador e subimos. No oitavo andar, a enfermeira disse:
_ "Acho que ele ainda está acordado. Ele gosta de ler à noite. Ele é um homem bem velho."
Fomos até o único quarto que ainda tinha luz e havia um homem lendo um livro. A enfermeira foi até ele e perguntou se ele tinha perdido a carteira. O Sr. Goldstein olhou com surpresa, pondo a mão no bolso de trás e disse:
_ "Oh, está perdida!"
_ "Este amável cavalheiro achou uma carteira e nós queremos saber se é sua?"
Entreguei a carteira ao Sr. Goldstein, ele sorriu com alívio e disse:
_ "Sim, é minha! Devo ter derrubado hoje a tarde. Eu quero lhe dar uma recompensa."
_ "Não, obrigado", eu disse. "Mas eu tenho que lhe contar algo. Eu li a carta na esperança de descobrir o dono da carteira".
O sorriso em seu rosto desapareceu de repente.
_ "Você leu a carta?"
_ "Não só li, como eu acho que sei onde a Hannah está".
Ele ficou pálido de repente.
_ "Hannah? Você sabe onde ela está? Como ela está? É ainda tão bonita quanto era? Por favor, por favor me fale", ele implorou.
_ "Ela está bem... É bonita da mesma maneira como quando o senhor a conheceu", eu disse suavemente.
O homem sorriu e perguntou:
_ "Você pode me falar onde ela está? Quero chamá-la amanhã mesmo." Ele agarrou minha mão e disse: "Eu estava tão apaixonado por aquela menina que quando aquela carta chegou, minha vida literalmente terminou. Eu nunca me casei. Eu sempre a amei."
_ "Sr. Goldstein", eu disse, "Venha comigo."
Fomos de elevador até o terceiro andar. Atravessamos o corredor até a sala onde Hannah estava assistindo televisão. A enfermeira caminhou até ela, "Hannah..." ela disse suavemente, enquanto apontava para Michael que estava esperando comigo na entrada.
_ "...Você conhece este homem?"
Ela ajeitou os óculos, olhou por um momento, mas não disse uma palavra.
Michael disse suavemente, quase em um sussurro:
_"Hannah, é o Michael. Lembra-se de mim?"
_ "Michael! Eu não acredito nisto! Michael! É você! Meu Michael!"
Ele caminhou lentamente até ela e se abraçaram. A enfermeira e eu partimos com lágrimas rolando em nossas faces.
_ "Veja...", eu disse. "...Veja como o bom Deus trabalha! Se tem que ser, será!".
Aproximadamente três semanas depois eu recebi uma chamada do asilo em meu escritório.
_ "Você pode vir no domingo para assistir a um casamento? O Michael e Hannah vão se amarrar"!
Foi um casamento bonito, com todas as pessoas do asilo devidamente vestidos para a celebração. Hannah usou um vestido bege claro e bonito. Michael usou um terno azul escuro. O hospital lhes deu o próprio quarto e se você sempre quis ver uma noiva com 76 anos e um noivo com 79 anos agindo como dois adolescentes, você tinha que ver este par. Um final perfeito para um caso de amor que tinha durado quase 60 anos.

Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.

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À Distância de uma Oração

“De maneira alguma te deixarei,
nunca jamais te abandonarei"
(Hebreus 13:5).


Se você colocar um falcão em um cercado de um metro quadrado e inteiramente aberto por cima, o pássaro, apesar de sua habilidade para o vôo, será um prisioneiro. A razão é que um falcão sempre começa seu vôo com uma pequena corrida em terra. Sem espaço para correr, nem mesmo tentará voar e permanecerá um prisioneiro pelo resto da vida, nessa pequena cadeia sem teto.

O morcego, criatura notavelmente ágil no ar, não pode sair de um lugar nivelado. Se for colocado em um piso complemente plano, tudo que ele conseguirá fazer é andar de forma confusa, dolorosa, procurando alguma ligeira elevação de onde possa se lançar. Um zangão, se cair em um pote aberto, ficará lá até morrer ou ser removido. Ele não vê a saída no alto, por isso, persiste em tentar sair pelos lados, próximo ao fundo. Procurará uma maneira de sair onde não existe nenhuma, até que se destrua completamente, de tanto atirar-se contra o fundo do vidro.
Existem pessoas como o falcão, o morcego e o zangão: atiram-se obstinadamente contra os obstáculos, sem perceber que a saída está logo acima. Se você está como um zangão, um morcego ou um falcão, cercado de problemas por todos os lados, olhe para cima!
E lá estará DEUS, pronto para ajudar, à distância apenas de uma oração...

“Busquei ao Senhor, e ele me respondeu,
e de todos os meus temores me livrou.

Olhai para ele, e sede iluminados;
e os vossos rostos jamais serão confundidos.

Clamou este pobre, e o Senhor o ouviu,
e o livrou de todas as suas angústias.

O anjo do Senhor acampa-se
ao redor dos que o respeitam, e os livra.

Provai, e vede que o Senhor é bom
bem-aventurado o homem que nele se refugia.

Respeitai ao Senhor, vós, seus santos,
porque nada falta aos que o respeitam.

Os leõezinhos necessitam e sofrem fome,
mas àqueles que buscam ao Senhor,
bem algum lhes faltará.

Vinde, filhos, ouvi-me;
eu vos ensinarei o respeito do Senhor”

(Salmos 34:4-11).

 

Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.

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A Fé Remove Montanhas

"Ao que Jesus lhes disse:
Tende fé em Deus;
porque em verdade vos afirmo que,
se alguém disser a este monte:
Ergue-te e lança-te no mar,
e não duvidar no seu coração,
mas crer que se fará o que diz,
assim será com ele.
Por isso, vos digo
que tudo quanto em oração pedirdes,
crede que recebestes,
e será assim convosco"
(Mc 11.22-24).

Os membros de uma pequena igreja nas montanhas de Great Smoky (EUA) construíram um novo prédio em um terreno que haviam recebido por doação. Dez dias antes da inauguração, o inspetor de obras da localidade informou ao pastor que o estacionamento era insuficiente para o tamanho do prédio. Se a igreja não dobrasse o tamanho do estacionamento, não poderia usar o salão. Infelizmente, a igreja já havia ocupado cada polegada do escasso terreno, com exceção da colina que ficava atrás do prédio. Para criar mais vagas no estacionamento, seria necessário remover a colina.
Na manhã do domingo seguinte o pastor anunciou corajosamente que de tardezinha queria reunir-se com todos os membros da igreja que tivessem "fé para remover montanhas". Eles fariam uma corrente de oração para pedir a Deus que removesse a colina e providenciasse o dinheiro suficiente para asfaltar o estacionamento antes da inauguração no domingo seguinte.

No horário combinado reuniram-se para orar 24 dos 300 membros da igreja. Eles oraram no topo da colina durante várias horas. Às 22 horas o pastor disse o último "Amém". "Conforme está planejado, inauguraremos o salão no próximo domingo", garantiu ele. "Deus nunca nos abandonou, e creio que também desta vez Ele será fiel".
Na manhã seguinte, quando estava trabalhando em seu gabinete, alguém bateu com força na porta. Ao responder "entre!", apareceu um empreiteiro de aspecto rude, que tirou seu capacete. "Desculpe, pastor, sou da empreiteira de obras da localidade vizinha. Estamos construindo um enorme centro de compras e precisamos de terra. O senhor estaria disposto a nos vender uma parte da colina que fica atrás da igreja? Nós pagaremos a terra que tirarmos e asfaltaremos gratuitamente o espaço vazio, desde que possamos dispor da terra imediatamente. Não podemos continuar com a construção do shopping antes que a terra esteja depositada no local e suficientemente compactada".
O novo salão foi inaugurado no domingo seguinte como tinha sido planejado, e no evento de abertura estavam presentes muito mais membros "com fé para remover montanhas" do que na semana anterior.

Seja sincero:

Você teria participado daquela reunião de oração?
Algumas pessoas dizem que a fé é produzida pelos milagres.
Mas outras sabem: milagres resultam da fé!


Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.

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A Formiga Carregadeira

Eis que os olhos do Senhor estão sobre os que o temem, sobre os que esperam na sua benignidade, para os livrar da morte, e para os conservar vivos na fome. A nossa alma espera no Senhor; ele é o nosso auxílio e o nosso escudo. Pois nele se alegra o nosso coração, porquanto temos confiado no seu santo nome. Seja a tua benignidade, Senhor, sobre nós, assim como em ti esperamos. (Salmos 33, 18-22)

Quando criança, costumava brincar de esconde-esconde com meus amigos da vizinhança. No entanto, eu nunca tinha paciência suficiente para ficar escondido por muito tempo em algum canto, esperando que me achassem. Logo cansava, revelando-me, e (é claro!), sendo perdedor na brincadeira.

Uma vez, porém, escondi-me entre uma árvore e um muro. Foi quando percebi a presença de uma pequena formiga, que insistentemente tentava escalar o muro, carregando com ela um pedaço de folha que era muito maior que seu próprio corpo.

Comecei então a contar quantas vezes ela caía, voltava ao ponto inicial, pegava a folha novamente e, então, retomava sua escalada. Foram setenta e sete vezes até que ela, finalmente, chegou com a folha no topo do muro. Nunca mais esqueci aquela cena, que, além de me ensinar muito sobre o valor da persistência, fez-me ganhar no esconde-esconde pela primeira vez (e fiquei tão bom naquela brincadeira que, em pouco tempo, ninguém mais queria brincar daquilo comigo!).
Hoje, adulto, percebo que é a perseverança que revela a fé genuína. A Bíblia diz que “aquele que perseverar até o fim, esse será salvo” (Marcos 13, 13). E Jesus nos ensina que “devemos orar sempre, sem esmorecer” (Lucas 18, 1).

Agora, leia este parágrafo com a maior atenção: a oração que toma como motivo para desânimo o fato de preces passadas não terem sido atendidas, já deixou de ser uma oração de fé. Para uma real oração de fé, a ausência de resposta é somente uma evidência de que o momento dessa resposta está muito mais próximo.
Ficou entendido? São Mateus sintetiza isso da seguinte maneira: “pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á.” (Mateus 7, 7). Se o Senhor está nos fazendo esperar, devemos mencionar o assunto a Ele outra vez, mas façamo-lo sempre como alguém que está crendo. Devemos “orar sem cessar” (1 Tessalonicenses 5, 17), de tal modo a nunca perdermos a fé, mas crescermos na fé; e “devemos sempre dar graças por tudo a Deus, nosso Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (Efésios 5, 20), pois Ele é o Criador de tudo e de todos, e através do Espírito Santo, que é o Consolador, jamais falha. Como diz a Bíblia, “espera no Senhor, anima-te e Ele fortalecerá o teu coração” (Salmos 27, 14). O verdadeiro poder da oração vem daquele que persevera, que insiste na petição e a renova a todo instante, tomando forças a partir da sua oração anterior.
Oração e perseverança devem estar sempre juntas; e louvor a Deus, sempre presente. Orar é como fazer algum esporte: se um atleta passa um único dia sem praticar, já nota a diferença. A perfeição só vem através do exercício permanente. Se um nadador deixar de praticar, sabemos qual será o resultado.
Devemos exercer nossa prática religiosa com o mesmo espírito dos esportistas, e seguindo o belo exemplo da formiga carregadeira: Só assim caminharemos para a perfeição, e só assim começaremos a vencer, pois àqueles que perseveram, Deus lhes promete vitória
(veja Filipenses 3, 13-14).

Texto escrito por
Marcos de Lacerda Pessoa
em 8 de janeiro de 2004

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A Gaiola de Ouro

Todas as manhãs o rei acordava e tomava café da manhã em sua varanda. A partir de certa ocasião, o rei passou a perceber a presença de um belo e colorido pássaro que parecia esperá-lo, todas as manhãs, para começar o seu canto magistral.

Numa das manhãs, o rei decidiu perguntar ao pássaro se ele desejava possuir uma gaiola. O rei lhe disse que seria uma gaiola enorme e feita de ouro; e que ele ordenaria para que todos os dias ela fosse totalmente limpa, tivesse a água e os alimentos trocados e que, se houvesse sol excessivo, que ela fosse coberta.
O rei ainda ressaltou ao pássaro que, com a gaiola, ele nunca mais teria que buscar seus alimentos ou defender-se das aves maiores, pois ali estaria totalmente protegido e seguro. Além disso, muitas pessoas passariam diariamente pela gaiola e poderiam apreciar o colorido de suas penas e a beleza do seu canto. O pássaro ficava claramente entusiasmado à medida que o rei descrevia como a vida seria melhor com a gaiola que estava sendo imaginada. Num determinado instante, porém, o rei percebeu que o pássaro virou sua cabeça em direção a uma outra ave, que se encontrava no galho de uma árvore próxima e parecia ter acompanhado toda a conversa, quando o pássaro disse:
_ “Mamãe, o que a senhora acha? Aceito a proposta do rei?”.
A outra ave sorriu e balançou a cabeça, como que concordando com o que ouvira. Imediatamente, o pássaro aceitou a proposta do rei e, em dois dias, uma grande gaiola já estava construída, onde o pássaro passou a habitar. Tudo estava maravilhoso, exatamente como o rei havia descrito!
Passados alguns meses, entretanto, o pássaro passou a ficar ansioso. Na verdade não queria mais ficar ali, limitado àquelas grades. Tinha comida e água a vontade, bem como o carinho dos funcionários, dos visitantes e, em especial, do simpático e afetuoso rei. Porém, decididamente não se encontrava satisfeito e estava aos poucos perdendo a disposição e a alegria de viver, que antes possuía. Em pouco tempo deixou de cantar e já não se alimentava direito. Passou então a pensar em sair dali de alguma maneira. Ele poderia falar com o rei, mas ficou receoso de que ele se entristecesse e não o permitisse sair. Imaginou contar para sua mãe, que habitualmente pousava em uma árvore próxima, mas ficou com medo da reação dela, que parecia sentir-se orgulhosa pelas benesses que seu filho recebia na gaiola. Naquela noite, o pássaro ficou muito triste e deprimido. Lágrimas caíam de seus olhinhos e ele caminhava de um lado para o outro da gaiola, mostrando-se inconsolável.
Quando o dia amanheceu, ele estava muito cansado, verdadeiramente esgotado pela terrível noite por que passara. Encostou-se então no canto da gaiola, quando percebeu que algo se moveu atrás dele. Olhou então para trás e notou que a porta da gaiola estava aberta. Observando-a melhor, logo se deu conta de que nunca houve trava alguma que a impedisse de ser aberta. A sua liberdade, portanto, sempre esteve ali, dependendo somente... Dele mesmo!

O “mundo” está sempre nos seduzindo com “gaiolas de ouro”
e querendo nos convencer de que a nossa felicidade depende delas.

Muitas vezes acabamos aceitando essas “provocações”,
para depois percebermos que realizou-se justamente o oposto:

Tornamo-nos cada vez mais aprisionados e comprometidos
com aquilo que o “mundo” achou que era melhor para nós
e que acabamos priorizando, ao invés de focarmos
na suficiência das graças e dons e provindos do Criador.

Peçamos que, a exemplo do filho pródigo,
possamos ter a humidade do arrependimento,
para retornarmos ao Pai, pela Sua misericórdia,
e por intermédio das mãos santas de Seu filho, Jesus,
o qual assim nos disse:

“Eu não vim para condenar o mundo,
mas para salvá-lo”
(João 12, 47).


Texto escrito por
Marcos de Lacerda Pessoa
em dezembro de 2005.

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A Inocência


Lisete Maria, uma linda menininha, vai e volta diariamente de sua escola, caminhando.

Em uma determinada manhã, apesar de nuvens negras estarem rapidamente se formando no céu, Lisete Maria inicia seu caminho diário para a escola, como de costume.

Mas, muito rapidamente o vento aumentou, e de forma assustadora, vindo junto com ele fortes raios e trovões.

 

Ao perceber isso, sua mãe imaginou que a menininha poderia ter muito medo de caminhar sob aquele mau tempo, e preocupada com isso, tratou de pegar rapidamente seu carro, para apanhar Lisete Maria em seu caminho à escola.

Logo ela avistou sua filhinha andando, com uma toalha em volta de sua cabeça; mas percebeu que, a cada relâmpago, a criança parava, olhava calmamente para cima e... SORRIA!

 

Mais e mais trovões vieram, e ela de novo parava, olhava para cima, e em seguida... sorria!

Finalmente, a menininha entrou no carro e a mãe, curiosa, logo perguntou:

- “O que você estava fazendo, minha filha?”

Ao que a garotinha calmamente respondeu:

- “Sorrindo, mamãe, pois hoje Deus não pára de tirar fotos minhas!”

 

Roguemos ao Pai para que Ele permita com
que toda inocência floresça em nossos corações
para podermos perceber a bela e real felicidade
que é encontrada nos momentos
de maior simplicidade.

 

“BEM-AVENTURADOS OS HUMILDES DE ESPÍRITO,
PORQUE DELES É O REINO DOS CÉUS”
- Jesus Cristo (Mt 5, 3).

“BEM-AVENTURADOS OS LIMPOS DE CORAÇÃO,
PORQUE VERÃO A DEUS”
- Jesus Cristo (Mt 5, 8).

Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.

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A Jóia deVerdade

Esperando na fila do caixa, a alegre menininha de cachinhos dourados e quase cinco anos de idade viu algo que lhe chamou a atenção: um reluzente colarzinho de pérolas em uma caixa cor de rosa metálico.

- Compra pra mim, mamãe? Por favor, mamãe, por favor!

Rapidamente a mãe virou a caixa para ver o preço, e olhando para os olhinhos azuis que a fitavam como que rogando pelo presente, declarou:

- Custa um dólar e noventa e cinco centavos. Quase dois dólares...

- Se você realmente quer esse colar, vou arranjar uns servicinhos a mais que você possa fazer e logo logo terá essa quantia. O seu aniversário é daqui a uma semana, e quem sabe se a vovó não vai lhe dar uma nota novinha de um dólar?

 

Assim que chegou em casa, Jane esvaziou o cofrinho e contou 17 cents. Depois do jantar foi muito prestativa, fazendo mais do que suas obrigações. Foi à casa da vizinha, dona Mariana, e perguntou se poderia arrancar as ervas-daninhas da grama por dez cents. No dia do seu aniversário, a avó lhe deu uma outra nota de um dólar, e ela finalmente tinha o dinheiro para comprar o colar. Jane adorava as suas pérolas, e quando as usava sentia-se uma mocinha. Não as tirava do pescoço. Ia com elas para todos os cantos: à igreja, à escola, até dormia com o colar! Só o tirava quando ia nadar ou tomar um banho de espuma, porque a mãe lhe dizia que se molhassem, talvez manchassem o seu pescoço de verde.

O pai de Jane era bem amoroso e todas as noites, antes de ela ir dormir, ele parava o que estava fazendo e subia até o quarto para ler-lhe uma história. Uma noite, depois que ele terminou, perguntou a Jane:

- Você me ama?

- Claro que amo, papai. Você sabe que eu amo o senhor.

- Então me dá as suas pérolas?

- Mas papai... minhas pérolas não. O senhor pode ficar com a Princesa, o cavalinho branco da minha coleção. Aquele que tem o rabo cor de rosa. Lembra, papai? Foi o senhor quem me deu. É o que mais gosto.

- Tudo bem, querida. O papai te ama. Boa noite! E com um beijo em seu rostinho, despediu-se.

Mais ou menos uma semana mais tarde, depois da historinha, o pai voltou a lhe perguntar:

- Jane, você me ama?

- Papai, o senhor sabe que te amo.

- Então me dá as suas pérolas?

- Ah, papai, o meu colar não. Mas eu te dou a minha bonequinha. Aquela novinha que ganhei de aniversário. Ela é linda e te dou também o cobertorzinho amarelo que combina com o chinelinho dela.

- Tudo bem. Durma bem! Deus te abençoe, minha querida. O papai te ama!

E, como sempre, deu-lhe um beijinho no rosto. Algumas noites depois, quando o pai entrou no quarto, Jane estava sentada na cama com as pernas cruzadas, como um índio... Ao se aproximar reparou seu queixo tremendo e uma lágrima rolando pela face.

- O que foi, Jane? O que aconteceu?

Jane não disse nada, só estendeu a mãozinha para o pai, e quando a abriu ali estava o tão amado colar. Um pouco trêmula, ela conseguiu dizer:

- É para o senhor, papai!

Contendo as lágrimas, o gentil pai, com uma mão pegou o colar barato, enquanto com a outra tirava do bolso uma caixinha de veludo azul onde se encontrava um colar de pérolas verdadeiras, que guardara todo esse tempo para dar à filha. Só estava esperando até ela estar disposta a abrir mão do colar barato para poder lhe dar uma jóia de verdade.

Bem semelhante à maneira como
o nosso Pai celestial age conosco.
Existe algo do qual você
não quer se desapegar?

Não juntem riquezas neste mundo,
onde as traças e a ferrugem destroem,
onde os ladrões arrombam e roubam.

Ao contrário, juntem riquezas no céu
onde as traças e a ferrugem não podem destruí-las
e os ladrões não podem arrombar e roubá-las.
Pois onde estiverem as suas riquezas,
aí estará o coração de vocês.
- Jesus de Nazaré
(Mt 6:19-21).


Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido
.

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A Linha Mágica


Era uma vez uma viúva que tinha um filho chamado Pedro. O menino era forte e são, mas não gostava de ir à escola e passava o tempo todo sonhando acordado.

 

- Pedro, com o que você está sonhando a uma hora destas? - perguntava-lhe a professora.

- Estava pensando no que serei quando crescer - respondia ele.

- Seja paciente. Há muito tempo para pensar nisso. Depois de crescido, nem tudo é divertimento, sabe? - dizia ela.

Mas Pedro tinha dificuldades para apreciar qualquer coisa que estivesse fazendo no momento, e ansiava sempre pela próxima. No inverno, ansiava pelo retorno do verão; e no verão, sonhava com passeios de esqui e trenó, e com as fogueiras acesas durante o inverno. Na escola, ansiava pelo fim do dia, quando poderia voltar para casa; e nas noites de domingo, suspirava dizendo: "Se as férias chegassem logo!" O que mais o entretinha era brincar com a amiga Lise. Era companheira tão boa quanto qualquer menino, e a ansiedade de Pedro não a afetava, ela não se ofendia. "Quando crescer, vou casar-me com ela", dizia Pedro consigo mesmo.

Costumava perder-se em caminhadas pela floresta, sonhando com o futuro. Às vezes, deitava-se ao sol sobre o chão macio, com as mãos postas sob a cabeça, e ficava olhando o céu através das copas altas das árvores. Uma tarde quente, quando estava quase caindo no sono, ouviu alguém chamando por ele. Abriu os olhos e sentou-se. Viu uma mulher idosa em pé à sua frente. Ela trazia na mão uma bola prateada, da qual pendia uma linha de seda dourada.

- Olhe o que tenho aqui, Pedro - disse ela, oferecendo-lhe o objeto.

- O que é isso? - perguntou, curioso, tocando a fina linha dourada.

- É a linha da sua vida - retrucou a mulher. - Não toque nela e o tempo passará normalmente. Mas se desejar que o tempo ande mais rápido, basta dar um leve puxão na linha e uma hora passará como se fosse um segundo. Mas devo avisá-lo: uma vez que a linha tenha sido puxada, não poderá ser colocada de volta dentro da bola. Ela desaparecerá como uma nuvem de fumaça. A bola é sua. Mas se aceitar meu presente, não conte para ninguém; senão, morrerá no mesmo dia. Agora diga, quer ficar com ela?

Pedro tomou-lhe das mãos o presente, satisfeito. Era exatamente o que queria. Examinou-a. Era leve e sólida, feita de uma peça só. Havia apenas um furo de onde saía a linha brilhante. O menino colocou-a no bolso e foi correndo para casa. Lá chegando, depois de certificar-se da ausência da mãe, examinou-a outra vez. A linha parecia sair lentamente de dentro da bola, tão devagar que era difícil perceber o movimento a olho nu. Sentiu vontade de dar-lhe um rápido puxão, mas não teve coragem. Ainda não.

No dia seguinte na escola, Pedro imaginava o que fazer com sua linha mágica. A professora o repreendeu por não se concentrar nos deveres. "Se ao menos", pensou ele, "fosse a hora de ir para casa!" Tateou a bola prateada no bolso. Se desse apenas um pequeno puxão, logo o dia chegaria ao fim. Cuidadosamente, pegou a linha e puxou. De repente, a professora mandou que todos arrumassem suas coisas e fossem embora, organizadamente. Pedro ficou maravilhado. Correu sem parar até chegar em casa. Como a vida seria fácil agora! Todos seus problemas haviam terminado. Dali em diante, passou a puxar a linha, só um pouco, todos os dias.

Entretanto, logo apercebeu-se que era tolice puxar a linha apenas um pouco todos os dias. Se desse um puxão mais forte, o período escolar estaria concluído de uma vez. Ora, poderia aprender uma profissão e casar-se com Lise. Naquela noite, então, deu um forte puxão na linha, e acordou na manhã seguinte como aprendiz de um carpinteiro da cidade. Pedro adorou sua nova vida, subindo em telhados e andaimes, erguendo e colocando a marteladas enormes vigas que ainda exalavam o perfume da floresta. Mas às vezes, quando o dia do pagamento demorava a chegar, dava um pequeno puxão na linha e logo a semana terminava, já era a noite de sexta-feira e ele tinha dinheiro no bolso.

Lise também se mudara para a cidade e morava com a tia, que lhe ensinava os afazeres do lar. Pedro começou a ficar impaciente acerca do dia em que se casariam. Era difícil viver tão perto e tão longe dela, ao mesmo tempo. Perguntou-lhe, então, quando poderiam se casar.

- No próximo ano - disse ela. - Eu já terei aprendido a ser uma boa esposa.

Pedro tocou com os dedos a bola prateada no bolso.

- Ora, o tempo vai passar bem rápido - disse, com muita certeza.

Naquela noite, não conseguiu dormir. Passou o tempo todo agitado, virando de um lado para outro na cama. Tirou a bola mágica que estava debaixo do travesseiro. Hesitou um instante; logo a impaciência o dominou, e ele puxou a linha dourada. Pela manhã, descobriu que o ano já havia passado e que Lise concordara afinal com o casamento. Pedro sentiu-se realmente feliz.

Mas antes que o casamento pudesse realizar-se, recebeu uma carta com aspecto de documento oficial. Abriu-a, trêmulo, e leu a noticia de que deveria apresentar-se ao quartel do exército na semana seguinte para servir por dois anos. Mostrou-a, desesperado, para Lise.

- Ora - disse ela -, não há o que temer, basta-nos esperar. Mas o tempo passará rápido, você vai ver. Há tanto o que preparar para nossa vida a dois!

Pedro sorriu com galhardia, mas sabia que dois anos durariam uma eternidade para passar.

Quando já se acostumara à vida no quartel, entretanto, começou a achar que não era tão ruim assim. Gostava de estar com os outros rapazes, e as tarefas não eram tão árduas a princípio. Lembrou-se da mulher aconselhando-o a usar a linha mágica com sabedoria e evitou usá-la por algum tempo. Mas logo tornou a sentir-se irrequieto. A vida no exército o entediava com tarefas de rotina e rígida disciplina. Começou a puxar a linha para acelerar o andamento da semana a fim de que chegasse logo o domingo, ou o dia da sua folga. E assim se passaram os dois anos, como se fosse um sonho.

Terminado o serviço militar, Pedro decidiu não mais puxar a linha, exceto por uma necessidade absoluta. Afinal, era a melhor época da sua vida, conforme todos lhe diziam. Não queria que acabasse tão rápido assim. Mas ele deu um ou dois pequenos puxões na linha, só para antecipar um pouco o dia do casamento. Tinha muita vontade de contar para Lise seu segredo; mas sabia que se contasse, morreria.

No dia do casamento, todos estavam felizes, inclusive Pedro. Ele mal podia esperar para mostrar-lhe a casa que construíra para ela. Durante a festa, lançou um rápido olhar para a mãe. Percebeu, pela primeira vez, que o cabelo dela estava ficando grisalho. Envelhecera rapidamente. Pedro sentiu uma pontada de culpa por ter puxado a linha com tanta freqüência. Dali em diante, seria muito mais parcimonioso com seu uso, e sé a puxaria se fosse estritamente necessário.

Alguns meses mais tarde, Lise anunciou que estava esperando um filho. Pedro ficou entusiasmadíssimo, e mal podia esperar. Quando o bebê nasceu, ele achou que não iria querer mais nada na vida. Mas sempre que o bebê adoecia ou passava uma noite em claro chorando, ele puxava a linha um pouquinho para que o bebê tornasse a ficar saudável e alegre.

Os tempos andavam difíceis. Os negócios iam mal e chegara ao poder um governo que mantinha o povo sob forte arrocho e pesados impostos, e não tolerava oposição. Quem quer que fosse tido como agitador era preso sem julgamento, e um simples boato bastava para se condenar um homem. Pedro sempre fora conhecido por dizer o que pensava, e logo foi preso e jogado numa cadeia. Por sorte, trazia a bola mágica consigo e deu um forte puxão na linha. As paredes da prisão se dissolveram diante dos seus olhos e os inimigos foram arremessados à distância numa enorme explosão. Era a guerra que se insinuava, mas que logo acabou, como uma tempestade de verão, deixando o rastro de uma paz exaurida. Pedro viu-se de volta ao lar com a família. Mas era agora um homem de meia-idade.

Durante algum tempo, a vida correu sem percalços, e Pedro sentia-se relativamente satisfeito. Um dia, olhou para a bola mágica e surpreendeu-se ao ver que a linha passara da cor dourada para a prateada. Foi olhar-se no espelho. Seu cabelo começava a ficar grisalho e seu rosto apresentava rugas onde nem se podia imaginá-las. Sentiu um medo súbito e decidiu usar a linha com mais cuidado ainda do que antes. Lise dera-lhe outros filhos e ele parecia feliz como chefe da família que crescia. Seu modo imponente de ser fazia as pessoas pensarem que ele era algum tipo de déspota benevolente. Possuía um ar de autoridade como se tivesse nas mãos o destino de todos. Mantinha a bola mágica bem escondida, resguardada dos olhos curiosos dos filhos, sabendo que se alguém a descobrisse, seria fatal.

Cada vez tinha mais filhos, de modo que a casa foi ficando muito cheia de gente. Precisava ampliá-la, mas não contava com o dinheiro necessário para a obra. Tinha outras preocupações, também. A mãe estava ficando idosa e parecia mais cansada com o passar dos dias. Não adiantava puxar a linha da bola mágica, pois isto sé aceleraria a chegada da morte para ela. De repente, ela faleceu, e Pedro, parado diante do túmulo, pensou como a vida passara tão rápido, mesmo sem fazer uso da linha mágica.

Uma noite, deitado na cama, sem conseguir dormir, pensando nas suas preocupações, achou que a vida seria bem melhor se todos os filhos já estivessem crescidos e com carreiras encaminhadas. Deu um fortíssimo puxão na linha, e acordou no dia seguinte vendo que os filhos já não estavam mais em casa, pois tinham arranjado empregos em diferentes cantos do país, e que ele e a mulher estavam sós. Seu cabelo estava quase todo branco e doíam-lhe as costas e as pernas quando subia uma escada ou os braços quando levantava uma viga mais pesada. Lise também envelhecera, e estava quase sempre doente. Ele não agüentava vê-la sofrer, de tal forma que lançava mão da linha mágica cada vez mais freqüentemente. Mas bastava ser resolvido um problema, e já outro surgia em seu lugar. Pensou que talvez a vida melhorasse se ele se aposentasse. Assim, não teria que continuar subindo nos edifícios em obras, sujeito a lufadas de vento, e poderia cuidar de Lise sempre que ela adoecesse. O problema era a falta de dinheiro suficiente para sobreviver. Pegou a bola mágica, então, e ficou olhando. Para seu espanto viu que a linha não era mais prateada, mas cinza, e perdera o brilho. Decidiu ir para a floresta dar um passeio e pensar melhor em tudo aquilo.

Já fazia muito tempo que não ia àquela parte da floresta. Os pequenos arbustos haviam crescido, transformando-se em árvores frondosas, e foi difícil encontrar o caminho que costumava percorrer. Acabou chegando a um banco no meio de uma clareira. Sentou-se para descansar e caiu em sono leve. Foi despertado por uma voz que o chamava pelo nome: "Pedro! Pedro!"

Abriu os olhos e viu a mulher que encontrara havia tantos anos e que lhe dera a bola prateada com a linha dourada mágica. Aparentava a mesma idade que tinha no dia em questão, exatamente igual. Ela sorriu para ele.

- E então, Pedro, sua vida foi boa? - perguntou.

- Não estou bem certo - disse ele. - Sua bola mágica é maravilhosa. Jamais tive que suportar qualquer sofrimento ou esperar por qualquer coisa em minha vida. Mas tudo foi tão rápido. Sinto como se não tivesse tido tempo de apreender tudo que se passou comigo; nem as coisas boas, nem as ruins. E agora falta tão pouco tempo! Não ouso mais puxar a linha, pois isto só anteciparia minha morte. Acho que seu presente não me trouxe sorte.

- Mas que falta de gratidão! - disse a mulher. - Como você gostaria que as coisas fossem diferentes?

- Talvez se você tivesse me dado uma outra bola, que eu pudesse puxar a linha para fora e para dentro também. Talvez, então, eu pudesse reviver as coisas ruins.

A mulher riu-se. - Está pedindo muito! Você acha que Deus nos permite viver nossas vidas mais de uma vez? Mas posso conceder-lhe um último desejo, seu tolo exigente.

- Qual? - perguntou ele.

- Escolha - disse ela. Pedro pensou bastante. Depois de um bom tempo, disse: - Eu gostaria de tornar a viver minha vida, como se fosse a primeira vez, mas sem sua bola mágica. Assim poderei experimentar as coisas ruins da mesma forma que as boas sem encurtar sua duração, e pelo menos minha vida não passará tão rápido e não perderá o sentido como um devaneio.

- Assim seja - disse a mulher. - Devolva-me a bola. Ela esticou a mão e Pedro entregou-lhe a bola prateada. Em seguida, ele se recostou e fechou os olhos, exausto.

Quando acordou, estava na cama. Sua jovem mãe se debruçava sobre ele, tentando acordá-lo carinhosamente.

- Acorde, Pedro. Não vá chegar atrasado na escola. Você estava dormindo como uma pedra!

Ele olhou para ela, surpreso e aliviado.

Tive um sonho horrível, mãe. Sonhei que estava velho e doente e que minha vida passara como num piscar de olhos sem que eu sequer tivesse algo para contar. Nem ao menos algumas lembranças.

A mãe riu-se e fez que não com a cabeça.

Isso nunca vai acontecer disse ela. As lembranças são algo que todos temos, mesmo quando velhos. Agora, ande logo, vá se vestir. A Lise está esperando por você, não deixe que se atrase por sua causa.

A caminho da escola em companhia da amiga, ele observou que estavam em pleno verão e que fazia uma linda manhã, uma daquelas em que era ótimo estar vivendo. Em poucos minutos, estariam encontrando os amigos e colegas, e mesmo a perspectiva de enfrentar algumas aulas não parecia tão ruim assim. Na verdade, ele mal podia esperar.


Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.

 

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A Mala de Viagem

Conta-se uma fábula sobre um homem que caminhava vacilante pela estrada, levando uma pedra numa mão e um tijolo na outra. Nas costas carregava um saco de terra; em volta do peito trazia vinhas penduradas. Sobre a cabeça equilibrava uma abóbora pesada.

Pelo caminho encontrou um transeunte que lhe perguntou: “Cansado viajante, por que carrega essa pedra tão grande?”

“É estranho”, respondeu o viajante, “mas eu nunca tinha realmente notado que a carregava.” Então, ele jogou a pedra fora e se sentiu muito melhor.

Em seguida veio outro transeunte que lhe perguntou: “Diga-me, cansado viajante, por que carrega essa abóbora tão pesada?”

“Estou contente que me tenha feito essa pergunta”, disse o viajante, “porque eu não tinha percebido o que estava fazendo comigo mesmo”. Então ele jogou a abóbora fora e continuou seu caminho com passos muito mais leves.

Um por um, os transeuntes foram avisando-o a respeito de suas cargas desnecessárias. E ele foi abandonando uma a uma. Por fim, tornou-se um homem livre e caminhou como tal.

Qual era na verdade o problema dele? A pedra e a abóbora?

Não!

ERA A FALTA DE CONSCIÊNCIA DA EXISTÊNCIA DELA