A
Arma do Amor
Há
muito tempo atrás, uma menina chamada Yang se casou
e foi viver com o marido e a sogra. Depois de alguns dias,
passou a não se entender com a sogra. As personalidades
delas eram muito diferentes, e Yang foi se irritando com
os hábitos da sogra que freqüentemente a criticava.
Meses se passaram e Yang e sua sogra cada vez discutiam
e brigavam mais.

De
acordo com antiga tradição chinesa a nora
tinha que se curvar para a sogra e a obedecer em tudo.
Yang já não suportando mais conviver com a
sogra, decidiu tomar uma atitude e foi visitar um amigo
de seu pai, que a ouviu e, depois, com um pacote de ervas
lhe disse:
_ Você não poderá usá-las de
uma só vez para se libertar de sua sogra porque isso
causaria suspeitas. Vou lhe dar várias ervas que
irão lentamente envenenando sua sogra. A cada dois
dias ponha um pouco destas ervas na comida dela. Agora,
para ter certeza de que ninguém suspeitará
de você quando ela morrer, você deve ter muito
cuidado e agir de forma muito amigável. Não
discuta o que eu digo e ajudarei a resolver seu problema;
mas você tem que me escutar e seguir todas as instruções
que eu lhe der.
Yang respondeu:
_ Sim, Sr. Huang, eu farei tudo o que o que o senhor me
pedir.
Yang ficou muito contente, agradeceu ao Sr. Huang e voltou
apressada para casa para começar o projeto de assassinar
a sua sogra. Semanas se passaram, e a cada dois dias Yang
servia a comida "especialmente tratada" à
sua sogra. Ela sempre lembrava do que Sr. Huang tinha recomendado
sobre evitar suspeitas, e assim ela controlou o seu temperamento,
obedeceu a sogra e a tratou como se fosse sua própria
mãe.
Depois de seis meses a casa inteira estava com outro astral.
Yang tinha controlado o seu temperamento e quase nunca se
aborrecia. Nesses seis meses não tinha tido nenhuma
discussão com a sogra, que agora parecia muito mais
amável e mais fácil de lidar. As atitudes
da sogra também mudaram e elas passaram a se tratar
como mãe e filha. Um dia Yang foi novamente procurar
o Sr. Huang para pedir-lhe ajuda e disse:
_ Querido Sr. Huang, por favor, me ajude a evitar que o
veneno mate minha sogra! Ela se transformou numa mulher
agradável e eu a amo como se fosse minha mãe.
Não quero que ela morra por causa do veneno que eu
lhe dei. O Sr. Huang sorriu, acenou com a cabeça
e disse:
_ Yang, não precisa se preocupar. As ervas que eu
dei eram vitaminas para melhorar a saúde dela. O
veneno estava na sua mente e na sua atitude, mas foi jogado
fora e substituído pelo amor que você passou
a dar a ela. Na China existe uma regra dourada que diz:
"A
pessoa que ama os outros também será amada."
Na
grande parte das vezes recebemos das outras pessoas o que
damos a elas, então...
...LEMBRE-SE
SEMPRE:
O
plantio é opcional.
A colheita é obrigatória.
Por isso cuidado com o que planta!!!
Texto
adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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A
Avó de Jéssica:
[Uma Vida de Amor]
O
que o homem semear, isso colherá.
(Gálatas 6:7)
Quando Jéssica veio ao mundo, trazia a cabeça
amassada e os traços deformados, devido ao parto
difícil vivido por sua mãe. Todos a olhavam
e faziam careta, dizendo que ela se parecia com um lutador
de box espancado. Todos tinham a mesma reação,
menos a sua avó. Quando a viu, a tomou nos braços,
e seus olhos brilharam. Olhou para aquele bebê, sua
primeira netinha e, emocionada, falou: “linda!”.
No transcorrer do desenvolvimento daquela sua primeira netinha,
ela estaria sempre presente. E um amor mútuo, profundo,
passou a ser compartilhado.
Anos depois, quando a avó de Jéssica foi diagnosticada
como possuindo o Mal de Alzheimer, toda a família
se tornou especialista no assunto. Parecia que, aos poucos,
a vózinha ia se despedindo. Ou eles a estavam perdendo.
Começou a falar em fragmentos. Depois, o número
de palavras foi ficando sempre menor, até não
dizer mais nada. Uma semana antes de morrer, seu corpo perdeu
todas as funções vitais e ela foi removida,
a conselho médico, para uma clínica de doentes
terminais. Jéssica insistiu para ir vê-la.
Ela entrou no quarto onde a avó estava e a viu deitada
na cama, com seus óculos ao rosto, embora estes já
não lhe servissem mais, pois ela não conseguia
abrir os olhos.
O corpo estava debilitado, a boca entreaberta e mole. Uma
grande dose de morfina a mantinha adormecida. Lentamente,
Jéssica se sentou à sua frente. Tomou a sua
mão esquerda e a segurou. Afastou daquele rosto amado
uma mecha de cabelos brancos e ficou ali, sentada, sem se
mover, incapaz de dizer coisa alguma.

Desejava
falar, mas a tristeza que a dominava era tamanha, que não
a conseguia controlar. Então, aconteceu... A mão
da avó foi se fechando em torno da mão da
neta, apertando mais e mais. O que parecia ser um pequeno
gemido se transformou em um som, e de sua boca saiu uma
palavra: “Jéssica”. A garota tremeu.
O seu nome. A avó tinha quatro filhos, dois genros,
uma nora e seis netos. Como ela sabia que era ela?
Naquele momento, a impressão que Jéssica teve
foi que um filme era exibido em sua cabeça. Viu e
reviu sua avó nos 14 recitais de dança em
que ela se apresentou. Viu-a sapateando na cozinha, com
ela. Brincando com os netos, enquanto os demais adultos
faziam a ceia na sala grande. Viu-a, sentada ao seu lado,
no Natal, admirando a árvore decorada com enfeites
luminosos. Então Jéssica olhou para a avó,
ali, e vendo em que se transformara aquela mulher, sua garganta
ficou apertada, e ela chorou.
Deu-se conta que ela não assistiria ao seu último
recital de dança, nem voltaria a torcer com ela no
próximo campeonato mundial de futebol. Nunca mais
poderia se sentar a seu lado, para admirar a árvore
de Natal. Não a veria toda arrumada para o baile
de sua formatura, ao final daquele ano. Não estaria
presente no seu casamento, nem quando seu primeiro filho
nascesse. As lágrimas corriam abundantes pela sua
face. Acima de tudo, chorava porque finalmente compreendia
a história que haviam lhe contado: de como a avó
havia se sentido no dia em que ela nascera.
A avó olhara ‘através’ da sua
aparência, enxergara ‘lá dentro’,
e vira uma vida. Então, lentamente, Jéssica
soltou a mão da avó e enxugou as lágrimas
que molhavam o seu rosto. Ficou de pé, inclinou-se
para a frente e a beijou. Num sussurro, disse para a avó:
“linda!”.
O
amor... não é invejoso;
o amor não se vangloria, não se ensoberbece...
não busca os seus próprios interesses...
não suspeita mal;
não se regozija com a injustiça,
mas se regozija com a verdade;
tudo sofre, tudo crê,
tudo espera, tudo suporta.
O
amor jamais acaba.
Porque
agora vemos como por espelho, em enigma,
mas então veremos face a face;
agora conheço em parte, mas então conhecerei
plenamente,
como também sou plenamente conhecido.
Agora,
pois, permanecem
a fé, a esperança, o amor, estes três;
mas o maior destes é o amor.
(I
Corintios 13)
Texto
adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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A Bailarina
Desde
pequena Svetlana só tinha conhecido uma paixão:
dançar e sonhar em ser uma Gran Ballerina do Bolshoi
Ballet. Seus pais haviam desistido de lhe exigir empenho
em qualquer outra atividade. Os rapazes já haviam
se resignado: o coração de Svetlana tinha
lugar para somente uma paixão e tudo mais era sacrificado
pelo dia em que se tornaria a Bailarina do Bolshoi. Haviam
criado um apelido especial para ela : lankina que no antigo
dialeto queria dizer "a que flutua". Era uma forma
carinhosa de brincar com a bela e talentosa Svetlana pois
a palavra também podia significar "a que divaga",
ou "que sonha acordada".
Um dia, Svetlana teve sua grande chance. Conseguira uma
audiência com Sergei Davidovitch, Ballet Master do
Bolshoi, que estava selecionando aspirantes para a Companhia.
Dançou como se fosse seu último dia na Terra.
Colocou tudo que sentia e que aprendera em cada movimento,
como se uma vida inteira pudesse ser contada em um único
compasso. Ao final, aproximou-se do Ballet Master e lhe
perguntou:
"Então, o Sr. acha que eu posso me tornar uma
Gran Ballerina?"
Na longa viagem de volta a sua aldeia, Svetlana, em meio
as lagrimas, imaginou que nunca mais aquele "Não"
deixaria de reverberar em sua mente. Meses se passaram até
que pudesse novamente calçar uma sapatilha . Ou fazer
seu alongamento frente ao espelho.

Dez
anos mais tarde Svetlana, já uma estimada professora
de ballet, criou coragem de ir a performance anual do Bolshoi
em sua região. Sentou-se bem a frente e notou que
o Sr. Davidovitch ainda era o Ballet Master. Após
o concerto, aproximou-se do cavalheiro e lhe contou o quanto
ela queria ter sido bailarina do Bolshoi e quanto doera,
anos atrás, ouvir-lhe dizer que não seria
capaz.
"Mas minha filha, eu digo isso a todas as aspirantes"
respondeu o Sr. Davidovitch. "Como o Sr. poderia cometer
uma injustiça dessas? Eu dediquei toda minha vida!
Todos diziam que eu tinha o dom. Eu poderia ter sido uma
Gran Ballerina se não fosse o descaso com que o Sr.
me avaliou!"
Havia solidariedade e compreensão na voz do Master,
mas não hesitou ao responder: "Perdoe-me, minha
filha, mas você nunca poderia ter sido grande o suficiente,
se você foi capaz de abandonar seu sonho pela opinião
de outra pessoa."
Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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A Carteira
(UMA
HISTÓRIA DE PAIXÃO VERDADEIRA)
Eu
retornava para casa, em um dia muito frio, quando tropecei
em uma carteira.

Procurei
por ‘algum meio’ de identificar o dono. Mas
a carteira só continha três dólares
e uma carta amassada, que parecia ter ficado ali por muitos
anos. No envelope, muito sujo, a única coisa legível
era o endereço do remetente. Comecei a ler a carta
tentando achar alguma dica. Então eu vi pelo cabeçalho
que ela tinha sido escrita há quase sessenta anos
atrás. A letra era bonita e feminina, em tinta azul
claro, e no canto esquerdo do papel havia uma flor. A carta
dizia que sua mãe a havia proibido de se encontrar
com Michael mas ela escrevia a carta para dizer que sempre
o amaria. Assinado... Hannah.
Era uma carta bonita, mas não havia nenhum modo,
com exceção do nome Michael, de identificar
o dono. Entrei em contato com a companhia telefônica,
expliquei o problema ao operador e lhe pedi o número
do telefone no endereço que havia no envelope. O
operador disse que havia um telefone mas não poderia
me dar o número. Por sua própria sugestão,
entrou em contato com o número, explicou a situação
e fez uma conexão daquele telefone comigo. Eu perguntei
à senhora do outro lado, se ela conhecia alguém
chamada Hannah. Ela ofegou e respondeu:
_ "Oh! Nós compramos esta casa de uma família
que tinha uma filha chamada Hannah. Mas isto foi há
30 anos!"
_ "E você saberia onde aquela família
pode ser localizada agora?", eu perguntei.
_ "Do que me lembro, aquela Hannah teve que colocar
sua mãe em um asilo alguns anos atrás",
disse a mulher. "Talvez se você entrar em contato
eles possam informar".
Ela me deu o nome do asilo e eu liguei. Eles me contaram
que a velha senhora tinha falecido alguns anos atrás,
mas eles tinham um número de telefone onde acreditavam
que a filha poderia estar vivendo. Eu lhes agradeci e telefonei.
A mulher que respondeu explicou que aquela Hannah estava
morando agora em um asilo. A coisa toda começa a
parecer estúpida, pensei comigo mesmo. Para que estava
fazendo aquele movimento todo só para achar o dono
de uma carteira que tinha apenas três dólares
e uma carta com quase 60 anos? Apesar disso, liguei para
o asilo no qual era suposto que Hannah estava vivendo e
o homem que atendeu me falou:
_ "Sim, a Hannah está morando conosco."
Embora já passasse das 10 da noite, eu perguntei
se poderia ir para vê-la.
_ "Bem", ele disse hesitante, "se você
quiser se arriscar, ela poderá estar na sala assistindo
a televisão".
Eu agradeci e corri para o asilo. A enfermeira noturna e
um guarda me cumprimentaram à porta. Fomos até
o terceiro andar. Na sala, a enfermeira me apresentou a
Hannah. Era uma doçura, cabelo prateado com um sorriso
calmo e um brilho no olhar. Falei a ela sobre a carteira
e mostrei-lhe a carta. Assim que viu o papel de carta com
aquela pequena flor à esquerda, ela respirou fundo
e disse:
_ "Esta carta foi o último contato que tive
com Michael."
Ela pausou um momento em pensamento e então disse
suavemente:
_ "Eu o amei muito. Mas na ocasião eu tinha
só 16 anos e minha mãe achava que eu era muito
jovem. Oh, ele era tão bonito... Ele se parecia com
Sean Connery, o ator."
_ "Sim", ela continuou, "Michael Goldstein
era uma pessoa maravilhosa. Se você o achar, lhe fale
que eu penso freqüentemente nele. E..." ela hesitou
por um momento, e quase mordendo o lábio, "
fale para ele que eu ainda o amo. Você sabe...",
ela disse sorrindo com lágrimas que começaram
a rolar em seus olhos, "eu nunca me casei. Eu jamais
encontrei alguém que correspondesse ao Michael."
Eu
agradeci a Hannah e disse adeus. Quando passava pela porta
da saída, o guarda perguntou:
_ "A velha senhora conseguiu lhe ajudar?"
_ "Pelo menos agora eu tenho um sobrenome. Mas eu acho
que vou deixar isto para depois. Eu passei quase o dia inteiro
tentando achar o dono desta carteira".
Quando o guarda viu a carteira, ele disse:
_ "Ei, espere um minuto! Isto é a carteira do
Sr. Goldstein. Eu a reconheceria em qualquer lugar. Ele
está sempre perdendo a carteira. Eu devo tê-la
achado pelos corredores ao menos três vezes."
_ "Quem é Sr. Goldstein?", eu perguntei
com minha mão começando a tremer.
_ "Ele é um dos idosos do oitavo andar. Isso
é a carteira de Mike Goldstein, sem dúvida.
Ele deve ter perdido em um de seus passeios."
Agradeci o guarda, corri ao escritório da enfermeira
e lhe falei sobre o que o guarda tinha dito. Nós
voltamos para o elevador e subimos. No oitavo andar, a enfermeira
disse:
_ "Acho que ele ainda está acordado. Ele gosta
de ler à noite. Ele é um homem bem velho."
Fomos até o único quarto que ainda tinha luz
e havia um homem lendo um livro. A enfermeira foi até
ele e perguntou se ele tinha perdido a carteira. O Sr. Goldstein
olhou com surpresa, pondo a mão no bolso de trás
e disse:
_ "Oh, está perdida!"
_ "Este amável cavalheiro achou uma carteira
e nós queremos saber se é sua?"
Entreguei a carteira ao Sr. Goldstein, ele sorriu com alívio
e disse:
_ "Sim, é minha! Devo ter derrubado hoje a tarde.
Eu quero lhe dar uma recompensa."
_ "Não, obrigado", eu disse. "Mas
eu tenho que lhe contar algo. Eu li a carta na esperança
de descobrir o dono da carteira".
O sorriso em seu rosto desapareceu de repente.
_ "Você leu a carta?"
_ "Não só li, como eu acho que sei onde
a Hannah está".
Ele ficou pálido de repente.
_ "Hannah? Você sabe onde ela está? Como
ela está? É ainda tão bonita quanto
era? Por favor, por favor me fale", ele implorou.
_ "Ela está bem... É bonita da mesma
maneira como quando o senhor a conheceu", eu disse
suavemente.
O homem sorriu e perguntou:
_ "Você pode me falar onde ela está? Quero
chamá-la amanhã mesmo." Ele agarrou minha
mão e disse: "Eu estava tão apaixonado
por aquela menina que quando aquela carta chegou, minha
vida literalmente terminou. Eu nunca me casei. Eu sempre
a amei."
_ "Sr. Goldstein", eu disse, "Venha comigo."
Fomos de elevador até o terceiro andar. Atravessamos
o corredor até a sala onde Hannah estava assistindo
televisão. A enfermeira caminhou até ela,
"Hannah..." ela disse suavemente, enquanto apontava
para Michael que estava esperando comigo na entrada.
_ "...Você conhece este homem?"
Ela ajeitou os óculos, olhou por um momento, mas
não disse uma palavra.
Michael disse suavemente, quase em um sussurro:
_"Hannah, é o Michael. Lembra-se de mim?"
_ "Michael! Eu não acredito nisto! Michael!
É você! Meu Michael!"
Ele caminhou lentamente até ela e se abraçaram.
A enfermeira e eu partimos com lágrimas rolando em
nossas faces.
_ "Veja...", eu disse. "...Veja como o bom
Deus trabalha! Se tem que ser, será!".
Aproximadamente três semanas depois eu recebi uma
chamada do asilo em meu escritório.
_ "Você pode vir no domingo para assistir a um
casamento? O Michael e Hannah vão se amarrar"!
Foi um casamento bonito, com todas as pessoas do asilo devidamente
vestidos para a celebração. Hannah usou um
vestido bege claro e bonito. Michael usou um terno azul
escuro. O hospital lhes deu o próprio quarto e se
você sempre quis ver uma noiva com 76 anos e um noivo
com 79 anos agindo como dois adolescentes, você tinha
que ver este par. Um final perfeito para um caso de amor
que tinha durado quase 60 anos.

Texto
adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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À
Distância de uma Oração
“De
maneira alguma te deixarei,
nunca jamais te abandonarei"
(Hebreus 13:5).
Se você colocar um falcão em um cercado de
um metro quadrado e inteiramente aberto por cima, o pássaro,
apesar de sua habilidade para o vôo, será um
prisioneiro. A razão é que um falcão
sempre começa seu vôo com uma pequena corrida
em terra. Sem espaço para correr, nem mesmo tentará
voar e permanecerá um prisioneiro pelo resto da vida,
nessa pequena cadeia sem teto.

O
morcego, criatura notavelmente ágil no ar, não
pode sair de um lugar nivelado. Se for colocado em um piso
complemente plano, tudo que ele conseguirá fazer
é andar de forma confusa, dolorosa, procurando alguma
ligeira elevação de onde possa se lançar.
Um zangão, se cair em um pote aberto, ficará
lá até morrer ou ser removido. Ele não
vê a saída no alto, por isso, persiste em tentar
sair pelos lados, próximo ao fundo. Procurará
uma maneira de sair onde não existe nenhuma, até
que se destrua completamente, de tanto atirar-se contra
o fundo do vidro.
Existem pessoas como o falcão, o morcego e o zangão:
atiram-se obstinadamente contra os obstáculos, sem
perceber que a saída está logo acima. Se você
está como um zangão, um morcego ou um falcão,
cercado de problemas por todos os lados, olhe para cima!
E lá estará DEUS, pronto para ajudar, à
distância apenas de uma oração...

“Busquei
ao Senhor, e ele me respondeu,
e de todos os meus temores me livrou.
Olhai
para ele, e sede iluminados;
e os vossos rostos jamais serão confundidos.
Clamou
este pobre, e o Senhor o ouviu,
e o livrou de todas as suas angústias.
O
anjo do Senhor acampa-se
ao redor dos que o respeitam, e os livra.
Provai,
e vede que o Senhor é bom
bem-aventurado o homem que nele se refugia.
Respeitai
ao Senhor, vós, seus santos,
porque nada falta aos que o respeitam.
Os
leõezinhos necessitam e sofrem fome,
mas àqueles que buscam ao Senhor,
bem algum lhes faltará.
Vinde,
filhos, ouvi-me;
eu vos ensinarei o respeito do Senhor”
(Salmos
34:4-11).
Texto
adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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A
Fé Remove Montanhas
"Ao
que Jesus lhes disse:
Tende fé em Deus;
porque em verdade vos afirmo que,
se alguém disser a este monte:
Ergue-te e lança-te no mar,
e não duvidar no seu coração,
mas crer que se fará o que diz,
assim será com ele.
Por isso, vos digo
que tudo quanto em oração pedirdes,
crede que recebestes,
e será assim convosco"
(Mc 11.22-24).
Os
membros de uma pequena igreja nas montanhas de Great Smoky
(EUA) construíram um novo prédio em um terreno
que haviam recebido por doação. Dez dias antes
da inauguração, o inspetor de obras da localidade
informou ao pastor que o estacionamento era insuficiente
para o tamanho do prédio. Se a igreja não
dobrasse o tamanho do estacionamento, não poderia
usar o salão. Infelizmente, a igreja já havia
ocupado cada polegada do escasso terreno, com exceção
da colina que ficava atrás do prédio. Para
criar mais vagas no estacionamento, seria necessário
remover a colina.
Na manhã do domingo seguinte o pastor anunciou corajosamente
que de tardezinha queria reunir-se com todos os membros
da igreja que tivessem "fé para remover montanhas".
Eles fariam uma corrente de oração para pedir
a Deus que removesse a colina e providenciasse o dinheiro
suficiente para asfaltar o estacionamento antes da inauguração
no domingo seguinte.

No
horário combinado reuniram-se para orar 24 dos 300
membros da igreja. Eles oraram no topo da colina durante
várias horas. Às 22 horas o pastor disse o
último "Amém". "Conforme está
planejado, inauguraremos o salão no próximo
domingo", garantiu ele. "Deus nunca nos abandonou,
e creio que também desta vez Ele será fiel".
Na manhã seguinte, quando estava trabalhando em seu
gabinete, alguém bateu com força na porta.
Ao responder "entre!", apareceu um empreiteiro
de aspecto rude, que tirou seu capacete. "Desculpe,
pastor, sou da empreiteira de obras da localidade vizinha.
Estamos construindo um enorme centro de compras e precisamos
de terra. O senhor estaria disposto a nos vender uma parte
da colina que fica atrás da igreja? Nós pagaremos
a terra que tirarmos e asfaltaremos gratuitamente o espaço
vazio, desde que possamos dispor da terra imediatamente.
Não podemos continuar com a construção
do shopping antes que a terra esteja depositada no local
e suficientemente compactada".
O novo salão foi inaugurado no domingo seguinte como
tinha sido planejado, e no evento de abertura estavam presentes
muito mais membros "com fé para remover montanhas"
do que na semana anterior.
Seja
sincero:
Você
teria participado daquela reunião de oração?
Algumas pessoas dizem que a fé é produzida
pelos milagres.
Mas outras sabem: milagres resultam da fé!
Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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A
Formiga Carregadeira
Eis
que os olhos do Senhor estão sobre os que o temem,
sobre os que esperam na sua benignidade, para os livrar
da morte, e para os conservar vivos na fome. A nossa alma
espera no Senhor; ele é o nosso auxílio e
o nosso escudo. Pois nele se alegra o nosso coração,
porquanto temos confiado no seu santo nome. Seja a tua benignidade,
Senhor, sobre nós, assim como em ti esperamos. (Salmos
33, 18-22)
Quando
criança, costumava brincar de esconde-esconde com
meus amigos da vizinhança. No entanto, eu nunca tinha
paciência suficiente para ficar escondido por muito
tempo em algum canto, esperando que me achassem. Logo cansava,
revelando-me, e (é claro!), sendo perdedor na brincadeira.

Uma
vez, porém, escondi-me entre uma árvore e
um muro. Foi quando percebi a presença de uma pequena
formiga, que insistentemente tentava escalar o muro, carregando
com ela um pedaço de folha que era muito maior que
seu próprio corpo.

Comecei
então a contar quantas vezes ela caía, voltava
ao ponto inicial, pegava a folha novamente e, então,
retomava sua escalada. Foram setenta e sete vezes até
que ela, finalmente, chegou com a folha no topo do muro.
Nunca mais esqueci aquela cena, que, além de me ensinar
muito sobre o valor da persistência, fez-me ganhar
no esconde-esconde pela primeira vez (e fiquei tão
bom naquela brincadeira que, em pouco tempo, ninguém
mais queria brincar daquilo comigo!).
Hoje, adulto, percebo que é a perseverança
que revela a fé genuína. A Bíblia diz
que “aquele que perseverar até o fim, esse
será salvo” (Marcos 13, 13). E Jesus nos ensina
que “devemos orar sempre, sem esmorecer” (Lucas
18, 1).
Agora,
leia este parágrafo com a maior atenção:
a oração que toma como motivo para desânimo
o fato de preces passadas não terem sido atendidas,
já deixou de ser uma oração de fé.
Para uma real oração de fé, a ausência
de resposta é somente uma evidência de que
o momento dessa resposta está muito mais próximo.
Ficou
entendido? São Mateus sintetiza isso da seguinte
maneira: “pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis;
batei e abrir-se-vos-á.” (Mateus 7, 7). Se
o Senhor está nos fazendo esperar, devemos mencionar
o assunto a Ele outra vez, mas façamo-lo sempre como
alguém que está crendo. Devemos “orar
sem cessar” (1 Tessalonicenses 5, 17), de tal modo
a nunca perdermos a fé, mas crescermos na fé;
e “devemos sempre dar graças por tudo a Deus,
nosso Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (Efésios
5, 20), pois Ele é o Criador de tudo e de todos,
e através do Espírito Santo, que é
o Consolador, jamais falha. Como diz a Bíblia, “espera
no Senhor, anima-te e Ele fortalecerá o teu coração”
(Salmos 27, 14). O verdadeiro poder da oração
vem daquele que persevera, que insiste na petição
e a renova a todo instante, tomando forças a partir
da sua oração anterior.
Oração e perseverança devem estar sempre
juntas; e louvor a Deus, sempre presente. Orar é
como fazer algum esporte: se um atleta passa um único
dia sem praticar, já nota a diferença. A perfeição
só vem através do exercício permanente.
Se um nadador deixar de praticar, sabemos qual será
o resultado.
Devemos exercer nossa prática religiosa com o mesmo
espírito dos esportistas, e seguindo o belo exemplo
da formiga carregadeira: Só assim caminharemos para
a perfeição, e só assim começaremos
a vencer, pois àqueles que perseveram, Deus lhes
promete vitória (veja
Filipenses 3, 13-14).

Texto
escrito por
Marcos de Lacerda Pessoa
em 8 de janeiro de 2004
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A
Gaiola de Ouro
Todas
as manhãs o rei acordava e tomava café da
manhã em sua varanda. A partir de certa ocasião,
o rei passou a perceber a presença de um belo e colorido
pássaro que parecia esperá-lo, todas as manhãs,
para começar o seu canto magistral.

Numa
das manhãs, o rei decidiu perguntar ao pássaro
se ele desejava possuir uma gaiola. O rei lhe disse que
seria uma gaiola enorme e feita de ouro; e que ele ordenaria
para que todos os dias ela fosse totalmente limpa, tivesse
a água e os alimentos trocados e que, se houvesse
sol excessivo, que ela fosse coberta.
O rei ainda ressaltou ao pássaro que, com a gaiola,
ele nunca mais teria que buscar seus alimentos ou defender-se
das aves maiores, pois ali estaria totalmente protegido
e seguro. Além disso, muitas pessoas passariam diariamente
pela gaiola e poderiam apreciar o colorido de suas penas
e a beleza do seu canto. O pássaro ficava claramente
entusiasmado à medida que o rei descrevia como a
vida seria melhor com a gaiola que estava sendo imaginada.
Num determinado instante, porém, o rei percebeu que
o pássaro virou sua cabeça em direção
a uma outra ave, que se encontrava no galho de uma árvore
próxima e parecia ter acompanhado toda a conversa,
quando o pássaro disse:
_ “Mamãe, o que a senhora acha? Aceito a proposta
do rei?”.
A outra ave sorriu e balançou a cabeça, como
que concordando com o que ouvira. Imediatamente, o pássaro
aceitou a proposta do rei e, em dois dias, uma grande gaiola
já estava construída, onde o pássaro
passou a habitar. Tudo estava maravilhoso, exatamente como
o rei havia descrito!
Passados alguns meses, entretanto, o pássaro passou
a ficar ansioso. Na verdade não queria mais ficar
ali, limitado àquelas grades. Tinha comida e água
a vontade, bem como o carinho dos funcionários, dos
visitantes e, em especial, do simpático e afetuoso
rei. Porém, decididamente não se encontrava
satisfeito e estava aos poucos perdendo a disposição
e a alegria de viver, que antes possuía. Em pouco
tempo deixou de cantar e já não se alimentava
direito. Passou então a pensar em sair dali de alguma
maneira. Ele poderia falar com o rei, mas ficou receoso
de que ele se entristecesse e não o permitisse sair.
Imaginou contar para sua mãe, que habitualmente pousava
em uma árvore próxima, mas ficou com medo
da reação dela, que parecia sentir-se orgulhosa
pelas benesses que seu filho recebia na gaiola. Naquela
noite, o pássaro ficou muito triste e deprimido.
Lágrimas caíam de seus olhinhos e ele caminhava
de um lado para o outro da gaiola, mostrando-se inconsolável.
Quando o dia amanheceu, ele estava muito cansado, verdadeiramente
esgotado pela terrível noite por que passara. Encostou-se
então no canto da gaiola, quando percebeu que algo
se moveu atrás dele. Olhou então para trás
e notou que a porta da gaiola estava aberta. Observando-a
melhor, logo se deu conta de que nunca houve trava alguma
que a impedisse de ser aberta. A sua liberdade, portanto,
sempre esteve ali, dependendo somente... Dele mesmo!

O
“mundo” está sempre nos seduzindo com
“gaiolas de ouro”
e querendo nos convencer de que a nossa felicidade depende
delas.
Muitas
vezes acabamos aceitando essas “provocações”,
para depois percebermos que realizou-se justamente o oposto:
Tornamo-nos
cada vez mais aprisionados e comprometidos
com aquilo que o “mundo” achou que era melhor
para nós
e que acabamos priorizando, ao invés de focarmos
na suficiência das graças e dons e provindos
do Criador.
Peçamos
que, a exemplo do filho pródigo,
possamos ter a humidade do arrependimento,
para retornarmos ao Pai, pela Sua misericórdia,
e por intermédio das mãos santas de Seu filho,
Jesus,
o qual assim nos disse:
“Eu
não vim para condenar o mundo,
mas para salvá-lo”
(João 12, 47).
Texto escrito por
Marcos de Lacerda Pessoa
em dezembro de 2005.
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A
Inocência
Lisete Maria, uma linda menininha, vai e volta diariamente
de sua escola, caminhando.
Em
uma determinada manhã, apesar de nuvens negras estarem
rapidamente se formando no céu, Lisete Maria inicia
seu caminho diário para a escola, como de costume.
Mas,
muito rapidamente o vento aumentou, e de forma assustadora,
vindo junto com ele fortes raios e trovões.

Ao
perceber isso, sua mãe imaginou que a menininha poderia
ter muito medo de caminhar sob aquele mau tempo, e preocupada
com isso, tratou de pegar rapidamente seu carro, para apanhar
Lisete Maria em seu caminho à escola.
Logo
ela avistou sua filhinha andando, com uma toalha em volta
de sua cabeça; mas percebeu que, a cada relâmpago,
a criança parava, olhava calmamente para cima e...
SORRIA!
Mais
e mais trovões vieram, e ela de novo parava, olhava
para cima, e em seguida... sorria!

Finalmente,
a menininha entrou no carro e a mãe, curiosa, logo
perguntou:
-
“O que você estava fazendo, minha filha?”
Ao
que a garotinha calmamente respondeu:
-
“Sorrindo, mamãe, pois hoje Deus não
pára de tirar fotos minhas!”
Roguemos
ao Pai para que Ele permita com
que toda inocência floresça em nossos corações
para podermos perceber a bela e real felicidade
que é encontrada nos momentos
de maior simplicidade.
“BEM-AVENTURADOS
OS HUMILDES DE ESPÍRITO,
PORQUE DELES É O REINO DOS CÉUS”
- Jesus Cristo (Mt 5, 3).
“BEM-AVENTURADOS
OS LIMPOS DE CORAÇÃO,
PORQUE VERÃO A DEUS”
- Jesus Cristo (Mt 5, 8).
Texto
adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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A
Jóia deVerdade
Esperando
na fila do caixa, a alegre menininha de cachinhos dourados
e quase cinco anos de idade viu algo que lhe chamou a atenção:
um reluzente colarzinho de pérolas em uma caixa cor
de rosa metálico.
-
Compra pra mim, mamãe? Por favor, mamãe, por
favor!
Rapidamente
a mãe virou a caixa para ver o preço, e olhando
para os olhinhos azuis que a fitavam como que rogando pelo
presente, declarou:
-
Custa um dólar e noventa e cinco centavos. Quase
dois dólares...
-
Se você realmente quer esse colar, vou arranjar uns
servicinhos a mais que você possa fazer e logo logo
terá essa quantia. O seu aniversário é
daqui a uma semana, e quem sabe se a vovó não
vai lhe dar uma nota novinha de um dólar?

Assim
que chegou em casa, Jane esvaziou o cofrinho e contou 17
cents. Depois do jantar foi muito prestativa, fazendo mais
do que suas obrigações. Foi à casa
da vizinha, dona Mariana, e perguntou se poderia arrancar
as ervas-daninhas da grama por dez cents. No dia do seu
aniversário, a avó lhe deu uma outra nota
de um dólar, e ela finalmente tinha o dinheiro para
comprar o colar. Jane adorava as suas pérolas, e
quando as usava sentia-se uma mocinha. Não as tirava
do pescoço. Ia com elas para todos os cantos: à
igreja, à escola, até dormia com o colar!
Só o tirava quando ia nadar ou tomar um banho de
espuma, porque a mãe lhe dizia que se molhassem,
talvez manchassem o seu pescoço de verde.
O
pai de Jane era bem amoroso e todas as noites, antes de
ela ir dormir, ele parava o que estava fazendo e subia até
o quarto para ler-lhe uma história. Uma noite, depois
que ele terminou, perguntou a Jane:
-
Você me ama?
-
Claro que amo, papai. Você sabe que eu amo o senhor.
-
Então me dá as suas pérolas?
-
Mas papai... minhas pérolas não. O senhor
pode ficar com a Princesa, o cavalinho branco da minha coleção.
Aquele que tem o rabo cor de rosa. Lembra, papai? Foi o
senhor quem me deu. É o que mais gosto.
-
Tudo bem, querida. O papai te ama. Boa noite! E com um beijo
em seu rostinho, despediu-se.
Mais
ou menos uma semana mais tarde, depois da historinha, o
pai voltou a lhe perguntar:
-
Jane, você me ama?
-
Papai, o senhor sabe que te amo.
-
Então me dá as suas pérolas?
-
Ah, papai, o meu colar não. Mas eu te dou a minha
bonequinha. Aquela novinha que ganhei de aniversário.
Ela é linda e te dou também o cobertorzinho
amarelo que combina com o chinelinho dela.
-
Tudo bem. Durma bem! Deus te abençoe, minha querida.
O papai te ama!
E,
como sempre, deu-lhe um beijinho no rosto. Algumas noites
depois, quando o pai entrou no quarto, Jane estava sentada
na cama com as pernas cruzadas, como um índio...
Ao se aproximar reparou seu queixo tremendo e uma lágrima
rolando pela face.
-
O que foi, Jane? O que aconteceu?
Jane
não disse nada, só estendeu a mãozinha
para o pai, e quando a abriu ali estava o tão amado
colar. Um pouco trêmula, ela conseguiu dizer:
-
É para o senhor, papai!
Contendo
as lágrimas, o gentil pai, com uma mão pegou
o colar barato, enquanto com a outra tirava do bolso uma
caixinha de veludo azul onde se encontrava um colar de pérolas
verdadeiras, que guardara todo esse tempo para dar à
filha. Só estava esperando até ela estar disposta
a abrir mão do colar barato para poder lhe dar uma
jóia de verdade.
Bem
semelhante à maneira como
o nosso Pai celestial age conosco.
Existe algo do qual você
não quer se desapegar?
Não
juntem riquezas neste mundo,
onde as traças e a ferrugem destroem,
onde os ladrões arrombam e roubam.
Ao
contrário, juntem riquezas no céu
onde as traças e a ferrugem não podem destruí-las
e os ladrões não podem arrombar e roubá-las.
Pois onde estiverem as suas riquezas,
aí estará o coração de vocês.
- Jesus de Nazaré
(Mt 6:19-21).
Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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A
Linha Mágica
Era uma
vez uma viúva que tinha um filho chamado Pedro. O
menino era forte e são, mas não gostava de
ir à escola e passava o tempo todo sonhando acordado.

-
Pedro, com o que você está sonhando a uma hora
destas? - perguntava-lhe a professora.
-
Estava pensando no que serei quando crescer - respondia
ele.
-
Seja paciente. Há muito tempo para pensar nisso.
Depois de crescido, nem tudo é divertimento, sabe?
- dizia ela.
Mas
Pedro tinha dificuldades para apreciar qualquer coisa que
estivesse fazendo no momento, e ansiava sempre pela próxima.
No inverno, ansiava pelo retorno do verão; e no verão,
sonhava com passeios de esqui e trenó, e com as fogueiras
acesas durante o inverno. Na escola, ansiava pelo fim do
dia, quando poderia voltar para casa; e nas noites de domingo,
suspirava dizendo: "Se as férias chegassem logo!"
O que mais o entretinha era brincar com a amiga Lise. Era
companheira tão boa quanto qualquer menino, e a ansiedade
de Pedro não a afetava, ela não se ofendia.
"Quando crescer, vou casar-me com ela", dizia
Pedro consigo mesmo.
Costumava
perder-se em caminhadas pela floresta, sonhando com o futuro.
Às vezes, deitava-se ao sol sobre o chão macio,
com as mãos postas sob a cabeça, e ficava
olhando o céu através das copas altas das
árvores. Uma tarde quente, quando estava quase caindo
no sono, ouviu alguém chamando por ele. Abriu os
olhos e sentou-se. Viu uma mulher idosa em pé à
sua frente. Ela trazia na mão uma bola prateada,
da qual pendia uma linha de seda dourada.
-
Olhe o que tenho aqui, Pedro - disse ela, oferecendo-lhe
o objeto.
-
O que é isso? - perguntou, curioso, tocando a fina
linha dourada.
-
É a linha da sua vida - retrucou a mulher. - Não
toque nela e o tempo passará normalmente. Mas se
desejar que o tempo ande mais rápido, basta dar um
leve puxão na linha e uma hora passará como
se fosse um segundo. Mas devo avisá-lo: uma vez que
a linha tenha sido puxada, não poderá ser
colocada de volta dentro da bola. Ela desaparecerá
como uma nuvem de fumaça. A bola é sua. Mas
se aceitar meu presente, não conte para ninguém;
senão, morrerá no mesmo dia. Agora diga, quer
ficar com ela?
Pedro
tomou-lhe das mãos o presente, satisfeito. Era exatamente
o que queria. Examinou-a. Era leve e sólida, feita
de uma peça só. Havia apenas um furo de onde
saía a linha brilhante. O menino colocou-a no bolso
e foi correndo para casa. Lá chegando, depois de
certificar-se da ausência da mãe, examinou-a
outra vez. A linha parecia sair lentamente de dentro da
bola, tão devagar que era difícil perceber
o movimento a olho nu. Sentiu vontade de dar-lhe um rápido
puxão, mas não teve coragem. Ainda não.
No
dia seguinte na escola, Pedro imaginava o que fazer com
sua linha mágica. A professora o repreendeu por não
se concentrar nos deveres. "Se ao menos", pensou
ele, "fosse a hora de ir para casa!" Tateou a
bola prateada no bolso. Se desse apenas um pequeno puxão,
logo o dia chegaria ao fim. Cuidadosamente, pegou a linha
e puxou. De repente, a professora mandou que todos arrumassem
suas coisas e fossem embora, organizadamente. Pedro ficou
maravilhado. Correu sem parar até chegar em casa.
Como a vida seria fácil agora! Todos seus problemas
haviam terminado. Dali em diante, passou a puxar a linha,
só um pouco, todos os dias.
Entretanto,
logo apercebeu-se que era tolice puxar a linha apenas um
pouco todos os dias. Se desse um puxão mais forte,
o período escolar estaria concluído de uma
vez. Ora, poderia aprender uma profissão e casar-se
com Lise. Naquela noite, então, deu um forte puxão
na linha, e acordou na manhã seguinte como aprendiz
de um carpinteiro da cidade. Pedro adorou sua nova vida,
subindo em telhados e andaimes, erguendo e colocando a marteladas
enormes vigas que ainda exalavam o perfume da floresta.
Mas às vezes, quando o dia do pagamento demorava
a chegar, dava um pequeno puxão na linha e logo a
semana terminava, já era a noite de sexta-feira e
ele tinha dinheiro no bolso.
Lise
também se mudara para a cidade e morava com a tia,
que lhe ensinava os afazeres do lar. Pedro começou
a ficar impaciente acerca do dia em que se casariam. Era
difícil viver tão perto e tão longe
dela, ao mesmo tempo. Perguntou-lhe, então, quando
poderiam se casar.
-
No próximo ano - disse ela. - Eu já terei
aprendido a ser uma boa esposa.
Pedro
tocou com os dedos a bola prateada no bolso.
-
Ora, o tempo vai passar bem rápido - disse, com muita
certeza.
Naquela
noite, não conseguiu dormir. Passou o tempo todo
agitado, virando de um lado para outro na cama. Tirou a
bola mágica que estava debaixo do travesseiro. Hesitou
um instante; logo a impaciência o dominou, e ele puxou
a linha dourada. Pela manhã, descobriu que o ano
já havia passado e que Lise concordara afinal com
o casamento. Pedro sentiu-se realmente feliz.
Mas
antes que o casamento pudesse realizar-se, recebeu uma carta
com aspecto de documento oficial. Abriu-a, trêmulo,
e leu a noticia de que deveria apresentar-se ao quartel
do exército na semana seguinte para servir por dois
anos. Mostrou-a, desesperado, para Lise.
-
Ora - disse ela -, não há o que temer, basta-nos
esperar. Mas o tempo passará rápido, você
vai ver. Há tanto o que preparar para nossa vida
a dois!
Pedro
sorriu com galhardia, mas sabia que dois anos durariam uma
eternidade para passar.
Quando
já se acostumara à vida no quartel, entretanto,
começou a achar que não era tão ruim
assim. Gostava de estar com os outros rapazes, e as tarefas
não eram tão árduas a princípio.
Lembrou-se da mulher aconselhando-o a usar a linha mágica
com sabedoria e evitou usá-la por algum tempo. Mas
logo tornou a sentir-se irrequieto. A vida no exército
o entediava com tarefas de rotina e rígida disciplina.
Começou a puxar a linha para acelerar o andamento
da semana a fim de que chegasse logo o domingo, ou o dia
da sua folga. E assim se passaram os dois anos, como se
fosse um sonho.
Terminado
o serviço militar, Pedro decidiu não mais
puxar a linha, exceto por uma necessidade absoluta. Afinal,
era a melhor época da sua vida, conforme todos lhe
diziam. Não queria que acabasse tão rápido
assim. Mas ele deu um ou dois pequenos puxões na
linha, só para antecipar um pouco o dia do casamento.
Tinha muita vontade de contar para Lise seu segredo; mas
sabia que se contasse, morreria.
No
dia do casamento, todos estavam felizes, inclusive Pedro.
Ele mal podia esperar para mostrar-lhe a casa que construíra
para ela. Durante a festa, lançou um rápido
olhar para a mãe. Percebeu, pela primeira vez, que
o cabelo dela estava ficando grisalho. Envelhecera rapidamente.
Pedro sentiu uma pontada de culpa por ter puxado a linha
com tanta freqüência. Dali em diante, seria muito
mais parcimonioso com seu uso, e sé a puxaria se
fosse estritamente necessário.
Alguns
meses mais tarde, Lise anunciou que estava esperando um
filho. Pedro ficou entusiasmadíssimo, e mal podia
esperar. Quando o bebê nasceu, ele achou que não
iria querer mais nada na vida. Mas sempre que o bebê
adoecia ou passava uma noite em claro chorando, ele puxava
a linha um pouquinho para que o bebê tornasse a ficar
saudável e alegre.
Os
tempos andavam difíceis. Os negócios iam mal
e chegara ao poder um governo que mantinha o povo sob forte
arrocho e pesados impostos, e não tolerava oposição.
Quem quer que fosse tido como agitador era preso sem julgamento,
e um simples boato bastava para se condenar um homem. Pedro
sempre fora conhecido por dizer o que pensava, e logo foi
preso e jogado numa cadeia. Por sorte, trazia a bola mágica
consigo e deu um forte puxão na linha. As paredes
da prisão se dissolveram diante dos seus olhos e
os inimigos foram arremessados à distância
numa enorme explosão. Era a guerra que se insinuava,
mas que logo acabou, como uma tempestade de verão,
deixando o rastro de uma paz exaurida. Pedro viu-se de volta
ao lar com a família. Mas era agora um homem de meia-idade.
Durante
algum tempo, a vida correu sem percalços, e Pedro
sentia-se relativamente satisfeito. Um dia, olhou para a
bola mágica e surpreendeu-se ao ver que a linha passara
da cor dourada para a prateada. Foi olhar-se no espelho.
Seu cabelo começava a ficar grisalho e seu rosto
apresentava rugas onde nem se podia imaginá-las.
Sentiu um medo súbito e decidiu usar a linha com
mais cuidado ainda do que antes. Lise dera-lhe outros filhos
e ele parecia feliz como chefe da família que crescia.
Seu modo imponente de ser fazia as pessoas pensarem que
ele era algum tipo de déspota benevolente. Possuía
um ar de autoridade como se tivesse nas mãos o destino
de todos. Mantinha a bola mágica bem escondida, resguardada
dos olhos curiosos dos filhos, sabendo que se alguém
a descobrisse, seria fatal.
Cada
vez tinha mais filhos, de modo que a casa foi ficando muito
cheia de gente. Precisava ampliá-la, mas não
contava com o dinheiro necessário para a obra. Tinha
outras preocupações, também. A mãe
estava ficando idosa e parecia mais cansada com o passar
dos dias. Não adiantava puxar a linha da bola mágica,
pois isto sé aceleraria a chegada da morte para ela.
De repente, ela faleceu, e Pedro, parado diante do túmulo,
pensou como a vida passara tão rápido, mesmo
sem fazer uso da linha mágica.
Uma
noite, deitado na cama, sem conseguir dormir, pensando nas
suas preocupações, achou que a vida seria
bem melhor se todos os filhos já estivessem crescidos
e com carreiras encaminhadas. Deu um fortíssimo puxão
na linha, e acordou no dia seguinte vendo que os filhos
já não estavam mais em casa, pois tinham arranjado
empregos em diferentes cantos do país, e que ele
e a mulher estavam sós. Seu cabelo estava quase todo
branco e doíam-lhe as costas e as pernas quando subia
uma escada ou os braços quando levantava uma viga
mais pesada. Lise também envelhecera, e estava quase
sempre doente. Ele não agüentava vê-la
sofrer, de tal forma que lançava mão da linha
mágica cada vez mais freqüentemente. Mas bastava
ser resolvido um problema, e já outro surgia em seu
lugar. Pensou que talvez a vida melhorasse se ele se aposentasse.
Assim, não teria que continuar subindo nos edifícios
em obras, sujeito a lufadas de vento, e poderia cuidar de
Lise sempre que ela adoecesse. O problema era a falta de
dinheiro suficiente para sobreviver. Pegou a bola mágica,
então, e ficou olhando. Para seu espanto viu que
a linha não era mais prateada, mas cinza, e perdera
o brilho. Decidiu ir para a floresta dar um passeio e pensar
melhor em tudo aquilo.
Já
fazia muito tempo que não ia àquela parte
da floresta. Os pequenos arbustos haviam crescido, transformando-se
em árvores frondosas, e foi difícil encontrar
o caminho que costumava percorrer. Acabou chegando a um
banco no meio de uma clareira. Sentou-se para descansar
e caiu em sono leve. Foi despertado por uma voz que o chamava
pelo nome: "Pedro! Pedro!"
Abriu
os olhos e viu a mulher que encontrara havia tantos anos
e que lhe dera a bola prateada com a linha dourada mágica.
Aparentava a mesma idade que tinha no dia em questão,
exatamente igual. Ela sorriu para ele.
-
E então, Pedro, sua vida foi boa? - perguntou.
-
Não estou bem certo - disse ele. - Sua bola mágica
é maravilhosa. Jamais tive que suportar qualquer
sofrimento ou esperar por qualquer coisa em minha vida.
Mas tudo foi tão rápido. Sinto como se não
tivesse tido tempo de apreender tudo que se passou comigo;
nem as coisas boas, nem as ruins. E agora falta tão
pouco tempo! Não ouso mais puxar a linha, pois isto
só anteciparia minha morte. Acho que seu presente
não me trouxe sorte.
-
Mas que falta de gratidão! - disse a mulher. - Como
você gostaria que as coisas fossem diferentes?
-
Talvez se você tivesse me dado uma outra bola, que
eu pudesse puxar a linha para fora e para dentro também.
Talvez, então, eu pudesse reviver as coisas ruins.
A
mulher riu-se. - Está pedindo muito! Você acha
que Deus nos permite viver nossas vidas mais de uma vez?
Mas posso conceder-lhe um último desejo, seu tolo
exigente.
-
Qual? - perguntou ele.
-
Escolha - disse ela. Pedro pensou bastante. Depois de um
bom tempo, disse: - Eu gostaria de tornar a viver minha
vida, como se fosse a primeira vez, mas sem sua bola mágica.
Assim poderei experimentar as coisas ruins da mesma forma
que as boas sem encurtar sua duração, e pelo
menos minha vida não passará tão rápido
e não perderá o sentido como um devaneio.
-
Assim seja - disse a mulher. - Devolva-me a bola. Ela esticou
a mão e Pedro entregou-lhe a bola prateada. Em seguida,
ele se recostou e fechou os olhos, exausto.
Quando
acordou, estava na cama. Sua jovem mãe se debruçava
sobre ele, tentando acordá-lo carinhosamente.
-
Acorde, Pedro. Não vá chegar atrasado na escola.
Você estava dormindo como uma pedra!
Ele
olhou para ela, surpreso e aliviado.
Tive
um sonho horrível, mãe. Sonhei que estava
velho e doente e que minha vida passara como num piscar
de olhos sem que eu sequer tivesse algo para contar. Nem
ao menos algumas lembranças.
A
mãe riu-se e fez que não com a cabeça.
Isso
nunca vai acontecer disse ela. As lembranças são
algo que todos temos, mesmo quando velhos. Agora, ande logo,
vá se vestir. A Lise está esperando por você,
não deixe que se atrase por sua causa.
A
caminho da escola em companhia da amiga, ele observou que
estavam em pleno verão e que fazia uma linda manhã,
uma daquelas em que era ótimo estar vivendo. Em poucos
minutos, estariam encontrando os amigos e colegas, e mesmo
a perspectiva de enfrentar algumas aulas não parecia
tão ruim assim. Na verdade, ele mal podia esperar.
Texto
adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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A
Mala de Viagem
Conta-se
uma fábula sobre um homem que caminhava vacilante
pela estrada, levando uma pedra numa mão e um tijolo
na outra. Nas costas carregava um saco de terra; em volta
do peito trazia vinhas penduradas. Sobre a cabeça
equilibrava uma abóbora pesada.
Pelo caminho encontrou um transeunte que lhe perguntou:
“Cansado viajante, por que carrega essa pedra tão
grande?”
“É estranho”, respondeu o viajante, “mas
eu nunca tinha realmente notado que a carregava.”
Então, ele jogou a pedra fora e se sentiu muito melhor.
Em seguida veio outro transeunte que lhe perguntou: “Diga-me,
cansado viajante, por que carrega essa abóbora tão
pesada?”
“Estou contente que me tenha feito essa pergunta”,
disse o viajante, “porque eu não tinha percebido
o que estava fazendo comigo mesmo”. Então ele
jogou a abóbora fora e continuou seu caminho com
passos muito mais leves.
Um
por um, os transeuntes foram avisando-o a respeito de suas
cargas desnecessárias. E ele foi abandonando uma
a uma. Por fim, tornou-se um homem livre e caminhou como
tal.
Qual
era na verdade o problema dele? A pedra e a abóbora?
Não!
ERA
A FALTA DE CONSCIÊNCIA DA EXISTÊNCIA DELAS.
Uma vez que as viu como cargas desnecessárias, livrou-se
delas bem depressa e já não se sentia mais
tão cansado. Esse é o problema de muitas pessoas:
ELAS ESTÃO CARREGANDO CARGAS SEM PERCEBER. Não
é de se estranhar que estejam tão cansadas!
O
que são algumas dessas cargas que pesam na mente
de um homem e que roubam as suas energias?
-
Pensamentos negativos.
- Culpar e acusar outras pessoas.
- Permitir que impressões tenebrosas descansem na
mente.
- Carregar uma falsa carga de culpa por coisas que não
poderiam ter evitado.
- Auto-piedade.
- Acreditar que não existe saída.

Todo
mundo tem o seu tipo de carga especial, que rouba energia.
Quanto mais cedo começarmos a descarregá-la,
mais cedo nos sentiremos melhor e caminharemos mais levemente.
Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história extraída do livro
"Psycho-Pictography", de Vernon Howard.
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A
Mesa do Velho Avô
Um
frágil e velho homem foi viver com seu filho, nora
e neto de quatro anos. As mãos do velho homem tremiam,
sua vista era embaralhada e seu passo hesitante. A família
comeu junto à mesa, mas, as mãos trêmulas
do avô ancião e sua visão falhando tornou
difícil o ato de comer. Ervilhas rolavam da colher
dele para o chão. Quando ele pegava o seu copo, o
leite derramava na toalha. A bagunça irritou fortemente
seu filho e nora.
-
Nós temos que fazer algo a respeito do vovô,
disse o filho. Já tivemos bastante leite derramado,
muita comida no chão e sempre o ouvimos comer ruidosamente.
Assim,
o marido e a esposa prepararam uma pequena mesa num canto
da sala. Lá, o ancião comia sozinho, enquanto
o resto da família desfrutava o jantar. Desde que
o avô tinha quebrado uns pratos, a comida dele ficou
sendo servida numa tigela de madeira. Quando a família
olhava de relance na direção do vovô,
às vezes percebia lágrimas em seus olhos por
estar só. Ainda assim, as únicas palavras
que o casal tinha para ele eram advertências quando
ele derrubava um garfo ou derramava comida. O neto assistia
tudo em silêncio.

Uma
noite, antes da ceia, o pai notou que seu filho estava brincando
no chão com sucatas de madeira. Ele perguntou docemente
para a criança:
-
O que você está fazendo?
Da
mesma forma dócil o menino respondeu:
-
Estou fazendo uma pequena tigela para você e mamãe
comerem sua comida quando eu crescer, e continuou a trabalhar.
As
palavras do menino golpearam os pais, que ficaram mudos.
Então, lágrimas começaram a fluir em
suas faces. Entretanto, nenhuma palavra foi dita e ambos
souberam o que deveria ser feito.
Naquela
noite, o marido pegou a mão do vovô e, com
suavidade, conduziu-o à mesa familiar. Pelo resto
dos seus dias de vida, o vovô comeu sempre com a família.
E por alguma razão, nem o marido nem a esposa pareciam
se preocupar mais quando um garfo era derrubado, ou leite
derramado, ou que a toalha da mesa tinha ficado suja.
As
crianças são notavelmente perceptivas. Os
olhos delas sempre observam, suas orelhas sempre escutam,
e suas mentes sempre processam mensagens que elas absorvem.
Se elas nos vêem pacientemente providenciar uma atmosfera
feliz em nossa casa, para nossos familiares, elas imitarão
aquela atitude pelo resto de suas vidas. E os pais sábios
percebem isso diariamente, que o alicerce está sendo
construído para o futuro da criança.
Texto
adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
publicada no Diário de Guarapuava,
em 5 de julho de 2000, p. 4.
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A
Ponte
Certa
vez, dois irmãos que moravam em fazendas vizinhas,
separadas apenas por um rio, entraram em conflito. Foi a
primeira grande desavença em toda uma vida trabalhando
lado a lado, repartindo as ferramentas e cuidando um do
outro.
Durante anos, ao final de cada dia, percorriam uma estreita,
porém comprida estrada, que corria ao longo do rio
para poderem atravessá-lo e desfrutarem um da companhia
do outro.
Apesar do cansaço, faziam-no com prazer, pois se
amavam. Mas agora tudo havia mudado. O que começara
com um pequeno mal entendido finalmente explodiu numa troca
de palavras ríspidas, seguidas por semanas de total
silêncio.
Numa manhã, o irmão mais velho ouviu bater
à sua porta. Ao abri-la, notou um homem com uma caixa
de ferramentas de carpinteiro em sua mão.
- Estou procurando por trabalho, talvez você tenha
um pequeno serviço aqui e ali.
- Sim! Claro que tenho trabalho para você. Veja aquela
fazenda além do riacho. É de meu vizinho,
na realidade meu irmão mais novo. Brigamos muito
e não mais posso suportá-lo. Vê aquela
pilha de madeira perto do celeiro? Quero que você
me construa uma cerca bem alta ao longo do rio para que
eu não mais precise vê-lo.
- Acho que entendo a situação. Certamente
farei um trabalho que lhe deixará satisfeito.
Como precisava ir a cidade, o irmão mais velho ajudou
o carpinteiro a encontrar o material e partiu.
O homem trabalhou arduamente durante todo aquele dia medindo,
cortando e pregando. Já anoitecia quando terminou
sua obra, ao mesmo tempo que o fazendeiro retornava. Porém,
seus olhos não podiam acreditar no que viam. Não
havia qualquer cerca. Em seu lugar estava uma ponte, feita
de tábuas de madeira e troncos de árvore,
ligando um lado do riacho ao outro.

Era realmente um belo trabalho, mas, enfurecido, exclamou:
- Você é muito insolente em construir esta
ponte após tudo que lhe contei.
No entanto, as surpresas não haviam terminado. Ao
erguer seus olhos para a ponte mais uma vez, viu seu irmão
aproximando-se da outra margem, correndo com seus braços
abertos. Cada um dos irmãos permaneceu imóvel
de seu lado do rio, quando, num só impulso, correram
um na direção do outro, abraçando-se
e chorando no meio da ponte. Emocionados, viram o carpinteiro
arrumando suas ferramentas e partindo.
- Espere, disse o mais velho, fique conosco mais alguns
dias. Tenho muitos outros projetos para você. E o
carpinteiro respondeu:
- Adoraria ficar. Mas tenho muitas outras pontes para construir.
Quantas vezes um carpinteiro desses se torna bem-vindo e
necessário em nossas vidas!!!
Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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A
Salvação a Nosso Alcance
“Eu vim para que tenham vida
e a tenham em abundância”
(Jo 10,10).
Durante
uma caminhada ao parque deparei-me com um pequeno passarinho,
que estava bem machucado.
Notei
que uma de suas asas encontrava-se visivelmente danificada,
impedindo-o de alçar vôos maiores. Isso fazia
com que aquele frágil animalzinho não conseguisse
se alimentar, pois os pássaros sadios eram muito
mais ágeis e qualquer competição por
comida tornava-se sempre desfavorável ao pequeno
e debilitado passarinho.
Evitei,
então, o triste fim que aquele bichinho desamparado
teria, decidindo por trazê-lo às minhas mãos,
com as quais formei cuidadosamente uma espécie de
“concha” para acolher aquela pobre ave, que
já se achava bem debilitada.
Logo
percebi que se eu apertasse demais uma mão contra
a outra, aquele bichinho seria esmagado e morreria. Por
outro lado, se eu abrisse muito espaço ele cairia
e também pereceria. O ambiente ideal para uma adequada
recuperação era, portanto, uma concha feita
com as mãos nem muito apertadas e nem muito frouxas.
Notei
também que por mais cuidado que eu pudesse ter na
formação da “concha”, sobravam
diversos vãos por entre os dedos, através
dos quais o animalzinho poderia facilmente escapar, se assim
o desejasse. E fiquei pensando sobre que atitude eu deveria
tomar se ele insistisse na sua passagem por algum daqueles
vãos.
Dias
depois, aquela avezinha estava plenamente recuperada. Eu
a ajudei para que desse início a seu vôo magistral,
que de fato foi magnífico! O curioso, entretanto,
é que poucos minutos depois ela estava de volta,
tendo pousado no batente de minha janela.

Durante
mais de um mês aquela cena se repetiu, por várias
vezes. Eu acordava com seu canto sublime, e depois eram
vôos espetaculares, sempre complementados com seus
longos intervalos de descanso à beira de minha janela.
Passei
então a entender que aquilo era muito mais do que
a sua busca por mais proteção. Também
era algo superior a um puro agradecimento por eu lhe ter
salvado a vida.
E,
meditando mais sobre tudo aquilo, cheguei finalmente à
conclusão de que algo bastante semelhante ocorre
com respeito ao relacionamento, de cada um de nós,
com Deus. Como nosso Pai benfeitor, Suas mãos santas
nos acolhem com suavidade, como uma concha que não
é totalmente solta e nem muito apertada, provendo-nos
desta forma com uma proteção que nos é
oferecida na medida exata, e com o espaço suficiente
para que possamos nos curar e crescer.
E
neste cenário, o que nos consola total e plenamente
é termos a certeza de que, se nos arrependermos de
nosso voluntário afastamento de Deus, Suas Mãos
Santas estarão sempre disponíveis para nos
acolher com infinita ternura e bondade, oferecendo-nos a
proteção na medida exata das nossas necessidades
e nos proporcionando o espaço no tamanho certo, para
que Nele possamos crescer, e através Dele, nos salvar.

Através
daquele passarinho pude compreender a enorme bondade de
nosso Pai Celeste, que por nos amar infinitamente respeita
todas as nossas decisões, mas ao mesmo tempo, se
decidirmos retornar às Suas Mãos, Ele está
sempre pronto a aceitar nosso arrependimento e totalmente
presente para nos acolher e abrigar.
“Quem permanecer em mim e eu nele,
esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer”
(Jo 15,5).
Texto
escrito por
Marcos de Lacerda Pessoa
e publicado no jornal
“O Capuchinho”,
Ano VI – Jan/Fev de 2005,
Paróquia de N. Sra. das Mercês,
Curitiba – PR.
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A
Serpente
Certa vez um caçador passava por uma mina quando
viu uma serpente presa sob uma pedra enorme. Ao vê-lo
a serpente pediu:
-
Por favor, ajude-me. Levante a pedra.
-
Não posso ajudar você, pois vai me devorar
com certeza, respondeu o caçador.
O
réptil tornou a pedir ajuda, prometendo ao homem
que não o comeria. Ele então libertou a serpente,
que logo fez um movimento em sua direção como
se fosse atacá-lo, enrolando-se no braço do
homem.

-
Você não prometeu que não me comeria
se a ajudasse? perguntou o homem.
-
Fome é fome, respondeu-lhe a serpente.
-
Mas, disse o caçador, se você faz alguma coisa
errada que tem a fome a ver com isso?
O
homem então sugeriu que submetessem o assunto à
opinião de outros. Entraram no bosque, onde encontraram
um cachorro. Perguntaram-lhe se achava que a serpente devia
comer o homem.
-
Uma vez pertenci a um homem, disse o cão. Ele caçava
lebres e sempre me dava a melhor carne para comer. Agora
que estou velho, e nem posso apanhar uma tartaruga, ele
quer me matar. Assim como recebi mal em troca de bem, a
serpente deveria fazer a mesma coisa. Declaro que ela deveria
comer você.
-
Você ouviu sua sentença? disse a serpente ao
homem.
Decidiram,
porém, que ouviriam três opiniões e
não apenas uma, e seguiram adiante. Pouco depois
encontraram um cavalo e lhe pediram que julgasse o caso.
-
Acho que a serpente deveria comer o homem, disse o cavalo,
e continuou:
-
Certa vez tive um amo. Ele me alimentou enquanto eu podia
viajar. Agora que estou fraco, e não posso executar
minhas tarefas, ele quer me matar.
-
Já temos dois juízos unânimes, disse
a serpente.
Um
pouco mais adiante cruzaram com uma raposa.
-
Cara amiga, disse o caçador, preciso da sua ajuda.
Estava passando por uma pedreira quando vi esta enorme serpente
às portas da morte, presa sobre uma rocha. Pediu-me
que a libertasse; fiz o que pedia, e agora ela quer me comer.
-
Se devo dar minha opinião, respondeu a raposa, voltemos
ao lugar do ocorrido para analisar a situação
de modo mais real.
Voltaram
a pedreira, e a raposa, para reconstituir os fatos, pediu
que a pedra fosse colocada em cima da serpente. Assim foi
feito.
-
Era assim que você estava? - perguntou a raposa.
-
Sim, respondeu a serpente.
-
Muito bem, disse a raposa. Ficará assim pelo resto
da vida.
Não há nada que petrifique e
endureça tanto o coração de alguém
como a ingratidão.
Jesus
foi o maior alvo de ingratidão
em toda a Bíblia e em toda a história da humanidade.
Deus entregou seu Filho para resgatar o escravo;
condenou o inocente para perdoar o culpado;
quebrou o diamante para consertar o barro;
fez o Criador sofrer para que
a vil criatura não padecesse eternamente.
E
como o homem agradeceu a Deus
essa demonstração de amor?
Rejeitando o seu Filho, traindo-o, vendendo-o,
pregando-o numa cruz.

Maior
ingratidão não poderia haver.
Porém a ingratidão não diminuiu o amor
de Jesus.
Lembre
sempre:
JESUS
NUNCA RESPONDEU
À INGRATIDÃO
COM INGRATIDÃO.
Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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A
Ti, Pai
“Os
meus olhos derramam rios de lágrimas,
porque os homens não guardam a tua lei”
(Sl 119,136).
Queria ser um escritor
Para te oferecer um poema
Queria
ser um compositor
Para te oferecer uma música
Queria
ser um pintor
Para te oferecer um quadro
Mas
nunca serei o suficiente
Para oferecer o que mereces
Entro
em meu quarto, derramo uma lágrima
E a ofereço a ti, Pai.

“Mas
tu, quando orares,
entra no teu quarto e,
fechando a porta,
ora a teu Pai que está em secreto”
(Mt 6,6).
Texto
escrito em Março de 2005 por
Marcos de Lacerda Pessoa
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A
Tua própria dor
Por todo bem que não abracei;
Por
todo mal que cometi;
Por
todas as fraquezas que vivi;
Por
todas as culpas que não chorei;
Por
toda demora em ir ao encontro de Ti;
Dá-me,
Senhor,
A
mais verdadeira, a mais profunda, a mais amarga dor,
A
Tua própria dor na Cruz,
Pelos
meus detestáveis pecados.

Que
mais posso oferecer-Te, Senhor, que sirva de reparação?
Ó
Senhor,
Tu
és a minha esperança, Tu és o meu tesouro
divino,
Que
tudo reforma, que tudo vivifica e tudo melhora;
Em
Tuas Mãos Santas coloco a minha total confiança,
O
meu futuro,
E
a minha salvação.

Sacratíssimo
Coração de Jesus:
Tende piedade de nós!
Texto
escrito por
Marcos de Lacerda Pessoa
em maio de 2005
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A
Visita de Jesus
Esta
estória passa-se em uma cidade dos Estados Unidos,
durante um dia de inverno com muita neve e frio.
Ruth
foi à sua caixa de correio em frente de casa, verificar
se tinha alguma correspondência e lá havia
somente uma carta. Ela tomou a mesma e olhou para ela antes
de abrir.
Então, ela verificou que não havia nem selo
nem qualquer outro carimbo do correio. Abriu o envelope
e leu a carta:
"Querida
Ruth:
Deverei estar na sua vizinhança no sábado
à tarde e gostaria de visitá-la.
Com amor,
Jesus."
Com
as mãos trêmulas ela colocou a carta em cima
da mesa. "Porque iria Jesus visitar-me? Eu não
sou ninguém especial. Eu não tenho nada para
oferecer." Com esse pensamento, Ruth lembrou de sua
cozinha com armários vazios.
"Oh
meu Deus, eu, realmente, não tenho nada para oferecer.
Eu tenho que correr para o supermercado e comprar alguma
coisa para o jantar."
Ela procurou em sua bolsa e viu que continha somente cinco
dólares e quarenta centavos.
"Bem,
pelo menos eu posso comprar um pouco de pão e alguns
frios."
Ela vestiu seu sobretudo e correu para as compras.
Alguns pães franceses, 250 gramas de peito de peru
fatiado e uma caixinha de leite deixaram Ruth com apenas
12 centavos.
Apesar de tudo, ela se sentiu bem voltando para casa com
aquela pequena e simples oferenda debaixo de seus braços.
No caminho, uma voz: "Ei senhora, você pode nos
ajudar?"
Ruth estava tão absorvida em seus planos para o jantar
que nem notou duas figuras aconchegadas uma à outra
na alameda. Um homem e uma mulher, ambos vestidos em não
mais que uns farrapos.
"Olhe senhora, eu estou desempregado, sabe, e minha
mulher e eu estamos vivendo ao relento, e o tempo está
tornando-se muito frio e estamos sentindo muita fome e se
a senhora pudesse nos ajudar nós ficaríamos
realmente felizes."
Ruth olhou para os dois. Eles estavam sujos e cheiravam
mau e, francamente, ela estava certa que eles poderiam conseguir
algum tipo de trabalho se eles, realmente, quisessem. "Senhor,
eu gostaria de ajudá-los nas eu sou uma pobre mulher.
Tudo o que eu tenho é um pouco de frios fatiados
e um pouco de pão, e eu tenho uma visita muito importante
para o jantar esta noite, e estava planejando servir isto
para Ele."
"Sim. Está certo senhora, eu compreendo. De
qualquer forma muito obrigado."
O homem colocou suas mãos nos ombros da companheira
e seguiram em frente.
Olhando-os partir, Ruth sentiu uma dor familiar em seu coração:
"Espere,
senhor"
O casal parou e virou para ela, que corria para eles.
"Olhe, por que você não fica com este
alimento? Eu arranjo outra coisa para servir meu convidado."
Ela deu ao homem sua sacola de supermercado.
"Obrigado senhora. Muito obrigado."
"Sim, muito obrigado" disse a esposa. Ruth percebeu
que ela estava tiritando de frio.
"Sabe, eu tenho outro sobretudo em casa. Aqui está
este para você."
Desabotoou o casaco e jogou-o sobre os ombros da mulher.
Então, sorrindo, voltou-se e foi embora alameda abaixo,
sem seu casaco e sem os alimentos para servir seu convidado.
"Obrigado senhora, muito obrigado mesmo."
Ruth estava enregelada sem seu casaco e muito preocupada.
O Senhor estava chegando para visitá-la e ela não
tinha nada para lhe oferecer.
Ela remexeu em sua bolsa para achar a chave de casa, quando
percebeu que havia outro envelope em sua caixa de correio.
"Isto é estranho. O carteiro não costuma
vir duas vezes no mesmo dia."
Ela pegou o envelope e o abriu.
"Querida Ruth:
Foi tão bom vê-la novamente. Obrigado pela
adorável comida.
E obrigado, também, pelo maravilhoso casaco.
Com amor, sempre,
Jesus."
O ar estava ainda frio, mas mesmo sem casaco, Ruth não
notou.
Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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Amigo
Um soldado dirigiu-se ao seu superior e lhe solicitou permissão
para ir buscar um amigo que não havia voltado do
campo de batalha.
-
Permissão negada, respondeu o oficial.
Mas
o soldado, sabendo que o amigo estava em apuros, ignorou
a proibição e foi à sua procura.
Algum
tempo depois retornou, mortalmente ferido, transportando
o cadáver do seu amigo nos braços.

O
seu superior estava furioso e o repreendeu:
-
Não disse para você não se arriscar?
Eu sabia que a viagem seria inútil! Agora eu perdi
dois homens ao invés de um... Diga-me: valeu a pena
ir lá para trazer um cadáver?
-
Claro que sim, senhor! Quando eu o encontrei ele ainda estava
vivo e pôde me dizer:
-
"Tinha certeza que você viria!"
Amigo
é aquele que não apenas
enxuga as nossas lágrimas,
mas faz de tudo para não deixá-las cair.
“20 de Julho: Dia do Amigo”
Texto
adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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Amor
em Família
Dois
irmãozinhos brincavam em frente de casa com o cachorrinho
deles, quando Júlio, o menino mais novo, disse ao
irmão Ricardo:
- Meu querido irmão, eu te amo muito e nunca quero
me separar de você!

Ricardo, sem dar muita importância ao que Júlio
disse, pergunta:
- O que deu em você, seu chato? Que conversa besta
é essa de amar? Quer calar a boca e continuar brincando?
E os dois continuaram brincando a tarde inteira, até
anoitecer.
À noite, Jacó, pai dos garotos, chegou do
trabalho, estava muito cansado e mal humorado, pois não
havia conseguido fechar um negócio importante. Ao
entrar, Jacó olhou para Júlio, e este sorriu
para o pai e disse:
- Olá papai, eu te amo muito e não quero nunca
me separar do senhor!
Jacó no auge de seu mau humor e estresse disse:
- Júlio, estou cansado e nervoso; então, por
favor, não me venha com besteira!
Com as palavras ásperas do pai, Júlio ficou
triste e foi chorar no cantinho do quarto. Dona Joana, mãe
dos garotos, sentindo a falta do filho foi procurá-lo
pela casa, até que o encontrou no cantinho do quarto
com os olhinhos cheios de lágrimas. Dona Joana, espantada,
começou a enxugar as lágrimas do filho e perguntou:
- O que foi Júlio, por que você está
chorando?
Júlio olhou para a mãe com uma expressão
triste e lhe disse:
- Mamãe, eu te amo muito e não quero nunca
me separar da senhora!
Dona Joana sorriu para o filho e lhe disse:
- Meu amado filho, ficaremos sempre juntos. Sempre!
Júlio sorriu, deu um beijo na mãe e foi se
deitar.
No quarto do casal, ambos se preparando para deitar, Dona
Joana pergunta a seu marido:
- Jacó, o Júlio está muito estranho
hoje, não acha?
Jacó muito estressado com o trabalho respondeu:
- Esse moleque só está querendo chamar a atenção...
Deite e durma, mulher!
Então, todos se recolheram e dormiram sossegados.
Às 2 horas da manhã, Júlio se levanta,
vai ao quarto de seu irmão Ricardo, acende a luz
e fica observando o irmão dormir... Ricardo, incomodado
com a claridade, acorda e grita com Júlio:
- Seu idiota, apague essa luz e me deixe dormir!
Júlio, em silêncio, obedeceu ao irmão,
apagou a luz e se dirigiu ao quarto dos pais... Chegando
lá, acendeu a luz e ficou observando seu pai e sua
mãe dormirem. O senhor Jacó acordou e perguntou
ao filho:
- O que aconteceu, Júlio?
Júlio, em silêncio, só balançou
a cabeça em sinal negativo, respondendo ao pai que
nada havia ocorrido. Então, o senhor Jacó
irritado perguntou a Júlio:
- Então, o que foi moleque? Júlio continuou
em silêncio.
Jacó já muito irritado berrou com Júlio:
- Então vai dormir, menino chato!
Júlio, então, apagou a luz do quarto, dirigiu-se
ao seu quarto e se deitou.
Na manhã seguinte, todos se levantaram cedo. Jacó
iria trabalhar, a dona Joana levaria as crianças
para a escola e Ricardo e Júlio iriam à escola...
Mas Júlio não se levantou. Então, Jacó
que já estava muito irritado com Júlio, entra
bufando no quarto do garoto e grita:
- Levanta moleque!
Júlio nem se mexeu. Então, Jacó avança
sobre o garoto e puxa com força o cobertor do menino
com o braço direito levantado pronto para lhe dar
um tapa, quando percebe que Júlio estava com os olhos
fechados e que encontrava-se pálido. Jacó,
assustado, colocou a mão sobre o rosto de Júlio
e pode notar que seu filho estava gelado. Desesperado, Jacó
gritou chamando a esposa e o filho Ricardo para ver o que
havia acontecido com Júlio... Infelizmente, o pior.
Júlio estava morto e sem qualquer motivo aparente.
Dona Joana, desesperada, abraçou o filho morto e
não conseguia nem respirar de tanto chorar. Ricardo,
desconsolado, segurou firme a mão do irmão
e só tinha forças para chorar também.
Jacó, em desespero, soluçando e com os olhos
cheios de lágrimas, percebeu que havia um papelzinho
dobrado nas pequenas mãos de Júlio. Jacó
então pegou o pequeno pedaço de papel e havia
algo escrito com a letra de Júlio. "Outra noite
Deus veio falar comigo através de um sonho, disse
a mim que apesar de amar minha família e dela me
amar, teríamos que nos separar. Eu não queria
isso, mas Deus me explicou que seria necessário.
Não sei o que vai acontecer, mas estou com muito
medo. Gostaria que ficasse claro apenas uma coisa: Ricardo,
não se envergonhe de amar seu irmão; Mamãe,
a senhora é a melhor mãe do mundo; Papai,
o senhor de tanto trabalhar se esqueceu de viver. Eu amo
todos vocês!"
Dizem que essa história é baseada em um fato
verídico.
Talvez seja... Não importa!
O fato é que reservamos muito pouco espaço
em nossas vidas para que possamos parar, amar, e receber
o amor que nos é ofertado.
E talvez quando acordarmos, já pode ser tarde demais...
No entanto, felizmente, ainda há tempo para fazermos
isso!
Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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Amor,
Eterno Amor
Aquela senhora estava com muita pressa. Entrou em um shopping
para comprar alguns presentes de última hora para
o Natal.
Havia
muita gente ao redor e ela ficou incomodada com a situação.
Pensou consigo mesma: "ficarei aqui uma eternidade,
e tenho tantas coisas a fazer".
Um
tanto depressiva, ela pensava em como o Natal estava se
transformando em um grande comércio.
Andou
rápido por entre as pessoas e entrou numa loja de
brinquedos. Mais uma vez se surpreendeu reclamando dos preços.
Perguntava-se a si mesma se seus netos realmente brincariam
com aquilo.
Partiu
para a seção de bonecas. Em um dos corredores
encontrou um menino, de aproximadamente cinco anos, segurando
uma boneca bem cara.
Estava
tocando seus cabelos e a segurava com muito carinho. A senhora
não pôde se conter e ficou olhando a cena fixamente,
perguntando-se para quem seria aquela boneca.
Em
seguida, se aproximou do menino uma mulher a quem ele perguntou:
“não tenho dinheiro suficiente, tia?”.
E a mulher lhe falou impaciente: “você já
sabe que não tem o dinheiro suficiente para comprá-la”.
Depois
disse ao menino que permanecesse onde estava enquanto ela
buscava outras coisas que lhe faltavam e o menino continuou
ali, segurando a boneca com muito carinho.
Após
algum tempo, a senhora se aproximou e perguntou-lhe para
quem era a boneca e ele respondeu: “esta é
a boneca que minha irmãzinha queria muito ganhar,
no Natal”.
Ela
estava certa de que a ganharia neste Natal, disse o garoto
com certa tristeza.

A
senhora se compadeceu e disse ao menino que, no Natal, levaria
a boneca para sua irmãzinha, mas ele falou: “não,
a senhora não pode ir onde minha irmãzinha
está.”
-
“Eu tenho que entregá-la a minha mãe
para que ela leve até a minha irmãzinha”.
-
E onde está sua irmã?
O
menino, com um olhar de tristeza, disse: “ela se foi
com Jesus. Meu pai me disse que a mamãe irá
encontrar-se com ela, em breve”.
A
mulher sentiu um grande aperto no coração.
E o menino continuou: “pedi ao papai para falar com
a mamãe para que ela não se vá ainda”.
“Disse-lhe
para pedir a ela que espere até que eu volte do shopping”.
Em
seguida o garoto tirou do bolso algumas fotografias que
tinham sido tiradas em frente ao shopping e falou: “vou
pedir ao papai que leve estas fotos para minha mãe,
para que ela nunca se esqueça de mim. Gosto muito
da minha mãe, não queria que ela partisse.
Mas o papai disse que ela tem que ir encontrar a minha irmãzinha”.
Enquanto
o pequeno olhava a foto, a senhora tirou da carteira algumas
notas e pediu a ele que contasse o dinheiro novamente.
Ele
contou outra vez, e disse satisfeito: “estou certo
de que será suficiente. Agora posso comprar a boneca”.
E
disse: "eu acabei de pedir a Jesus para que me desse
dinheiro suficiente para comprar esta boneca para a mamãe
levar até a minha irmãzinha, e Ele ouviu a
minha oração. Eu pedi, ainda, para que o dinheiro
fosse suficiente para comprar também uma rosa branca
para a minha mãe, e Ele acaba de me dar o bastante
para a boneca e para a rosa".

-
“Sabe, minha mãe gosta muito de rosas brancas...”
Em
alguns minutos a tia do garoto voltou e a senhora se foi.
Enquanto
terminava suas compras, agora com uma disposição
bem diferente, ela não conseguia deixar de pensar
naquele menino. Lembrou-se de uma história que havia
lido num jornal, dias antes, a respeito de um acidente causado
por um condutor alcoolizado, no qual uma menininha falecera
e a mãe ficara em estado grave. Deu-se conta de que
aquele menino pertencia àquela família.
Dois
dias depois, ela leu no jornal a notícia de que a
mulher acidentada havia morrido.
Não
conseguia tirar o menino da mente... Comprou um buquê
de rosas brancas e as levou ao funeral...
Lá
estava o corpo de uma mulher... Com uma rosa branca numa
das mãos, uma linda boneca na outra, e a foto de
seu filho em frente ao shopping.
Grossas
lágrimas rolaram do rosto daquela senhora ao perceber
a grandeza do amor daquele menino pela mãe e pela
irmã...
Um
amor que a morte não conseguiu apagar...
Um
amor que vai muito além da existência física...
O
verdadeiro amor que Jesus, O Aniversariante tão esquecido,
veio ensinar à humanidade...

Texto
adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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Amor
Infinito
Os exames mostraram que era uma menina, e todos os dias
João Pedro cantava perto da barriga de sua mãe.
Ele já amava a sua irmãzinha antes mesmo dela
nascer.
A
gravidez se desenvolveu normalmente. No tempo certo, vieram
as contrações. Primeiro, a cada cinco minutos;
depois a cada três; então, a cada minuto uma
contração.
Entretanto,
surgiram algumas complicações e o trabalho
de parto de Maria Fernanda demorou horas. Todos discutiam
a necessidade provável de uma cesariana. Até
que, enfim, depois de muito tempo, a irmãzinha de
João Pedro nasceu. Só que ela estava muito
mal.

Com
a sirene no último volume, a ambulância levou
a recém-nascida para a UTI neonatal do Hospital Pequeno
Príncipe. Os dias passaram. A menininha piorava.
O médico disse aos pais: "Preparem-se para o
pior. Há poucas esperanças".
Maria
Fernanda e seu marido começaram, então, os
preparativos para o funeral. Alguns dias atrás estavam
arrumando o quarto para esperar pelo novo bebê. Hoje,
os planos eram outros.
Enquanto
isso, João Pedro todos os dias pedia aos pais que
o levassem para conhecer a sua irmãzinha. "Eu
quero cantar pra ela", ele dizia. A segunda semana
de UTI entrou e esperava-se que o bebê não
sobrevivesse até o final dela.
João
Pedro continuava insistindo com seus pais para que o deixassem
cantar para sua irmã, mas crianças não
eram permitidas na UTI. Entretanto, Maria Fernanda decidiu.
Ela levaria João Pedro ao hospital de qualquer jeito.
Ele ainda não tinha visto a irmã e, se não
fosse hoje, talvez não a visse viva.
Ela
vestiu João Pedro com uma roupa um pouco maior, para
disfarçar a idade, e rumou para o hospital. A enfermeira
não permitiu que ele entrasse e exigiu que ela o
retirasse dali. Mas Maria Fernanda insistiu: "Ele não
irá embora até que veja a sua irmãzinha!"
Então ela levou João Pedro até a incubadora.
Ele olhou para aquela trouxinha de gente que perdia a batalha
pela vida. Depois de alguns segundos olhando, ele começou
a cantar uma música que aprendera na Igreja, com
sua voz pequenininha:
"Se
as águas do mar da vida quiserem te afogar, segura
na mão de Deus e vai...”
Nesse
momento, o bebê pareceu reagir. A pulsação
começou a baixar e se estabilizou. Maria Fernanda
encorajou João Pedro a continuar cantando.
“Segura
na mão de Deus, segura na mão de Deus, pois
ela, ela te sustentará...”
Enquanto
João Pedro cantava, a respiração difícil
do bebê foi se tornando suave. "Continue, querido!",
pediu Maria Fernanda, emocionada "Se as águas
do mar da vida quiserem te afogar, segura na mão
de Deus e vai...” O bebê começou a relaxar.
"Cante mais um pouco, João Pedro". A enfermeira
começou a chorar. "Segura na mão de Deus,
segura na mão de Deus, pois ela, ela te sustentará...”
No dia seguinte, a irmã de João Pedro já
tinha se recuperado e em poucos dias foi para casa. Os médicos
consideraram o caso como um “MILAGRE”. O jornalzinho
do bairro imprimiu em sua manchete: “O MILAGRE DA
CANÇÃO DE UM IRMÃO”. Maria Fernanda
chamou de “AMOR INFINITO”.
Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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Anjos
de Uma Asa Só
Em zona montanhosa e coberta por gelo, caminhavam dois velhos
amigos, ambos muito cansados e já praticamente enfermos,
cada qual a defender-se, quanto possível, contra
os golpes do ar gelado.
Inesperadamente,
os dois homens foram surpreendidos por uma criança
semimorta, deitada na neve, com seu corpo ao sabor da ventania
de inverno.
Um
dos homens, olhando para a criança, exclamou irritadiço:
“não perderei tempo. A hora exige cuidado para
comigo mesmo. Sigamos à frente!”. O outro,
porém, mais piedoso, falou: “amigo, salvemos
o pequenino. É nosso irmão em humanidade”.
“Não
posso” - disse o companheiro, endurecido -, “sinto-me
cansado e doente. Este desconhecido seria um peso insuportável.
Temos frio e tempestade. Precisamos chegar à aldeia
próxima sem perda de minutos”. E avançou
para diante em largas passadas.
O
viajante de bom sentimento, contudo, inclinou-se para o
menino estendido, demorou-se alguns minutos colando-o paternalmente
ao próprio peito e, aconchegando-o ainda mais, marchou
adiante, embora a passos menos rápidos.
A
chuva gelada caiu pela noite adentro, mas ele, amparando
o valioso fardo, depois de muito tempo atingiu a hospedaria
do povoado que buscava. Com enorme surpresa, porém,
não encontrou ali o colega que havia seguido na frente.
Somente
no dia seguinte, depois de muita procura, foi o infeliz
viajante encontrado, sem vida, numa vala do caminho alagado.
Seguindo à pressa e a sós, com a idéia
egoística de preservar-se, não resistiu à
onda de frio que se fizera violenta e tombou encharcado,
sem recursos com que pudesse fazer face ao congelamento.
Enquanto que o companheiro, recebendo, em troca, o suave
calor da criança que sustentava junto do próprio
coração, superou os obstáculos da noite
frígida, salvando-se de semelhante desastre.
Descobrira
a sublimidade do auxílio mútuo...
Ajudando
ao menino abandonado, ajudara a si mesmo. Avançando
com sacrifício para ser útil a outra pessoa,
conseguira triunfar dos percalços do caminho, alcançando
as bênçãos da salvação
recíproca.
Somos todos
Anjos de Uma Asa Só,
necessitamos nos abraçar
para conseguirmos alçar vôo.
Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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Anjos
Existem?
O menino voltou-se para a mãe e perguntou:
-
Os anjos existem mesmo? Eu nunca vi nenhum.
Como ela lhe afirmasse a existência deles, o pequeno
disse que iria andar pelas estradas, até encontrar
um anjo.
-
É uma boa idéia - falou a mãe. Irei
com você.
-
Mas você anda muito devagar - argumentou o garoto.
Você tem um pé aleijado.
A mãe insistiu que o acompanharia. Afinal, ela podia
andar muito mais depressa do que ele pensava.
Lá
se foram. O menino saltitando e correndo e a mãe
mancando, seguindo atrás.
De repente, uma carruagem apareceu na estrada. Majestosa,
puxada por lindos cavalos brancos. Dentro dela, uma dama
linda, envolta em veludos e sedas, com plumas brancas nos
cabelos escuros. As jóias eram tão brilhantes
que pareciam pequenos sóis. Ele correu ao lado da
carruagem e perguntou à senhora:
-
Você é um anjo?
Ela
nem respondeu. Resmungou alguma coisa ao cocheiro que chicoteou
os cavalos e a carruagem sumiu, na poeira da estrada. Os
olhos e a boca do menino ficaram cheios de poeira. Ele esfregou
os olhos e tossiu bastante. Então, chegou sua mãe
que limpou toda a poeira, com seu avental de algodão
azul.
-
Ela não era um anjo, não é, mamãe?
-
Com certeza, não. Mas um dia poderá se tornar
um, respondeu a mãe.
Mais adiante uma jovem belíssima, em um vestido branco,
encontrou o menino.
Seus olhos eram estrelas azuis e ele lhe perguntou:
-
Você é um anjo?
Ela
ergueu o pequeno em seus braços e falou feliz:
-
Uma pessoa me disse ontem à noite que eu era um anjo.
Enquanto acariciava o menino e o beijava, ela viu seu namorado
chegando.
Mais
do que depressa, colocou o garoto no chão. Tudo foi
tão rápido que ele não conseguiu se
firmar bem nos pés e caiu.
-
Olhe como você sujou meu vestido branco, seu monstrinho!
Disse ela, enquanto corria ao encontro do seu amado. O menino
ficou no chão, chorando, até que chegou sua
mãe e lhe enxugou as lágrimas com seu avental
de algodão azul. Aquela moça, certamente,
não era um anjo.
O
garoto abraçou o pescoço da mãe e disse
estar cansado.
-
Você me carrega?
-
É claro - disse a mãe. Foi para isso que eu
vim.
Com
o precioso fardo nos braços, a mãe foi mancando
pelo caminho, cantando a música que ele mais gostava.
Então
o menino a abraçou com força e lhe perguntou:
-
Mãe, você não é um anjo?
A
mãe sorriu e falou mansinho:
-
Imagine, nenhum anjo usaria um avental de algodão
azul como o meu...
Anjos são todos os que na Terra se tornam guardiões
dos seus amores.
São mães, pais, filhos, irmãos que
renunciam a si próprios,
a suas vidas em benefício dos que amam.
Às vezes, podem estar do nosso lado e não
percebemos.
Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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Atenção:
Fé e ansiedade não combinam!
“Jesus é nossa paz”
(Efésios 2,14).
Uma das tarefas mais difíceis para os Cristãos
é seguir as palavras de Jesus, quando Ele nos ordena:
"Não
andem ansiosos"
(Mateus 6, 25-34).
Nos
dias de hoje, as pessoas em geral parecem estar sofrendo
excessivamente, preocupando-se em demasia e sendo, cada
vez mais freqüentemente, tomadas por ondas de medo,
angústia e aflição.
Entretanto,
para nós Cristãos isso não deveria
ocorrer, tendo em vista que na Bíblia encontramos
várias promessas relacionadas à efetiva proteção
e à real presença de Deus em nossas vidas.
Veja, por exemplo, a seguinte citação:
“Não
tenha medo, pois eu estou com você.
Não precisa olhar com desconfiança, pois eu
sou o seu Deus.
Eu o fortaleço, o ajudo e o sustento com minha direita
vitoriosa”
(Isaías 41,10).
Note
que essa é uma promessa verdadeiramente maravilhosa!
Deus afirma estar conosco e nos promete ajudar, para que,
com Ele, consigamos vitória! Isso não é
absolutamente magnífico?
Mas
por que, então, continuamos a ficar ansiosos? Será
possível que não confiamos mais nas Sagradas
Escrituras? Será que perdemos a consciência
de que a Bíblia é a Palavra do Senhor, inspirada
e infalível (2 Pedro 1,21), e que suas promessas
devem servir, portanto, de base para a nossa fé e
prática (2 Timóteo 3,16)?
E
quando olhamos a questão da ansiedade sob o ponto
de vista do que a Bíblia nos ensina, chegamos à
conclusão de que, ao ficarmos ansiosos, estamos nos
comportando como se não crêssemos, tendo em
vista que, ao nos preocuparmos, estamos colocando imediatamente
em dúvida a sabedoria e o poder de Deus. Fé
e ansiedade são duas coisas totalmente incompatíveis,
pois a preocupação insinua que Deus não
age, que não se importa conosco e não se interessa
por nós.
Mas
a Bíblia nos mostra que isso não é
verdade! Veja, por exemplo, o que diz Isaías 43,1-5
a esse respeito:
“Não
tenha medo, pois eu o redimi e o chamei pelo nome; você
é meu.
Quando você atravessar a água, eu estarei com
você e os rios não o afogarão;
quando você passar pelo fogo, não se queimará,
e a chama não o alcançará, pois eu
sou o seu Deus...
Você é precioso para mim, é digno de
estima e eu o amo...
Não tenha medo, pois eu estou com você”.
Esses
versículos nos reafirmam, com clareza, que Deus é
Pai, é amoroso, importa-se conosco e está
sempre pronto para nos guiar e proteger.
Novamente perguntamos: ‘por que, então, continuamos
a ficar ansiosos?’.
Na realidade, o que acontece é que, muitas vezes,
preferimos segurar todos os fardos da vida em nossas próprias
mãos. Simplesmente não nos aventuramos a entregar
nossa carga de preocupações a Deus, que como
a Bíblia nos ensina, cuida de nós e está
com Seu olhar permanentemente voltado para nós:
“Esforce-se,
e tenha bom ânimo;
não se atemorize, nem se espante;
porque o Senhor seu Deus está com você,
por onde quer que você ande”
(Josué 1,9).
Neste
trecho, as Sagradas Escrituras estão simplesmente
nos dizendo:
Não
se preocupe! Entregue as suas ansiedades para Deus!
Porém,
de modo prático, como podemos "não nos
preocupar com nada", se nos deparamos com vários
problemas? A Bíblia também nos dá a
resposta para isso, em Filipenses 4,6-7:
"Não
andem ansiosos de coisa alguma;
em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus,
as suas petições, pela oração
e pela súplica, com ações de graça.
E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará
o seu coração e a sua mente em Cristo Jesus."
É
importante notar, aqui, que a exortação de
Deus "não andem ansiosos" não é
um apelo sentimentalista, nem um desejo ou um pedido, mas
trata-se de uma ‘ordem’! E nela somos chamados
a assumir uma das tarefas mais difíceis para os Cristãos:
a de, além de termos feito tudo que estiver ao nosso
alcance, voltarmos-nos a Nosso Senhor e colocarmos todas
as nossas ansiedades nas Suas mãos seguras e protetoras.
E é Ele mesmo nos indica esse caminho:
"Venham
a mim todos os que estão cansados e sobrecarregados,
e Eu lhes darei descanso”
(Mateus 11,28).

Racionalmente,
nós nos preocupamos de fato, com diversas situações
que temos que enfrentar, mas como dizem as Escrituras, o
cuidado de Deus está acima do nosso entendimento.
Veja outro maravilhoso trecho bíblico, que nos reafirma
e nos garante isso:
“Confie
no Senhor com todo o seu coração,
e não se fie em sua própria inteligência.
Pense nEle em todos os seus caminhos,
e Ele aplainará as suas trilhas.
Não se considere sábio aos seus próprios
olhos;
tema ao Senhor e evite o mal.
Isso trará saúde para a sua carne;
e alívio para os seus ossos”
(Provérbios 3,5-8).
Na
verdade, se Deus estiver sempre em nossos pensamentos, não
há motivo algum para temermos ‘qualquer coisa’.
Basta fazermos tudo o que pudermos, para, então,
colocarmos nossas preocupações nas mãos
de nosso Pai celeste, que passará a cuidar de todas
as coisas para nós. Como dizia o fundador da Companhia
de Jesus, Santo Inácio de Loyola (1491-1551), “devemos
fazer tudo como se tudo dependesse de nós; e esperar
tudo como se tudo dependesse de Deus”.
Resumindo,
a solução para os momentos de ansiedade é
muito simples e nos é ensinada pelas Sagradas Escrituras:
toda vez que surgir uma preocupação, deve-se
fazer o que está ao nosso alcance, mas sempre apresentando
essa preocupação diante de Deus, por meio
da oração suplicante e da ação
de graças, antes que esse sentimento se transforme
em ansiedade. A união de súplica com agradecimento
leva-nos a enxergar e localizar as coisas boas da vida e
a tomarmos consciência das inúmeras vezes em
que Deus nos atendeu.
E,
agindo assim, o resultado não demorará, pois
a paz de Deus “excede todo o entendimento” (Filipenses
4,7), ou seja, é muito mais maravilhosa do que a
nossas mentes podem compreender, transcendendo toda a compreensão
humana.
Se
acreditarmos nisso e agirmos como a Bíblia nos ensina,
Deus ocupará por completo o lugar de nossos temores
e ansiedades.
Texto escrito por
Marcos de Lacerda Pessoa
em Agosto de 2005.
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Bem-Aventurados
os Humildes
“Bem-aventurados os humildes de espírito,
porque deles é o reino dos céus”
(Mt 5,3).
Foi no século dezenove. O arcebispo de Viena resolveu
fazer uma visita a alguns dos seus fiéis.
Preparada
sua comitiva aprestou-se para a viagem. O primeiro local
que deveria visitar seria o castelo de Vivarais.

Os
donos do castelo avisados antecipadamente passaram a aguardar
o ilustre visitante, esmerando-se em detalhes, a fim de
que tudo transcorresse sem qualquer transtorno.
Ao
cair da tarde daquele mês de março apresentou-se
no palácio um pobre sacerdote pedindo pousada.
Como
todos os aposentos já se encontravam reservados para
os visitantes, os donos do castelo pediram aos criados que
conduzissem o pedinte a um dos alpendres, junto às
cavalariças.
Algum
tempo depois chegaram ao solar os vigários que constituíam
a comitiva do arcebispo. Foram recebidos, regiamente, pelo
fidalgo e família, mas logo se admiraram em não
ver Sua Excelência.
Perguntando
por ele, receberam dos senhores do castelo a resposta de
que ele ainda não aparecera.
Não
é possível, falou um dos padres. Fomos obrigados
a nos retardar um pouco e ele tomou a dianteira. Devia ter
chegado à nossa frente.
Foi
então que os anfitriões se recordaram do sacerdote
recolhido próximo às cavalariças. Imaginando
que ele poderia em sua jornada ter cruzado com o arcebispo,
resolveram pedir aos criados que lhe fossem indagar a respeito.
Quando
alguns dos integrantes da comitiva ouviram a referência
a um outro sacerdote, perguntaram: quem é o religioso
a quem se refere o nobre senhor?
Ora,
respondeu o senhor de Vivarais, é um sacerdote muito
pobre que nos bateu à porta, pedindo agasalho por
uma noite.
A
um só tempo, falaram os vigários presentes:
"é ele".
Verdadeiramente,
o pobre recebido, por caridade, no luxuoso castelo não
era outro senão o grande arcebispo de Viena.
Assim
portava-se e tão humilde era, que não se apresentava
jamais com seus títulos e roupas elegantes.

Os
homens essencialmente grandes não se importam com
honrarias e suntuosidades.
Delas não necessitam para mostrarem seu valor, porque
que este é intrínseco e aflora, onde quer
que se encontrem.
Assim
foi Jesus Cristo, que escolheu a quietude de uma noite silenciosa
para nascer, num estábulo, tendo como teto a abóbada
celeste e como primeiros visitantes os homens simples que
pastoreavam no campo.
E
escolheu para morrer a cruz, submetendo-se às maiores
humilhações.
Nada
que Lhe denunciasse a glória aos olhos humanos.
E,
com essa humildade absoluta, Jesus Cristo é
a Luz do mundo,
o Salvador da humanidade,
o Pão da Vida,
a segunda pessoa da Santíssima Trindade, e,
como tal, o nosso próprio...
Deus!
“Portanto, se há alguma exortação
em Cristo, se alguma consolação de amor, se
alguma comunhão do Espírito, se alguns entranháveis
afetos e compaixões,...
...nada
façais por contenda ou por vanglória, mas
com humildade cada um considere os outros superiores a si
mesmo”
(Fp 2:1,3).
Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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Boa
Noite, Papai!
Escute, filho... Enquanto falo isso, você está
deitado, dormindo, uma mãozinha enfiada debaixo do
seu rosto, com os cachinhos louros molhados de suor e grudados
na testa.
Entrei
sozinho e sorrateiramente no seu quarto. Há minutos
atrás, enquanto eu estava sentado lendo meu jornal
na biblioteca, fui assaltado por uma onda sufocante de remorso.
E, sentido-me culpado, vim para ficar ao lado de sua cama.
Andei
pensando em algumas coisa, filho... Tenho agido muito errado
com você. Na hora em que você se trocava para
ir à escola, briguei com você por ter atirado
sua toalha no chão. Durante o café da manhã,
também impliquei com várias coisas: você
derramou o café fora da xícara, não
mastigou direito a comida, pôs o cotovelo sobre a
mesa, passou manteiga demais no pão...
E
quando começou a brincar e eu estava saindo para
o trabalho, você se virou e, abanando a mão,
disse-me: "Tchau, papai!". E eu, franzindo o rosto,
em resposta lhe disse: "Endireite esses ombros, menino!"
Já
a noite, quando eu estava lendo no sofá, você
me procurou timidamente, com uma espécie de mágoa
impressa nos seus olhos. Quando afastei meu olhar do jornal,
eu lhe perguntei em tom implicante: "O que é
que você quer?" Você não disse nada,
mas saiu correndo num ímpeto em minha direção,
passou seus braços em torno do meu pescoço
e me beijou, dizendo: "Boa noite, papai!” E seus
braços foram se apertando com uma afeição
pura, que Deus fez crescer em seu coração
e que nenhuma indiferença de minha parte pode afastar.
A seguir retirou-se, subindo rapidamente os degraus da escada,
em direção à sua delicada caminha.
E
eu não pude nem lhe responder ao "boa noite",
meu filho, pois lágrimas me vieram aos olhos, meus
dedos se afrouxaram, o jornal escorregou de minha mão,
e uma emoção terrível tomou conta de
mim.
Mas
o que é que o hábito está fazendo de
mim? Fico só achando erros, fazendo reprimendas e
reclamações! Essa, meu filho, é a maneira
que eu o venho recompensando por ser apenas uma frágil
e delicada criança. De repente, percebo que o tenho
avaliado pelos padrões da minha própria vida
de adulto. Receio amargamente que o tenha visto até
aqui como um homem feito.
Mas
olhando-o agora, meu filho, encolhido e amedrontado no seu
ninho, vejo que você é apenas um bebê.
Ainda ontem esteve nos braços de sua mãe,
com a sua cabecinha deitada no ombro dela. Tenho agredido
muito você... Tenho exigido demais...
Vejo-me
a toda hora injustamente reclamando de seu comportamento,
que é um pouco mais descuidado, como o de qualquer
criancinha de sua idade. E há tanto de bom, de belo
e de verdadeiro em tudo que você faz... Você
brilha tanto, seu coraçãozinho é tão
grande e seu amor é tão quente, que eu só
posso compará-lo ao sol, que sobe e aquece todos
os nossos dias. E isto, tristemente, eu só percebo
agora meu filho, pelo seu gesto carinhoso de correr e me
dar um beijo espontâneo de boa noite.
Nada
mais me importa nesta noite e na minha vida. Entrei na penumbra
do seu quarto e ajoelhei-me ao lado de sua cama, e me sinto
triste e completamente envergonhado!
Sei
que se você estivesse acordado, não compreenderia
todas essas emoções, esses sentimentos que
estão me devastando, que estão espremendo
o meu coração e afogando a minha garganta.
Mas
a partir deste momento, meu filhinho, procurarei ser um
pai de verdade. Serei seu amigo, sofrerei quando você
sofrer, darei risadas quando você der. Morderei minha
língua quando palavras impacientes quiserem sair
pela minha boca. Eu irei dizer e repetir sempre, no mais
íntimo do meu coração: "Ele é
apenas um menino, um lindo e carinhoso menininho, um presentinho
maravilhoso que nos foi dado por Deus!"
Durma
bem, e... Boa noite, meu filho!
Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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Bode
Expiatório
Conta
uma antiga lenda que na Idade Média um homem muito
religioso foi injustamente acusado de ter assassinado uma
mulher. Na verdade, o criminoso era pessoa influente do
reino e por isso, desde o primeiro momento procurou-se um
"bode expiatório" para acobertar o verdadeiro
assassino. O homem foi levado a julgamento, já temendo
o resultado: a forca. Ele sabia que tudo iria ser feito
para condená-lo e levá-lo à forca,
mas ele era um homem de extrema fé, e que a manteria
intacta até o último momento de sua vida.
O
juiz, que também estava combinado para levar o pobre
homem à morte, simulou um julgamento justo, fazendo
uma proposta ao acusado que provasse sua inocência.
Disse
o juiz:
-
“Sou de uma profunda religiosidade e por isso vou
deixar sua sorte nas mãos do Senhor: vou escrever
num pedaço de papel a palavra INOCENTE e no outro
pedaço a palavra CULPADO. Você sorteará
um dos papéis e aquele que sair será o veredicto.
O Senhor decidirá seu destino”.
Sem
que o acusado percebesse, o juiz preparou os dois papéis,
mas em ambos escreveu CULPADO de maneira que, naquele instante,
não existia nenhuma chance do acusado se livrar da
forca.

Não
havia saída. Não havia alternativas para o
pobre homem. O juiz colocou os dois papéis sobre
uma mesa e mandou o acusado escolher um. O homem fechou
os olhos, meditou por alguns segundos e pressentindo a "vibração"
aproximou-se confiante da mesa, pegou um dos papéis
e rapidamente colocou-o na boca e engoliu. Os presentes
ao julgamento reagiram surpresos e indignados com a atitude
do homem.
-
Mas o que você fez?!!! E agora? Como vamos saber qual
seu veredicto?
-
É muito fácil, respondeu o homem. Basta olhar
o outro pedaço que sobrou e saberemos que acabei
engolindo o contrário.
Imediatamente
o homem foi liberado.
Por
mais difícil que seja uma situação,
permaneça com fé até o último
momento. Saiba que para qualquer problema há sempre
uma saída, e que apesar de muitas vezes não
a enxergamos, devemos sempre lembrar que o conhecimento
e as possibilidades de Deus são ‘infinitamente’
maiores do que as nossas ‘limitadas capacidades’.
Por isso não desista, não entregue os pontos,
não se deixe derrotar. Confie, persista, vá
em frente apesar de tudo e de todos, enfim... creia, que
você conseguirá. Afinal, "se Deus é
por você, quem será contra você?"
(Romanos, 8:31).
Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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Caridade
Meg não chorou quando o médico lhe disse que
Kristi, sua filha de dois anos, era portadora de uma deficiência
mental.

Ela
vinha suspeitando há algum tempo, mas teimava não
aceitar.
Não chorou naquele momento, nem nos meses que se
seguiram.
Quando Kristi tinha idade para ir à escola, Meg a
matriculou no jardim de infância do colégio
do seu bairro.
Ela estava com 7 anos.
Meg ficou na escola, naquele primeiro dia, vendo sua Kristi
numa sala cheia de crianças de 5 anos de idade.
E
viu sua filha passar horas e horas brincando sozinha, uma
criança "diferente" entre outras 20.
Mas
nenhuma lágrima saiu de seus olhos.
Com o tempo, algumas coisas positivas começaram a
acontecer entre Kristi e seus colegas de escola.
Quando eles se vangloriavam de suas proezas, sempre tinham
o cuidado de também a elogiar.
"Kristi escreveu todas as palavras certas, hoje"
- diziam. Ninguém mencionava que os exercícios
dela eram muito mais fáceis do que os dos outros.
Os avanços de Kristi eram registrados pela turma,
com entusiasmo.
Foi no segundo ano na escola que Kristi precisou enfrentar
sua experiência mais desafiante. O grande evento do
final do ano era uma competição em atividades
de educação física.
Kristi estava muito atrás da turma em coordenação
motora. No dia do evento, ela fingiu estar doente.
Meg quase teve vontade de deixá-la em casa. Mas,
consciente da importância da filha vencer o medo,
a colocou no ônibus da escola.
Depois, foi assistir a competição. Sentada
no meio dos outros pais, sentia seu coração
bater forte.
Quando chegou a vez de Kristi, Meg entendeu o que a preocupava.
A classe estava dividida em times de revezamento. Com suas
reações lentas e hesitantes, Kristi iria,
com certeza, prejudicar o seu time.
A apresentação foi correndo bem, até
chegar a hora da corrida de sacos. Cada criança tinha
que entrar em um saco na linha de partida, pular até
à linha de chegada, fazer o caminho de volta e sair
do saco.
Meg observou a filha de pé, perto do fim da sua fila.
Estava visivelmente assustada.
Entretanto, quando se aproximou o momento de Kristi participar
da corrida, algo inesperado aconteceu. Uma troca de lugares,
em seu time.
O menino mais alto da fila foi para trás de Kristi
e a segurou pela cintura. Dois outros meninos ficaram um
pouco à frente.
Quando chegou a vez dela, aqueles dois meninos pegaram o
saco vazio e o abriram. O menino mais alto suspendeu Kristi
e a colocou suavemente dentro do saco.
Uma
menina à frente de Kristi a pegou pela mão
e a sustentou brevemente, até perceber que ela recuperara
o equilíbrio.
E,
então, lá se foi ela, pulando, sorridente
e orgulhosa.
Em meio às aclamações dos professores,
os gritos dos colegas e pais dos alunos, Meg se afastou
lentamente.
Agradeceu a Deus por aquelas pessoas calorosas e compreensivas
que tinham tornado possível para sua filha deficiente
agir como os seus semelhantes.
E, de emoção, pura emoção, Meg
finalmente chorou.
"Aspirai
aos dons mais altos.
Aliás passo a indicar-vos um caminho
que ultrapassa a todos.
Ainda que eu falasse línguas,
as dos homens e as dos anjos,
se eu não tivesse a caridade,
seria como um bronze que soa
ou como um tímbalo que tine.
Ainda que eu tivesse o Dom da profecia,
o conhecimento de todos os mistérios
e de toda a ciência,
ainda que eu tivesse toda a fé,
a ponto de transportar os montes,
se não tivesse a caridade, eu nada seria.
Ainda que eu distribuísse
todos os meus bens aos famintos,
ainda que entregasse o meu corpo às chamas,
se não tivesse a caridade,
isso nada me adiantaria.
A caridade é paciente,
a caridade é prestativa,
não é invejosa, não se ostenta,
não se incha de orgulho.
Nada faz de inconveniente,
não procura o seu próprio interesse,
Não se irrita,não guarda rancor.
Não se alegra com a injustiça,
mas se regozija com a verdade.
Tudo desculpa, tudo crê,
tudo espera, tudo suporta.
A caridade jamais passará.
Quanto às profecias, desaparecerão.
Quanto às línguas, cessarão.
Quanto à ciência, também desaparecerá.
Pois o nosso conhecimento é limitado,
e limitada é a nossa profecia.
Mas quando vier a perfeição,
o que é limitado desaparecerá...
Agora vemos em espelho e de maneira confusa,
mas depois, veremos face a face.
Agora o meu conhecimento é limitado,
mas depois conhecerei como sou conhecido (por Deus).
Agora, portanto,
permanecem fé, esperança e caridade,
estas três coisas.
A maior delas, porém,
é a caridade."
(1Cor, 13).
Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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Com
Você
Um
pai certa vez deu um castigo ao filho: dormir no sótão.
Lá pela meia-noite o pai foi vê-lo. Encontrou
o filho com os olhos arregalados.

- "Me perdoe, papai. Deixe-me dormir na minha cama".
- "Não, filho. O castigo não pode ser
alterado.
Você vai passar a noite aqui; mas o papai vem dormir
com você".

Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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Como
se Escreve…
Aos cinco anos de idade, quando Jeffy era ainda um menininho,
a professora do jardim de infância pediu aos alunos
que fizessem um desenho de alguma coisa que eles amavam.

Jeffy desenhou a sua família. Depois, traçou
um grande círculo com lápis vermelho ao redor
das figuras. Desejando escrever uma palavra acima do círculo,
ele saiu de sua mesinha e foi até à mesa da
professora e disse:
-
Professora, como se escreve...? Ela não o deixou
concluir a pergunta. Mandou-o voltar para o seu lugar e
não se atrever mais a interromper a aula.
Jeffy
dobrou o papel e o guardou no bolso. Quando retornou para
sua casa, naquele dia, ele se lembrou do desenho e o tirou
do bolso. Alisou-o bem sobre a mesa da cozinha, foi até
sua mochila, pegou um lápis e olhou para o grande
círculo vermelho.
Sua
mãe estava preparando o jantar, indo e vindo do fogão
para a pia, para a mesa. Ele queria terminar o desenho antes
de mostrá-lo para ela e disse.
-
Mamãe, como se escreve...?
-
Menino, não dá para ver que estou ocupada
agora? Vá brincar lá fora. E não bata
a porta, foi a resposta dela. Ele dobrou o desenho e o guardou
no bolso.
Naquela
noite, ele tirou outra vez o desenho do bolso. Olhou para
o grande círculo vermelho, foi até à
cozinha e pegou o lápis. Ele queria terminar o desenho
antes de mostrá-lo para seu pai. Alisou bem as dobras
e colocou o desenho no chão da sala, perto da poltrona
reclinável do seu pai e disse.
-
Papai, como se escreve...?
-
Jeffy, estou lendo o jornal e não quero ser interrompido.
Vá brincar lá fora. E não bata a porta.
O garoto dobrou o desenho e o guardou no bolso. No dia seguinte,
quando sua mãe separava a roupa para lavar, encontrou
no bolso da calça do filho enrolados num papel, uma
pedrinha, um pedaço de barbante e duas bolinhas de
gude. Todos os tesouros que ele catara enquanto brincava
fora de casa. Ela nem abriu o papel. Atirou tudo no lixo.
Os
anos passaram...
Quando
Jeffy tinha 28 anos, sua filha de cinco anos, Juliana, fez
um desenho. Era o desenho de sua família. O pai riu
quando ela apontou uma figura alta, de forma indefinida
e ela disse:

-
Este aqui é você, papai! A garota também
riu. O pai olhou para o grande círculo vermelho feito
por sua filha, ao redor das figuras e lentamente começou
a passar o dedo sobre o círculo.
Juliana
desceu rapidamente do colo do pai e avisou: eu volto logo!
E voltou. Com um lápis na mão. Acomodou-se
outra vez nos joelhos do pai, posicionou a ponta do lápis
perto do topo do grande círculo vermelho e perguntou.
-
Papai, como se escreve amor? Ele abraçou a filha,
tomou a sua mãozinha e a foi conduzindo, devagar,
ajudando-a a formar as letras, enquanto dizia: amor, querida,
amor se escreve com as letras T...E...M...P...O (TEMPO).
Conjugue o verbo amar todo o tempo.
Use o seu tempo para amar.
Crie um tempo extra para amar,
não esquecendo que para os filhos, em especial,
o que importa é ter quem ouça e opine,
quem participe e vibre, quem conheça e incentive.
Não
espere seu filho ter que descobrir sozinho
como se soletra amor, família, afeição.
Por
fim, lembre:
se você não tiver tempo para amar, crie.

Afinal, o ser humano é um poço de criatividade
e o tempo...
...bom, o tempo é uma questão de escolha.
Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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Confiando
e Descansando no Pai
O menininho estava provavelmente assustado ou com medo de
algo, pois se agarrava fortemente ao pescoço do pai,
com seus dois bracinhos bem apertados.
O
pai tentava acalmar o menino, pedindo que lhe soltasse.
Mas o garotinho continuou a agarrá-lo, cada vez mais
forte e chorando progressivamente mais alto.
Aquela
cena pareceu eterna, com o pai tentando acalmar a criancinha
e sempre pedindo, com enorme amor e carinho, que lhe largasse
do pescoço.
Finalmente,
após o menino ter se debatido muito, passou a mostrar-se
arrasadoramente cansado por todo esforço que havia
feito para segurar-se ao pai, quando enfim seus braços
se soltaram. Para sua surpresa, então, o pai o acolheu
carinhosamente nos braços, dando-lhe a segurança
e a proteção que o garoto desde o início
buscava.
Essa
mesma cena, de fato, ocorre diariamente com muitos de nós.
Estressados ou mesmo amedrontados com as aflições
que a vida nos apresenta, tentamos desesperadamente agarrar-nos
a desejos e vontades, ambicionando uma vida “diferente”.
Desejo de passar a ser mais bem reconhecido pelo chefe.
Vontade de conseguir um bom emprego. Desejo de sarar de
uma doença. Vontade de encontrar uma cara-metade.
Desejo de vencer um determinado vício... E assim
por diante: vontade disso, desejo daquilo. E muitas vezes
nos “agarramos” a cada uma dessas coisas de
forma totalmente aflita e desesperada.
Como
resultado, a ansiedade só aumenta, enquanto o nosso
“choro interior” vai se tornando progressivamente
mais alto. Ignoramos por completo as palavras de nosso Pai
celeste, que através de seu Filho, Jesus Cristo,
nos revelou que Ele está verdadeiramente presente
em nossas vidas, permanecendo sempre pronto para nos acolher
em seus braços carinhosos e infinitamente seguros:
“Venha
a mim aquele que estiver cansado e sobrecarregado,
e eu o aliviarei”
(Mt 11,28).
E
isso não é apenas uma promessa vaga, mas um
real chamamento para que nós, filhos aflitos e angustiados,
soltemos nossos braços cansados, de maneira a então
percebermos que o Pai está bem presente para nos
acolher de forma segura e protetora:
“Entregue
o seu caminho ao Senhor;
confie nele, e ele tudo fará”
(Sl 37,5).
Deixe
o Pai lhe sustentar e conduzir. Mas quando você assim
o fizer, então se entregue plenamente e permita que
Ele lhe dê descanso. Não tente agarrar-se novamente
aos seus problemas, mas ao invés disso:
“Descanse
no Senhor,
e espere nele”
(Sl 37,7).

Texto
escrito por
Marcos de Lacerda Pessoa
e publicado no jornal
‘O Capuchinho’,
Paróquia de Nossa Senhora das Mercês,
Curitiba - PR
Ano VII, Jan. e Fev. de 2006.
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Crer
e Agir
Um viajante caminhava pelas margens de um grande lago de
águas cristalinas e imaginava uma forma de chegar
até o outro lado, onde seu pai o estava aguardando.
Suspirou profundamente enquanto tentava fixar o olhar no
horizonte.
De
repente, percebe a presença de um homem, aproximando-se
de barco e se oferecendo para transportá-lo. Tratava-se
de um velho e simpático barqueiro.

O
pequeno barco, no qual a travessia seria realizada, era
provido de dois remos de madeira de carvalho. O viajante
olhou detidamente e percebeu o que pareciam ser letras em
cada remo. Ao colocar os pés empoeirados dentro do
barco, observou que eram mesmo duas palavras. Num dos remos
estava entalhada a palavra ‘CRER’ e no outro
‘AGIR’.
Não
podendo conter a curiosidade, perguntou a razão daqueles
nomes originais dados aos remos.
O
barqueiro, sem falar uma palavra, pegou o remo no qual estava
escrito CRER, e remou com toda força. O barco, então,
começou a dar voltas sem sair do lugar em que estava.
Em seguida, pegou o remo em que estava escrito AGIR e remou
com todo vigor. Novamente o barco girou em sentido oposto,
sem ir adiante.
Finalmente,
o velho barqueiro, segurando os dois remos, movimentou-os
ao mesmo tempo, e o barco, impulsionado igualmente por ambos
os lados, passou a navegar com segurança através
das águas do lago, chegando de forma tranqüila
à outra margem.
Então
o barqueiro disse ao viajante:
-
“Talvez o senhor não tenha observado, mas o
nome deste barco é ‘VERDADE’. Para que
o barco da VERDADE navegue seguro e alcance o seu destino,
é preciso que utilizemos os dois remos ao mesmo tempo
e com a mesma intensidade, isso é, o ‘CRER’
e o ‘AGIR’, simultaneamente”.
O
homem, então, percebeu que as palavras do barqueiro
eram sábias, e que não se limitavam àquele
pequeno barco apenas, mas a uma forma cordata e inteligente
de conduzir as nossas vidas. Na realidade, não basta
apenas termos fé (‘CRER’), senão
o barco ficará rodando em círculos, mas as
obras são também extremamente necessárias
(‘AGIR’), para que tenhamos o movimento na direção
certa e alcancemos com segurança o nosso destino.
-
“CRER e AGIR!”, exclamou o homem ao velho barqueiro,
“impulsionar sempre os dois remos, com força
e com vontade, superando as ondas e os vendavais da vida!”.
O
barqueiro então, já esboçando em seu
rosto um sorriso de satisfação por ter conseguido
transmitir a mensagem, pergunta a seu passageiro:
-
“E você, tem ‘remado’ na sua vida
sempre com os dois remos?”.
E prosseguiu:
-
“Verifique se o barco da VERDADE está parado
no meio do caminho ou andando em círculos, pois se
este é o seu caso, é hora de tomar uma decisão
e impulsioná-lo com força e com vontade, valendo-se
sempre dos dois remos, pois fé e obras devem se mover
em paralelo. Esse é o grande segredo da boa navegação:
CRER e AGIR”.
Nesse
instante, o barco alcança a outra margem do lago,
onde havia um homem de barba, que encontrava-se sorrindo
e de braços bem abertos, prontos para abraçar,
bem apertado, o seu filho amado, tão logo ele descesse
do barco.
Ora,
sem FÉ é impossível agradar a Deus;
porque é necessário que aquele que se aproxima
de Deus
CREIA que ele existe,
e que é galardoador[*] dos que o buscam
(Hebreus 11, 6).
[*]
Nota: É doutrina padronizada do Novo Testamento
que há um galardão à espera dos justos,
como há castigo para os iníquos.
Veja também I Cor 3, 14 e II Tim 4, 8.
Porque o Filho do homem há de vir
na glória de seu Pai,
com os seus anjos;
e então retribuirá a cada um
segundo as suas OBRAS
(Mateus 16, 27).
Eu sou o caminho, e a VERDADE, e a vida;
ninguém vem ao Pai, senão por mim.
(João 14, 6)
Texto
adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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Curioso,
Não É ?
IMAGINE...
É
uma típica tarde de sexta-feira e você está
dirigindo em direção à sua casa. Começa
a sintonizar o rádio... O noticiário está
falando de coisas de pouca importância.
Numa cidadezinha distante morreram três pessoas de
uma gripe, até então totalmente desconhecida.
Você não dá muita atenção
ao tal acontecimento.
Na segunda-feira quando acorda, você escuta que já
não são mais três, mas 30.000, as pessoas
mortas pela tal gripe, nas colinas remotas da Índia.
Um grupo do Controle de Doenças dos EUA foi investigar
o caso.
Na terça-feira, essa já é a noticia
mais importante, ocupando a primeira página de todos
os jornais, porque já não é só
na Índia, mas também no Paquistão,
Irã e Afeganistão. Enfim, a notícia
se espalha pelo mundo.
Estão chamando a doença de "La Influenza
Misteriosa" e todos se perguntam: “Que faremos
para controlá-la?”.
Então, uma notícia surpreende a todos: a Europa
fecha suas fronteiras. A França não recebe
mais vôos da Índia nem de outros países
dos quais se tenham comentado de casos da tal doença.
Você está ligado em todos os meios de comunicação,
para manter-se informado da situação e de
repente ouve que uma mulher declarou que em um dos hospitais
da França, um homem está morrendo pela tal
"Influenza Misteriosa".
Começa o pânico na Europa. As informações
dizem que quando se contrai o vírus, é questão
de uma semana e nem se percebe. Em seguida, a pessoa passa
quatro dias de sintomas horríveis, seguindo-se a
morte.
A Inglaterra também fecha suas fronteiras, mas já
é tarde. No mesmo dia o presidente dos EUA fecha
também suas fronteiras para Europa e Ásia,
para evitar a entrada do vírus no país, “até
que encontrem a cura.”
No dia seguinte, as pessoas começam a se reunir nas
igrejas em oração pela descoberta da cura,
quando subitamente entra alguém na igreja, aos gritos:
“Liguem o rádio! Liguem o rádio! Duas
mulheres morreram em Nova York!!!”. Em questão
de horas, parece que a coisa invadiu o mundo inteiro.
Os cientistas continuam trabalhando na descoberta de um
antídoto, mas nada funciona. De repente, vem a noticia
esperada: “conseguiram decifrar código de DNA
do vírus. É possível fabricar o antídoto!
É preciso, para isso, conseguir sangue de alguém
que não tenha sido infectado pelo vírus.”
Corre por todo o mundo a notícia de que as pessoas
devem ir aos hospitais fazer análise e doação
de seu sangue para a fabricação do antídoto.
Você corre para doar como voluntário, junto
com toda sua família e mais alguns vizinhos, perguntando-se
o que acontecerá. “Será este o final
do mundo?”
De repente o médico sai gritando um nome, e é
o nome do menor de seus filhos; e ele está do seu
lado, agarra-se na sua jaqueta e lhe diz: “Pai, esse
é meu nome!”.
E antes que você possa raciocinar, estão levando
seu filho e você grita: “Esperem!”.
E eles respondem: “Tudo está bem! O sangue
dele está limpo, é sangue puro. Achamos que
ele tem o sangue que precisamos para o antídoto”.
Depois de cinco longos minutos, saem os médicos chorando
e rindo ao mesmo tempo. E é a primeira vez que você
vê alguém rindo em uma semana! O médico
mais velho se aproxima a você e diz: “Obrigado
Senhor! O sangue de seu filho é perfeito, está
limpo e puro, o antídoto finalmente poderá
ser fabricado”.
A notícia se espalha por todos os lados. As pessoas
estão rindo de felicidade. Nisso, o médico
aproxima-se de você e lhe diz: “Podemos falar
um momento? Não sabíamos que o doador seria
uma criança e precisamos que o Senhor assine uma
autorização para usarmos o sangue de seu filho”.
Quando você está lendo, percebe que não
colocaram a quantidade de sangue que vão usar, e
você então pergunta: “Qual a quantidade
de sangue que vão usar?”.
O sorriso do médico desaparece e ele responde: “Não
pensávamos que fosse uma criança. Não
estávamos preparados, precisamos de todo o sangue
de seu filho.”
Você
não pode acreditar no que ouve e contesta: “Mas...
mas...”
O médico insiste: “O senhor não compreende?
Estamos falando da cura para o mundo inteiro!!! Por favor,
assine! Nós precisamos de todo o sangue. O mundo
precisa!”
Você começa assinar perguntando: “Então...
Vão fazer-lhe uma transfusão?”
E a resposta vem prontamente: “Se tivéssemos
sangue puro, poderíamos. Termine de assinar! Por
favor, assine!”.
Em silêncio, e sem ao menos poder sentir o papel e
a caneta, você os entrega ao médico. Então,
lhe perguntam: “Você quer ver teu filho?”.
Levam-no na direção da sala de emergência,
onde se encontra seu filho, que está sentado na cama,
dizendo: “Papai!? O que está acontecendo?”.
Você segura na mão dele e diz: “Filho,
lembre sempre que eu o amo muito e jamais permitiria que
lhe acontecesse algo que não fosse necessário,
você está me entendendo?”.
Nisso, o médico regressa e diz: “Sinto muito
senhor, precisamos começar, pois gente do mundo inteiro
está morrendo. Saia, por favor... Pode dar as costas
ao seu filho e deixá-lo aqui?”.
E seu filho diz: “Papai? Por que você está
me abandonando?”.
Na semana seguinte, fazem uma cerimônia para honrar
o seu filho. Algumas pessoas ficam em casa dormindo, outras
não vão, porque preferem fazer um passeio
ou assistir um jogo de futebol na TV e outras vão
com um sorriso falso, como se realmente não estivessem
se importando. Com o coração explodindo, você
tem vontade de gritar:
“MEU
FILHO MORREU POR VOCÊS,
SALVOU-OS DA MORTE COM SEU SANGUE!!!
NÃO SE IMPORTAM COM ISSO?”
Talvez seja isso o que DEUS queira dizer:
“MEU
FILHO MORREU POR VOCÊS,
SALVOU-OS DA MORTE COM SEU SANGUE!!!
...E HÁ QUEM AINDA DUVIDE
DO QUANTO EU OS AMO!!!”

É
curioso e interessante como é fácil para as
pessoas
debocharem de Deus e dizer que não entendem
como o mundo caminha de mau para pior.
É
curioso como acreditamos
em tudo aquilo que lemos nos jornais,
mas questionamos as palavras de Deus.
É
curioso como todos querem ir para o céu,
mas nada fazem para merecê-lo.
É
curioso como as pessoas dizem:
"Eu creio em Deus!",
mas com suas ações, mostram totalmente o contrário.
É
curioso como conseguimos enviar
centenas de piadas através de um correio eletrônico,
mas quando recebemos uma mensagem a respeito de Deus,
pensamos duas vezes,
e na maioria das ocasiões
não mandamos para ninguém.
É
curioso como a maldade e a malícia
nua e crua, vulgar e obscena
passa livremente através do espaço eletrônico,
mas a discussão pública de DEUS,
é suprimida nas escolas,
nos locais de trabalho e
entre vizinhos.
CURIOSO,
NÃO É ?
Mais
curioso ainda é ver
como alguém pode estar tão aceso por DEUS
no domingo
e ser um cristão invisível pelo resto da semana,
isto quando não se é apagado de domingo à
domingo.
O
mais curioso ainda é que
quando você terminar de ler esta mensagem,
não enviará à todos os que estão
em sua lista de endereços,
porque você não está bem certo
daquilo que eles crêem
do que vão pensar de sua atitude.
Não
se detenha em enviá-la!
É
curioso como nos preocupamos
com o que as pessoas pensam de nós,
mas não nos preocupamos com aquilo
que DEUS possa pensar!!!!
"Não
diga a Deus que você tem um grande problema.
Diga ao problema que você tem um grande Deus".
Texto
adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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Deixe
a Raiva Secar
Mariana ficou toda feliz porque ganhou de presente um joguinho
de chá, todo azulzinho, com bolinhas amarelas.
No
dia seguinte, Júlia, sua amiguinha, veio bem cedo
convidá-la para brincar. Mariana não podia
porque ia sair com sua mãe naquela manhã.
Júlia, então, pediu à coleguinha que
lhe emprestasse o seu conjuntinho de chá para que
ela pudesse brincar sozinha na garagem do prédio.
Mariana não queria emprestar, mas, com a insistência
da amiga, resolveu ceder, fazendo questão de demonstrar
todo o seu ciúme por aquele brinquedo tão
especial.
Ao
regressar do passeio, Mariana ficou chocada ao ver o seu
conjuntinho de chá jogado no chão. Faltavam
algumas xícaras e a bandejinha estava toda quebrada.
Chorando e muito nervosa, Mariana desabafou:
-
Está vendo, mamãe, o que a Júlia fez
comigo? Emprestei o meu brinquedo, ela estragou tudo e ainda
deixou jogado no chão.

Totalmente
descontrolada, Mariana queria, porque queria, ir ao apartamento
de Júlia pedir explicações. Mas a mamãe,
com muito carinho, ponderou:
-
Filhinha, lembra daquele dia quando você saiu com
seu vestido novo todo branquinho e um carro, passando, jogou
lama em sua roupa? Ao chegar à sua casa você
queria lavar imediatamente aquela sujeira, mas a vovó
não deixou. Você lembra do que a vovó
falou?
-
Ela falou que era para deixar o barro secar primeiro. Depois
ficava mais fácil limpar.
-
Pois é, minha filha! Com a raiva é a mesma
coisa. Deixa a raiva secar primeiro. Depois fica bem mais
fácil resolver tudo.
Mariana
não entendeu muito bem, mas resolveu ir para a sala
ver televisão.
Logo
depois alguém tocou a campainha. Era Júlia,
toda sem graça, com um embrulho na mão. Sem
que houvesse tempo para qualquer pergunta, ela foi falando:
-
Mariana, sabe aquele menino mau da outra rua que fica correndo
atrás da gente? Ele veio querendo brincar comigo
e eu não deixei. Aí ele ficou bravo e estragou
o brinquedo que você havia me emprestado. Quando eu
contei para a mamãe ela ficou preocupada e foi correndo
comprar outro brinquedo igualzinho para você. Espero
que você não fique com raiva de mim. Não
foi minha culpa.
-
Não tem problema, disse Mariana, minha raiva já
secou. E, tomando a sua coleguinha pela mão, levou-a
para o quarto para contar a história do vestido novo
que havia sujado de barro.
Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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Descubra
a Felicidade!
“Pois
é dando que se recebe”
(São Francisco de Assis).
Certo dia, um menino pediu-me uns trocados.
Não
sei por que motivo, mas algo me impulsionou, naquele momento,
a dar mais dinheiro para aquele garoto do que as moedinhas
que costumo oferecer aos pedintes. Entreguei-lhe uma nota
de vinte reais, e quando ele a viu, começou a literalmente
pular de alegria, passando a gritar:
-
“Finalmente! Finalmente vou poder ir à escola,
pois agora tenho o suficiente para comprar meu material
escolar! Finalmente! Agora vou para a escola!”.
Quase
um ano se passou desde aquele dia. Muito provavelmente,
aquele garoto já esqueceu de mim, ou da nota de vinte
reais. Mas aquela cena do menino saltitando de felicidade,
jamais me sairá da memória.
E
é isso que de fato ocorre, sempre que deixamos de
agir por interesse próprio, e nos voltamos para os
outros. Todas as vezes que fazemos alguma coisa para benefício
e proveito de outra pessoa, sem que esperemos com aquilo
qualquer retorno para nós mesmos, tomamos contato,
na prática, com uma antiga sabedoria Cristã:
de que a alegria de quem doa é infinitamente maior
do que a de quem recebe.
Se
você está em dificuldades financeiras, ajude
alguma pessoa a ganhar dinheiro.
Se
você está triste, colabore para que alguém
seja feliz.
Se você possui qualquer problema, auxilie uma pessoa
a superar os problemas dela.
Pois estender a sua mão ao próximo é
a mais bela oração que você pode oferecer
a Deus. E você constatará que Ele ouvirá
as suas preces (Pv 15,29; I Pe 3,12), dará novo rumo
à sua vida (Pv 3,6; Sl 25,9) e satisfará os
desejos de seu coração (Sl 37,4; I Jo 5,14-15).

ORAÇÃO:
Senhor Jesus, fazei-nos entender que nos doando, generosa
e gratuitamente,
receberemos com abundância tudo o que precisamos.
Que possamos orientar nossas vidas pela generosidade,
que nos devolverá sempre mais compreensão,
mais acolhida e mais amor.
Amém!
Texto e oração escritos por
Marcos de Lacerda Pessoa
e publicados no jornal “O Capuchinho”,
Curitiba – PR, abril de 2005.
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Desculpe,
foi Engano!
Este
texto é sobre um rapaz que tinha muitos problemas.
Constantemente,
em suas orações, ele pedia que Jesus viesse
visitá-lo no seu sofrimento.
Um
dia, Jesus bateu a sua porta, ele maravilhado, convidou-o
a entrar, e Jesus sentou-se no sofá da sala.

Na
mesinha de centro encontrava-se uma Bíblia aberta
no Salmo 91. Numa das paredes estava pendurado um bordado
com o Salmo 23 e na outra um quadro da santa ceia.
"Senhor
Jesus", disse o jovem, "em primeiro lugar gostaria
de dizer que é uma honra recebê-lo em minha
casa, conforme o Senhor deve saber, estou passando por algumas
dificuldades e preciso muito da Sua ajuda...".
"Filho",
interrompeu Jesus, "antes de conversarmos sobre os
seus pedidos, gostaria de conhecer sua casa. Onde é
o lugar que você dorme?".
No
mesmo instante o rapaz se lembrou que guardava, no quarto,
umas revistas terríveis e se apressou em dar uma
desculpa:
"Não,
Jesus, lá não! Meu quarto não está
arrumado!".
"Bem",
disse Jesus, "e a cozinha, posso conhecer sua cozinha?".
O
rapaz lembrou que na cozinha havia algumas garrafas de bebida
que ele não gostaria que Jesus visse.
"Senhor,
desculpe, mas prefiro que não", respondeu o
rapaz, "a minha cozinha está vazia, não
tenho nada de bom para oferecê-lo".
Neste
instante, um barulho forte interrompe a conversa.
Pam,
pam, pam!... Era alguém que batia furiosamente na
porta, o rapaz se levantou, assustado, e foi ver quem era.
Abriu
a porta meio desconfiado, e viu que era o diabo.
"Sai
da frente que eu quero entrar!", gritou o tentador.
"De
jeito nenhum", respondeu o rapaz, e assim começou
a briga. Com muita dificuldade o homem conseguiu empurrar
o diabo e fechar a porta.
Cansado,
o rapaz voltou para sala e continuou:
"Então,
Jesus", disse ele, "como eu estava falando com
o Senhor, estou precisando de tantas coisas...".
Mas,
outra vez a conversa é interrompida por um barulho
forte que vinha da janela do quarto. O rapaz correu para
ver quem era e ao abri-la se deparou, novamente, com o diabo:
"Agora
não tem jeito, eu vou entrar!", disse o inimigo.
Mais
uma vez o rapaz se debateu com ele e conseguiu trancar a
janela.
"Senhor",
disse ele, "desculpe a interrupção, conforme
lhe dizia..."
Outra
vez, dos fundos da casa, se ouvia tamanho barulho como se
alguém quisesse arrombar a porta, era novamente o
diabo:
"Eu
quero entrar!"
O
rapaz, já exausto, lutou com ele e conseguiu mantê-lo
do lado de fora.
Ao
voltar, contrariado, disse a Jesus:
"Eu
não entendo. O Senhor está na minha casa e
por que o diabo fica insistindo em entrar?"
"Sabe
o que é meu filho", explicou Jesus, "é
que na sua casa você só me deu a sala".
O
rapaz humildemente entendeu a lição de Jesus
e fez uma faxina na casa para entregá-la aos cuidados
do Senhor.
Neste
instante, o diabo bateu mais uma vez à porta.
O
rapaz olhou para Jesus sem entender, e Jesus disse:
"Deixa
que eu vou atender."
Quando
o diabo viu que era Jesus, que atendia a porta, disse:
"Desculpe,
foi engano", e sumiu rapidinho.
Muitas vezes, é assim que acontece com o nosso coração.
Entregamos a Jesus só uma parte dele,
apenas a sala, ficando as dúvidas a morar no quarto,
o descaso na cozinha, o medo na varanda,
então lutamos e não vencemos
porque a casa está dividida.

Jesus
está batendo sempre à sua porta.
Cabe a você abri-la.
Mas quando o fizer,
ofereça-Lhe a sua casa
POR INTEIRO!
Texto
adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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Deus
Responde às Nossas Orações?
Padre
Natálio, com 74 anos de idade, era um homem de grande
fé.
Seus magníficos sermões arrastavam milhares
de fiéis à igreja, localizada em uma pequena
cidade litorânea no nordeste brasileiro. Além
disso, Padre Natálio havia começado naquela
cidadezinha uma importante obra de evangelização.
Seguidas vezes, o padre falava a seus paroquianos que seu
grande sonho era conhecer Nápoles, terra onde seus
pais haviam nascido, e também o Vaticano, sede da
Igreja Católica. Dizia que orava muito para que,
um dia, Deus o permitisse visitar aqueles lugares.
Eu uma bela manhã de domingo, Padre Natálio
teve uma das maiores surpresas de sua vida: no final de
uma Missa, um dos paroquianos, que era proprietário
de uma agência de turismo, deu-lhe de presente uma
viagem de navio até o porto de Nápoles, com
direito a conhecer o Vaticano.
Durante a travessia do navio pelo oceano, Padre Natálio
foi convidado a fazer um sermão, pela manhã,
aos passageiros da primeira classe. E a pedido do capitão,
o tema do sermão deveria ser “Deus responde
às nossas orações”.
Um jovem ateu, que assistiu ao brilhante sermão,
no final do mesmo sussurrou para alguém que estava
ao seu lado: - “Não acreditei em uma única
palavra do que esse padre disse!...”.
No mesmo dia, à tarde, Padre Natálio foi fazer
um sermão aos passageiros da classe econômica.
Muitas pessoas que já haviam assistido ao sermão
da manhã retornaram à tarde, inclusive o ateu
que disse que queria “ouvir o que aquele loroteiro
iria dizer”.
Antes do início do sermão, o ateu colocou
duas laranjas em seus bolsos. No caminho, ele passou por
uma senhora que estava recostada em uma cadeira reclinável,
tirando uma soneca. Em espírito de brincadeira, o
ateu colocou as laranjas nas palmas das mãos da senhora,
as quais estavam estendidas para cima.
Ao sair do sermão do Padre Natálio, o ateu
deparou-se novamente com a senhora, que estava alegremente
saboreando uma das frutas. - “A senhora parece estar
gostando da laranja!” falou a ela, com um sorriso
maroto no rosto.
- “Sim senhor!”, respondeu ela, “meu Pai
é sempre muito generoso para comigo”.
- “Seu pai?” disse o ateu em tom de surpresa,
“não me leve a mal, mas certamente o seu pai
não está mais vivo!”.
- “Ele está, e muito vivo!”, disse-lhe
a senhora com grande firmeza e segurança.
- “Como é que pode?” perguntou o ateu.
Ela então explicou:
- “Eu vou lhe contar, meu jovem: nesta viagem, já
tenho estado enjoada há vários dias. Eu estava
então pedindo a Deus que me mandasse uma laranja.
Mas acho que adormeci quando orava. Quando acordei, porém,
verifiquei que Ele não havia me mandado simplesmente
uma laranja, mas duas!”.
O ateu engoliu em seco. Logo em seguida, pensativo, retirou-se
daquele local. Mais tarde, o ateu procurou o Padre Natálio,
e após meia hora de conversa, converteu-se ao Cristianismo.
Sim, Deus responde às nossas orações!
(Jo 14,13; Mc 11,24; Jo 16,24; Mt 6,6).
Padre
Natálio Montalbini teve seus sonhos realizados: visitou
Nápoles, onde encontrou tios e primos que nunca tinha
visto anteriormente. E percorreu o Vaticano por dois dias
inteiros. Três semanas após retornar ao Brasil,
faleceu serenamente no leito de seu quarto.
O
ex-ateu chama-se Luis dos Remédios. Dois anos após
o falecimento do Padre Natálio, Luis dos Remédios
já havia estendido a obra de evangelização
do padre Natálio para 12 outros municípios
do nordeste brasileiro.

FOTO: Padre Natálio Montalbini (1927-2001)
sendo abraçado pela filha de um pescador.
A foto foi tirada em 1990, em Portinho-PI.
Texto escrito por
Marcos de Lacerda Pessoa
em dezembro de 2005.
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Encontrei
um Anjo
Dia desses eu estava sentado numa sala de espera aguardando
a minha vez para cortar o cabelo, com o Toninho, da Super
Quadra Tupã.
Estava
muito distraído, lendo uma daquelas revistas que
sempre tem em sala de espera,quando adentrou uma menina,
linda, magra, muito branquinha e aparentemente,de uns sete
anos de idade. Ela usava um arco a lhe prender os cabelos
finos e lisos que iam até os ombros, roupas que denunciavam
a origem pobre, mas que também mostravam um cuidado
materno especial, pois estavam muito limpas e cheirosas.
Era
uma criança impossível de não ser notada,
sorriso aberto, carisma à flor da pele e trazia numa
das mãos um cartão de loteria instantânea,
dessas conhecidas como "raspadinha".
Já
completamente cativado não me preocupei em disfarçar
o meu encanto e fiquei ali torcendo para que ela me dirigisse
a palavra.
Era como se eu soubesse que algo especial estava para acontecer.
- O senhor compra pra ajudar? É dez real...
- Reais, disse eu para ver a reação dela.
- É mesmo.Minha mãe sempre me corrige: dez
reais. Mas o senhor compra?
A minha vontade era comprar o cartão, mas não
queria acabar logo com a conversa e continuei:
- Depende... Pra ajudar o quê?
- É pra ajudar a gente lá em casa. Meu pai
tá desempregado e a minha mãe ta muito doente.
Eu tô vendendo essa raspadinha aqui pra poder comprar
leite pro meu irmãozinho. Ele tem dois anos e meio.
A essa altura eu já tinha certeza de que compraria
o cartão.
Não que me comovesse além do normal com essa
história tão comum do nosso sofrido povo brasileiro.
Era puro encantamento com aquela menina.
- Como é o seu nome?
- Amanda... Nossa! Como o senhor ficou vermelho!
- É que eu tive uma filha que se chamava Amanda...
A última lembrança que eu tenho dela, ela
era assim como você... Sabe? Em todo lugar que eu
vou eu sempre encontro uma Amanda.
- Onde tá a sua filha agora?
- Ela morreu num acidente faz algum tempo. Talvez ela esteja
"vendendo cartões" no céu pra ajudar
lá em casa.
- O senhor ficou triste, né? Desculpa...
- Não, eu não estou triste. Mas o que é
que a sua mãe tem?
- Eu não sei dizer não senhor. Mas o meu pai
vive chorando escondido. Ele bem que tenta disfarçar.
Eu também finjo que não noto, mas eu sei que
ele ta chorando. Eu não gosto de ver meu pai chorando...
O senhor vai comprar, não vai? Eu vou contar um segredo:
este cartão aqui está premiado, sabia?
-É? Onde você conseguiu este cartão?
E como você sabe que ele está premiado?
- Foi um anjo que desceu lá do céu e me deu
ele pra eu vender. Ele disse que é um cartão
premiado.
-
Um anjo?
- É! Por quê? O senhor não acredita?
- Acredito sim. Mas se o anjo lhe deu o cartão e
disse que é premiado, por que você o está
vendendo? Por que você não raspa ele e fica
com o prêmio? Assim você vai poder ajudar toda
a sua família, a sua mãe...
- Mas eu não posso ficar com ele não senhor.
- Por que não?
- O anjo me disse que era pra eu vender por dez real.
- Reais!
- É. Por dez reais. E que não era pra eu raspar
ele senão eu estaria sendo gananciosa. Eu não
sei o que quer dizer essa palavra "gananciosa",
o senhor sabe?
- Eu também não sei não.Esse anjo fala
muito difícil... Mas eu tenho certeza que você
não é isso não...
- Ele falou que eu tinha de dar a sorte pra alguém
que eu encontrasse e que eu gostasse, e eu gostei do senhor.
O senhor compra?
- Como você sabia que era um anjo de verdade?
- Ele tinha duas asas bem grandes e desceu voando lá
do céu.
- Como era o nome dele?
- Ele não falou o nome dele não senhor.
- E você não perguntou?
- Se o senhor visse um anjo o senhor ia ficar fazendo pergunta?
Eu fiquei foi mudinha.
- E por que esse anjo apareceu logo pra você?
- É que eu estava rezando pro menino Jesus, pedindo
pro meu pai arranjar um emprego e pedindo pra Ele curar
a minha mãe, então o anjo apareceu pra mim.
- Ele disse que se eu vendesse esse cartão que ele
me deu, por dez real
- Reais!
- É, reais... Se eu vendesse, Jesus já tinha
autorizado ele a curar a minha mãe e a arranjar um
emprego pro meu pai, mas, que se eu ficasse com o cartão
só ia acontecer coisa ruim.
- Então se eu comprar o cartão que o anjo
deu pra você, só vai me acontecer coisa ruim?
- Não.O senhor não entendeu. Eu é que
não posso ficar com o cartão. A pessoa que
comprar ele, vai tá sendo boa e vai tá acreditando
no anjo. Então, pra quem comprar, só vai acontecer
coisa boa. O senhor vai receber o prêmio e não
vai mais ser triste.
- Quem disse pra você que eu sou triste?
- Os seus olhos e o seu jeito de falar. O senhor parece
uma pessoa triste, sabia?
- Sabia... Tá bom. Eu compro o seu cartão.
Deixando escapar um breve suspiro, Amanda agarrou os dez
"real" e, num gesto que me deixou surpreso e muito
feliz, me deu um beijo no rosto.
Ela parou na minha frente e ficou olhando eu guardar o cartão
no bolso, com um sorriso bobo nos meus lábios. Um
tanto decepcionada ela perguntou:
- O senhor não vai raspar pra ver se está
mesmo premiado?
- Não. Eu tenho certeza de que está.
- Mas se o senhor não raspar não vai poder
receber o prêmio.
- Eu já recebi quando você entrou aqui.
- Eu não entendi o que o senhor quis dizer.
-
Mas o seu anjo entendeu, minha filha. O seu anjo entendeu,
meu anjo...
Ela foi embora meio que desconfiada, olhou pra trás
algumas vezes e eu nunca mais a vi.
Sempre que volto ao Toninho, ou paro na Super Quadra para
alguma coisa, corro os olhos pelas calçadas. Tenho
certeza de que a verei um dia. Quero saber se sua mãe
está melhor e se seu pai já "arranjou"
um emprego. Quanto ao cartão, eu ainda não
me atrevi a raspá-lo e creio que nunca o farei. Gosto
de acreditar que sou o único homem no mundo que ganhou
um cartão de loteria premiado, dado por um anjo e
trazido por outro.
Quanto ao prêmio, penso que não pode haver
um mais valioso do que esta História toda.
Este
texto foi escrito por um senhor,
de nome Robson,
que mora em Londrina, Paraná,
e que perdeu sua filha Amanda
–de 3 anos–
no mar, durante as férias.
Texto
adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO.
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