A
Arma do Amor
Há
muito tempo atrás, uma menina chamada Yang se casou
e foi viver com o marido e a sogra. Depois de alguns dias,
passou a não se entender com a sogra. As personalidades
delas eram muito diferentes, e Yang foi se irritando com
os hábitos da sogra que freqüentemente a criticava.
Meses se passaram e Yang e sua sogra cada vez discutiam
e brigavam mais.

De
acordo com antiga tradição chinesa a nora
tinha que se curvar para a sogra e a obedecer em tudo.
Yang já não suportando mais conviver com a
sogra, decidiu tomar uma atitude e foi visitar um amigo
de seu pai, que a ouviu e, depois, com um pacote de ervas
lhe disse:
_ Você não poderá usá-las de
uma só vez para se libertar de sua sogra porque isso
causaria suspeitas. Vou lhe dar várias ervas que
irão lentamente envenenando sua sogra. A cada dois
dias ponha um pouco destas ervas na comida dela. Agora,
para ter certeza de que ninguém suspeitará
de você quando ela morrer, você deve ter muito
cuidado e agir de forma muito amigável. Não
discuta o que eu digo e ajudarei a resolver seu problema;
mas você tem que me escutar e seguir todas as instruções
que eu lhe der.
Yang respondeu:
_ Sim, Sr. Huang, eu farei tudo o que o que o senhor me
pedir.
Yang ficou muito contente, agradeceu ao Sr. Huang e voltou
apressada para casa para começar o projeto de assassinar
a sua sogra. Semanas se passaram, e a cada dois dias Yang
servia a comida "especialmente tratada" à
sua sogra. Ela sempre lembrava do que Sr. Huang tinha recomendado
sobre evitar suspeitas, e assim ela controlou o seu temperamento,
obedeceu a sogra e a tratou como se fosse sua própria
mãe.
Depois de seis meses a casa inteira estava com outro astral.
Yang tinha controlado o seu temperamento e quase nunca se
aborrecia. Nesses seis meses não tinha tido nenhuma
discussão com a sogra, que agora parecia muito mais
amável e mais fácil de lidar. As atitudes
da sogra também mudaram e elas passaram a se tratar
como mãe e filha. Um dia Yang foi novamente procurar
o Sr. Huang para pedir-lhe ajuda e disse:
_ Querido Sr. Huang, por favor, me ajude a evitar que o
veneno mate minha sogra! Ela se transformou numa mulher
agradável e eu a amo como se fosse minha mãe.
Não quero que ela morra por causa do veneno que eu
lhe dei. O Sr. Huang sorriu, acenou com a cabeça
e disse:
_ Yang, não precisa se preocupar. As ervas que eu
dei eram vitaminas para melhorar a saúde dela. O
veneno estava na sua mente e na sua atitude, mas foi jogado
fora e substituído pelo amor que você passou
a dar a ela. Na China existe uma regra dourada que diz:
"A
pessoa que ama os outros também será amada."
Na
grande parte das vezes recebemos das outras pessoas o que
damos a elas, então...
...LEMBRE-SE
SEMPRE:
O
plantio é opcional.
A colheita é obrigatória.
Por isso cuidado com o que planta!!!
Texto
adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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A
Avó de Jéssica:
[Uma Vida de Amor]
O
que o homem semear, isso colherá.
(Gálatas 6:7)
Quando Jéssica veio ao mundo, trazia a cabeça
amassada e os traços deformados, devido ao parto
difícil vivido por sua mãe. Todos a olhavam
e faziam careta, dizendo que ela se parecia com um lutador
de box espancado. Todos tinham a mesma reação,
menos a sua avó. Quando a viu, a tomou nos braços,
e seus olhos brilharam. Olhou para aquele bebê, sua
primeira netinha e, emocionada, falou: “linda!”.
No transcorrer do desenvolvimento daquela sua primeira netinha,
ela estaria sempre presente. E um amor mútuo, profundo,
passou a ser compartilhado.
Anos depois, quando a avó de Jéssica foi diagnosticada
como possuindo o Mal de Alzheimer, toda a família
se tornou especialista no assunto. Parecia que, aos poucos,
a vózinha ia se despedindo. Ou eles a estavam perdendo.
Começou a falar em fragmentos. Depois, o número
de palavras foi ficando sempre menor, até não
dizer mais nada. Uma semana antes de morrer, seu corpo perdeu
todas as funções vitais e ela foi removida,
a conselho médico, para uma clínica de doentes
terminais. Jéssica insistiu para ir vê-la.
Ela entrou no quarto onde a avó estava e a viu deitada
na cama, com seus óculos ao rosto, embora estes já
não lhe servissem mais, pois ela não conseguia
abrir os olhos.
O corpo estava debilitado, a boca entreaberta e mole. Uma
grande dose de morfina a mantinha adormecida. Lentamente,
Jéssica se sentou à sua frente. Tomou a sua
mão esquerda e a segurou. Afastou daquele rosto amado
uma mecha de cabelos brancos e ficou ali, sentada, sem se
mover, incapaz de dizer coisa alguma.

Desejava
falar, mas a tristeza que a dominava era tamanha, que não
a conseguia controlar. Então, aconteceu... A mão
da avó foi se fechando em torno da mão da
neta, apertando mais e mais. O que parecia ser um pequeno
gemido se transformou em um som, e de sua boca saiu uma
palavra: “Jéssica”. A garota tremeu.
O seu nome. A avó tinha quatro filhos, dois genros,
uma nora e seis netos. Como ela sabia que era ela?
Naquele momento, a impressão que Jéssica teve
foi que um filme era exibido em sua cabeça. Viu e
reviu sua avó nos 14 recitais de dança em
que ela se apresentou. Viu-a sapateando na cozinha, com
ela. Brincando com os netos, enquanto os demais adultos
faziam a ceia na sala grande. Viu-a, sentada ao seu lado,
no Natal, admirando a árvore decorada com enfeites
luminosos. Então Jéssica olhou para a avó,
ali, e vendo em que se transformara aquela mulher, sua garganta
ficou apertada, e ela chorou.
Deu-se conta que ela não assistiria ao seu último
recital de dança, nem voltaria a torcer com ela no
próximo campeonato mundial de futebol. Nunca mais
poderia se sentar a seu lado, para admirar a árvore
de Natal. Não a veria toda arrumada para o baile
de sua formatura, ao final daquele ano. Não estaria
presente no seu casamento, nem quando seu primeiro filho
nascesse. As lágrimas corriam abundantes pela sua
face. Acima de tudo, chorava porque finalmente compreendia
a história que haviam lhe contado: de como a avó
havia se sentido no dia em que ela nascera.
A avó olhara ‘através’ da sua
aparência, enxergara ‘lá dentro’,
e vira uma vida. Então, lentamente, Jéssica
soltou a mão da avó e enxugou as lágrimas
que molhavam o seu rosto. Ficou de pé, inclinou-se
para a frente e a beijou. Num sussurro, disse para a avó:
“linda!”.
O
amor... não é invejoso;
o amor não se vangloria, não se ensoberbece...
não busca os seus próprios interesses...
não suspeita mal;
não se regozija com a injustiça,
mas se regozija com a verdade;
tudo sofre, tudo crê,
tudo espera, tudo suporta.
O
amor jamais acaba.
Porque
agora vemos como por espelho, em enigma,
mas então veremos face a face;
agora conheço em parte, mas então conhecerei
plenamente,
como também sou plenamente conhecido.
Agora,
pois, permanecem
a fé, a esperança, o amor, estes três;
mas o maior destes é o amor.
(I
Corintios 13)
Texto
adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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A Bailarina
Desde
pequena Svetlana só tinha conhecido uma paixão:
dançar e sonhar em ser uma Gran Ballerina do Bolshoi
Ballet. Seus pais haviam desistido de lhe exigir empenho
em qualquer outra atividade. Os rapazes já haviam
se resignado: o coração de Svetlana tinha
lugar para somente uma paixão e tudo mais era sacrificado
pelo dia em que se tornaria a Bailarina do Bolshoi. Haviam
criado um apelido especial para ela : lankina que no antigo
dialeto queria dizer "a que flutua". Era uma forma
carinhosa de brincar com a bela e talentosa Svetlana pois
a palavra também podia significar "a que divaga",
ou "que sonha acordada".
Um dia, Svetlana teve sua grande chance. Conseguira uma
audiência com Sergei Davidovitch, Ballet Master do
Bolshoi, que estava selecionando aspirantes para a Companhia.
Dançou como se fosse seu último dia na Terra.
Colocou tudo que sentia e que aprendera em cada movimento,
como se uma vida inteira pudesse ser contada em um único
compasso. Ao final, aproximou-se do Ballet Master e lhe
perguntou:
"Então, o Sr. acha que eu posso me tornar uma
Gran Ballerina?"
Na longa viagem de volta a sua aldeia, Svetlana, em meio
as lagrimas, imaginou que nunca mais aquele "Não"
deixaria de reverberar em sua mente. Meses se passaram até
que pudesse novamente calçar uma sapatilha . Ou fazer
seu alongamento frente ao espelho.

Dez
anos mais tarde Svetlana, já uma estimada professora
de ballet, criou coragem de ir a performance anual do Bolshoi
em sua região. Sentou-se bem a frente e notou que
o Sr. Davidovitch ainda era o Ballet Master. Após
o concerto, aproximou-se do cavalheiro e lhe contou o quanto
ela queria ter sido bailarina do Bolshoi e quanto doera,
anos atrás, ouvir-lhe dizer que não seria
capaz.
"Mas minha filha, eu digo isso a todas as aspirantes"
respondeu o Sr. Davidovitch. "Como o Sr. poderia cometer
uma injustiça dessas? Eu dediquei toda minha vida!
Todos diziam que eu tinha o dom. Eu poderia ter sido uma
Gran Ballerina se não fosse o descaso com que o Sr.
me avaliou!"
Havia solidariedade e compreensão na voz do Master,
mas não hesitou ao responder: "Perdoe-me, minha
filha, mas você nunca poderia ter sido grande o suficiente,
se você foi capaz de abandonar seu sonho pela opinião
de outra pessoa."
Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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A Carteira
(UMA
HISTÓRIA DE PAIXÃO VERDADEIRA)
Eu
retornava para casa, em um dia muito frio, quando tropecei
em uma carteira.

Procurei
por ‘algum meio’ de identificar o dono. Mas
a carteira só continha três dólares
e uma carta amassada, que parecia ter ficado ali por muitos
anos. No envelope, muito sujo, a única coisa legível
era o endereço do remetente. Comecei a ler a carta
tentando achar alguma dica. Então eu vi pelo cabeçalho
que ela tinha sido escrita há quase sessenta anos
atrás. A letra era bonita e feminina, em tinta azul
claro, e no canto esquerdo do papel havia uma flor. A carta
dizia que sua mãe a havia proibido de se encontrar
com Michael mas ela escrevia a carta para dizer que sempre
o amaria. Assinado... Hannah.
Era uma carta bonita, mas não havia nenhum modo,
com exceção do nome Michael, de identificar
o dono. Entrei em contato com a companhia telefônica,
expliquei o problema ao operador e lhe pedi o número
do telefone no endereço que havia no envelope. O
operador disse que havia um telefone mas não poderia
me dar o número. Por sua própria sugestão,
entrou em contato com o número, explicou a situação
e fez uma conexão daquele telefone comigo. Eu perguntei
à senhora do outro lado, se ela conhecia alguém
chamada Hannah. Ela ofegou e respondeu:
_ "Oh! Nós compramos esta casa de uma família
que tinha uma filha chamada Hannah. Mas isto foi há
30 anos!"
_ "E você saberia onde aquela família
pode ser localizada agora?", eu perguntei.
_ "Do que me lembro, aquela Hannah teve que colocar
sua mãe em um asilo alguns anos atrás",
disse a mulher. "Talvez se você entrar em contato
eles possam informar".
Ela me deu o nome do asilo e eu liguei. Eles me contaram
que a velha senhora tinha falecido alguns anos atrás,
mas eles tinham um número de telefone onde acreditavam
que a filha poderia estar vivendo. Eu lhes agradeci e telefonei.
A mulher que respondeu explicou que aquela Hannah estava
morando agora em um asilo. A coisa toda começa a
parecer estúpida, pensei comigo mesmo. Para que estava
fazendo aquele movimento todo só para achar o dono
de uma carteira que tinha apenas três dólares
e uma carta com quase 60 anos? Apesar disso, liguei para
o asilo no qual era suposto que Hannah estava vivendo e
o homem que atendeu me falou:
_ "Sim, a Hannah está morando conosco."
Embora já passasse das 10 da noite, eu perguntei
se poderia ir para vê-la.
_ "Bem", ele disse hesitante, "se você
quiser se arriscar, ela poderá estar na sala assistindo
a televisão".
Eu agradeci e corri para o asilo. A enfermeira noturna e
um guarda me cumprimentaram à porta. Fomos até
o terceiro andar. Na sala, a enfermeira me apresentou a
Hannah. Era uma doçura, cabelo prateado com um sorriso
calmo e um brilho no olhar. Falei a ela sobre a carteira
e mostrei-lhe a carta. Assim que viu o papel de carta com
aquela pequena flor à esquerda, ela respirou fundo
e disse:
_ "Esta carta foi o último contato que tive
com Michael."
Ela pausou um momento em pensamento e então disse
suavemente:
_ "Eu o amei muito. Mas na ocasião eu tinha
só 16 anos e minha mãe achava que eu era muito
jovem. Oh, ele era tão bonito... Ele se parecia com
Sean Connery, o ator."
_ "Sim", ela continuou, "Michael Goldstein
era uma pessoa maravilhosa. Se você o achar, lhe fale
que eu penso freqüentemente nele. E..." ela hesitou
por um momento, e quase mordendo o lábio, "
fale para ele que eu ainda o amo. Você sabe...",
ela disse sorrindo com lágrimas que começaram
a rolar em seus olhos, "eu nunca me casei. Eu jamais
encontrei alguém que correspondesse ao Michael."
Eu
agradeci a Hannah e disse adeus. Quando passava pela porta
da saída, o guarda perguntou:
_ "A velha senhora conseguiu lhe ajudar?"
_ "Pelo menos agora eu tenho um sobrenome. Mas eu acho
que vou deixar isto para depois. Eu passei quase o dia inteiro
tentando achar o dono desta carteira".
Quando o guarda viu a carteira, ele disse:
_ "Ei, espere um minuto! Isto é a carteira do
Sr. Goldstein. Eu a reconheceria em qualquer lugar. Ele
está sempre perdendo a carteira. Eu devo tê-la
achado pelos corredores ao menos três vezes."
_ "Quem é Sr. Goldstein?", eu perguntei
com minha mão começando a tremer.
_ "Ele é um dos idosos do oitavo andar. Isso
é a carteira de Mike Goldstein, sem dúvida.
Ele deve ter perdido em um de seus passeios."
Agradeci o guarda, corri ao escritório da enfermeira
e lhe falei sobre o que o guarda tinha dito. Nós
voltamos para o elevador e subimos. No oitavo andar, a enfermeira
disse:
_ "Acho que ele ainda está acordado. Ele gosta
de ler à noite. Ele é um homem bem velho."
Fomos até o único quarto que ainda tinha luz
e havia um homem lendo um livro. A enfermeira foi até
ele e perguntou se ele tinha perdido a carteira. O Sr. Goldstein
olhou com surpresa, pondo a mão no bolso de trás
e disse:
_ "Oh, está perdida!"
_ "Este amável cavalheiro achou uma carteira
e nós queremos saber se é sua?"
Entreguei a carteira ao Sr. Goldstein, ele sorriu com alívio
e disse:
_ "Sim, é minha! Devo ter derrubado hoje a tarde.
Eu quero lhe dar uma recompensa."
_ "Não, obrigado", eu disse. "Mas
eu tenho que lhe contar algo. Eu li a carta na esperança
de descobrir o dono da carteira".
O sorriso em seu rosto desapareceu de repente.
_ "Você leu a carta?"
_ "Não só li, como eu acho que sei onde
a Hannah está".
Ele ficou pálido de repente.
_ "Hannah? Você sabe onde ela está? Como
ela está? É ainda tão bonita quanto
era? Por favor, por favor me fale", ele implorou.
_ "Ela está bem... É bonita da mesma
maneira como quando o senhor a conheceu", eu disse
suavemente.
O homem sorriu e perguntou:
_ "Você pode me falar onde ela está? Quero
chamá-la amanhã mesmo." Ele agarrou minha
mão e disse: "Eu estava tão apaixonado
por aquela menina que quando aquela carta chegou, minha
vida literalmente terminou. Eu nunca me casei. Eu sempre
a amei."
_ "Sr. Goldstein", eu disse, "Venha comigo."
Fomos de elevador até o terceiro andar. Atravessamos
o corredor até a sala onde Hannah estava assistindo
televisão. A enfermeira caminhou até ela,
"Hannah..." ela disse suavemente, enquanto apontava
para Michael que estava esperando comigo na entrada.
_ "...Você conhece este homem?"
Ela ajeitou os óculos, olhou por um momento, mas
não disse uma palavra.
Michael disse suavemente, quase em um sussurro:
_"Hannah, é o Michael. Lembra-se de mim?"
_ "Michael! Eu não acredito nisto! Michael!
É você! Meu Michael!"
Ele caminhou lentamente até ela e se abraçaram.
A enfermeira e eu partimos com lágrimas rolando em
nossas faces.
_ "Veja...", eu disse. "...Veja como o bom
Deus trabalha! Se tem que ser, será!".
Aproximadamente três semanas depois eu recebi uma
chamada do asilo em meu escritório.
_ "Você pode vir no domingo para assistir a um
casamento? O Michael e Hannah vão se amarrar"!
Foi um casamento bonito, com todas as pessoas do asilo devidamente
vestidos para a celebração. Hannah usou um
vestido bege claro e bonito. Michael usou um terno azul
escuro. O hospital lhes deu o próprio quarto e se
você sempre quis ver uma noiva com 76 anos e um noivo
com 79 anos agindo como dois adolescentes, você tinha
que ver este par. Um final perfeito para um caso de amor
que tinha durado quase 60 anos.

Texto
adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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À
Distância de uma Oração
“De
maneira alguma te deixarei,
nunca jamais te abandonarei"
(Hebreus 13:5).
Se você colocar um falcão em um cercado de
um metro quadrado e inteiramente aberto por cima, o pássaro,
apesar de sua habilidade para o vôo, será um
prisioneiro. A razão é que um falcão
sempre começa seu vôo com uma pequena corrida
em terra. Sem espaço para correr, nem mesmo tentará
voar e permanecerá um prisioneiro pelo resto da vida,
nessa pequena cadeia sem teto.

O
morcego, criatura notavelmente ágil no ar, não
pode sair de um lugar nivelado. Se for colocado em um piso
complemente plano, tudo que ele conseguirá fazer
é andar de forma confusa, dolorosa, procurando alguma
ligeira elevação de onde possa se lançar.
Um zangão, se cair em um pote aberto, ficará
lá até morrer ou ser removido. Ele não
vê a saída no alto, por isso, persiste em tentar
sair pelos lados, próximo ao fundo. Procurará
uma maneira de sair onde não existe nenhuma, até
que se destrua completamente, de tanto atirar-se contra
o fundo do vidro.
Existem pessoas como o falcão, o morcego e o zangão:
atiram-se obstinadamente contra os obstáculos, sem
perceber que a saída está logo acima. Se você
está como um zangão, um morcego ou um falcão,
cercado de problemas por todos os lados, olhe para cima!
E lá estará DEUS, pronto para ajudar, à
distância apenas de uma oração...

“Busquei
ao Senhor, e ele me respondeu,
e de todos os meus temores me livrou.
Olhai
para ele, e sede iluminados;
e os vossos rostos jamais serão confundidos.
Clamou
este pobre, e o Senhor o ouviu,
e o livrou de todas as suas angústias.
O
anjo do Senhor acampa-se
ao redor dos que o respeitam, e os livra.
Provai,
e vede que o Senhor é bom
bem-aventurado o homem que nele se refugia.
Respeitai
ao Senhor, vós, seus santos,
porque nada falta aos que o respeitam.
Os
leõezinhos necessitam e sofrem fome,
mas àqueles que buscam ao Senhor,
bem algum lhes faltará.
Vinde,
filhos, ouvi-me;
eu vos ensinarei o respeito do Senhor”
(Salmos
34:4-11).
Texto
adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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A
Fé Remove Montanhas
"Ao
que Jesus lhes disse:
Tende fé em Deus;
porque em verdade vos afirmo que,
se alguém disser a este monte:
Ergue-te e lança-te no mar,
e não duvidar no seu coração,
mas crer que se fará o que diz,
assim será com ele.
Por isso, vos digo
que tudo quanto em oração pedirdes,
crede que recebestes,
e será assim convosco"
(Mc 11.22-24).
Os
membros de uma pequena igreja nas montanhas de Great Smoky
(EUA) construíram um novo prédio em um terreno
que haviam recebido por doação. Dez dias antes
da inauguração, o inspetor de obras da localidade
informou ao pastor que o estacionamento era insuficiente
para o tamanho do prédio. Se a igreja não
dobrasse o tamanho do estacionamento, não poderia
usar o salão. Infelizmente, a igreja já havia
ocupado cada polegada do escasso terreno, com exceção
da colina que ficava atrás do prédio. Para
criar mais vagas no estacionamento, seria necessário
remover a colina.
Na manhã do domingo seguinte o pastor anunciou corajosamente
que de tardezinha queria reunir-se com todos os membros
da igreja que tivessem "fé para remover montanhas".
Eles fariam uma corrente de oração para pedir
a Deus que removesse a colina e providenciasse o dinheiro
suficiente para asfaltar o estacionamento antes da inauguração
no domingo seguinte.

No
horário combinado reuniram-se para orar 24 dos 300
membros da igreja. Eles oraram no topo da colina durante
várias horas. Às 22 horas o pastor disse o
último "Amém". "Conforme está
planejado, inauguraremos o salão no próximo
domingo", garantiu ele. "Deus nunca nos abandonou,
e creio que também desta vez Ele será fiel".
Na manhã seguinte, quando estava trabalhando em seu
gabinete, alguém bateu com força na porta.
Ao responder "entre!", apareceu um empreiteiro
de aspecto rude, que tirou seu capacete. "Desculpe,
pastor, sou da empreiteira de obras da localidade vizinha.
Estamos construindo um enorme centro de compras e precisamos
de terra. O senhor estaria disposto a nos vender uma parte
da colina que fica atrás da igreja? Nós pagaremos
a terra que tirarmos e asfaltaremos gratuitamente o espaço
vazio, desde que possamos dispor da terra imediatamente.
Não podemos continuar com a construção
do shopping antes que a terra esteja depositada no local
e suficientemente compactada".
O novo salão foi inaugurado no domingo seguinte como
tinha sido planejado, e no evento de abertura estavam presentes
muito mais membros "com fé para remover montanhas"
do que na semana anterior.
Seja
sincero:
Você
teria participado daquela reunião de oração?
Algumas pessoas dizem que a fé é produzida
pelos milagres.
Mas outras sabem: milagres resultam da fé!
Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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A
Formiga Carregadeira
Eis
que os olhos do Senhor estão sobre os que o temem,
sobre os que esperam na sua benignidade, para os livrar
da morte, e para os conservar vivos na fome. A nossa alma
espera no Senhor; ele é o nosso auxílio e
o nosso escudo. Pois nele se alegra o nosso coração,
porquanto temos confiado no seu santo nome. Seja a tua benignidade,
Senhor, sobre nós, assim como em ti esperamos. (Salmos
33, 18-22)
Quando
criança, costumava brincar de esconde-esconde com
meus amigos da vizinhança. No entanto, eu nunca tinha
paciência suficiente para ficar escondido por muito
tempo em algum canto, esperando que me achassem. Logo cansava,
revelando-me, e (é claro!), sendo perdedor na brincadeira.

Uma
vez, porém, escondi-me entre uma árvore e
um muro. Foi quando percebi a presença de uma pequena
formiga, que insistentemente tentava escalar o muro, carregando
com ela um pedaço de folha que era muito maior que
seu próprio corpo.

Comecei
então a contar quantas vezes ela caía, voltava
ao ponto inicial, pegava a folha novamente e, então,
retomava sua escalada. Foram setenta e sete vezes até
que ela, finalmente, chegou com a folha no topo do muro.
Nunca mais esqueci aquela cena, que, além de me ensinar
muito sobre o valor da persistência, fez-me ganhar
no esconde-esconde pela primeira vez (e fiquei tão
bom naquela brincadeira que, em pouco tempo, ninguém
mais queria brincar daquilo comigo!).
Hoje, adulto, percebo que é a perseverança
que revela a fé genuína. A Bíblia diz
que “aquele que perseverar até o fim, esse
será salvo” (Marcos 13, 13). E Jesus nos ensina
que “devemos orar sempre, sem esmorecer” (Lucas
18, 1).
Agora,
leia este parágrafo com a maior atenção:
a oração que toma como motivo para desânimo
o fato de preces passadas não terem sido atendidas,
já deixou de ser uma oração de fé.
Para uma real oração de fé, a ausência
de resposta é somente uma evidência de que
o momento dessa resposta está muito mais próximo.
Ficou
entendido? São Mateus sintetiza isso da seguinte
maneira: “pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis;
batei e abrir-se-vos-á.” (Mateus 7, 7). Se
o Senhor está nos fazendo esperar, devemos mencionar
o assunto a Ele outra vez, mas façamo-lo sempre como
alguém que está crendo. Devemos “orar
sem cessar” (1 Tessalonicenses 5, 17), de tal modo
a nunca perdermos a fé, mas crescermos na fé;
e “devemos sempre dar graças por tudo a Deus,
nosso Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (Efésios
5, 20), pois Ele é o Criador de tudo e de todos,
e através do Espírito Santo, que é
o Consolador, jamais falha. Como diz a Bíblia, “espera
no Senhor, anima-te e Ele fortalecerá o teu coração”
(Salmos 27, 14). O verdadeiro poder da oração
vem daquele que persevera, que insiste na petição
e a renova a todo instante, tomando forças a partir
da sua oração anterior.
Oração e perseverança devem estar sempre
juntas; e louvor a Deus, sempre presente. Orar é
como fazer algum esporte: se um atleta passa um único
dia sem praticar, já nota a diferença. A perfeição
só vem através do exercício permanente.
Se um nadador deixar de praticar, sabemos qual será
o resultado.
Devemos exercer nossa prática religiosa com o mesmo
espírito dos esportistas, e seguindo o belo exemplo
da formiga carregadeira: Só assim caminharemos para
a perfeição, e só assim começaremos
a vencer, pois àqueles que perseveram, Deus lhes
promete vitória (veja
Filipenses 3, 13-14).

Texto
escrito por
Marcos de Lacerda Pessoa
em 8 de janeiro de 2004
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A
Gaiola de Ouro
Todas
as manhãs o rei acordava e tomava café da
manhã em sua varanda. A partir de certa ocasião,
o rei passou a perceber a presença de um belo e colorido
pássaro que parecia esperá-lo, todas as manhãs,
para começar o seu canto magistral.

Numa
das manhãs, o rei decidiu perguntar ao pássaro
se ele desejava possuir uma gaiola. O rei lhe disse que
seria uma gaiola enorme e feita de ouro; e que ele ordenaria
para que todos os dias ela fosse totalmente limpa, tivesse
a água e os alimentos trocados e que, se houvesse
sol excessivo, que ela fosse coberta.
O rei ainda ressaltou ao pássaro que, com a gaiola,
ele nunca mais teria que buscar seus alimentos ou defender-se
das aves maiores, pois ali estaria totalmente protegido
e seguro. Além disso, muitas pessoas passariam diariamente
pela gaiola e poderiam apreciar o colorido de suas penas
e a beleza do seu canto. O pássaro ficava claramente
entusiasmado à medida que o rei descrevia como a
vida seria melhor com a gaiola que estava sendo imaginada.
Num determinado instante, porém, o rei percebeu que
o pássaro virou sua cabeça em direção
a uma outra ave, que se encontrava no galho de uma árvore
próxima e parecia ter acompanhado toda a conversa,
quando o pássaro disse:
_ “Mamãe, o que a senhora acha? Aceito a proposta
do rei?”.
A outra ave sorriu e balançou a cabeça, como
que concordando com o que ouvira. Imediatamente, o pássaro
aceitou a proposta do rei e, em dois dias, uma grande gaiola
já estava construída, onde o pássaro
passou a habitar. Tudo estava maravilhoso, exatamente como
o rei havia descrito!
Passados alguns meses, entretanto, o pássaro passou
a ficar ansioso. Na verdade não queria mais ficar
ali, limitado àquelas grades. Tinha comida e água
a vontade, bem como o carinho dos funcionários, dos
visitantes e, em especial, do simpático e afetuoso
rei. Porém, decididamente não se encontrava
satisfeito e estava aos poucos perdendo a disposição
e a alegria de viver, que antes possuía. Em pouco
tempo deixou de cantar e já não se alimentava
direito. Passou então a pensar em sair dali de alguma
maneira. Ele poderia falar com o rei, mas ficou receoso
de que ele se entristecesse e não o permitisse sair.
Imaginou contar para sua mãe, que habitualmente pousava
em uma árvore próxima, mas ficou com medo
da reação dela, que parecia sentir-se orgulhosa
pelas benesses que seu filho recebia na gaiola. Naquela
noite, o pássaro ficou muito triste e deprimido.
Lágrimas caíam de seus olhinhos e ele caminhava
de um lado para o outro da gaiola, mostrando-se inconsolável.
Quando o dia amanheceu, ele estava muito cansado, verdadeiramente
esgotado pela terrível noite por que passara. Encostou-se
então no canto da gaiola, quando percebeu que algo
se moveu atrás dele. Olhou então para trás
e notou que a porta da gaiola estava aberta. Observando-a
melhor, logo se deu conta de que nunca houve trava alguma
que a impedisse de ser aberta. A sua liberdade, portanto,
sempre esteve ali, dependendo somente... Dele mesmo!

O
“mundo” está sempre nos seduzindo com
“gaiolas de ouro”
e querendo nos convencer de que a nossa felicidade depende
delas.
Muitas
vezes acabamos aceitando essas “provocações”,
para depois percebermos que realizou-se justamente o oposto:
Tornamo-nos
cada vez mais aprisionados e comprometidos
com aquilo que o “mundo” achou que era melhor
para nós
e que acabamos priorizando, ao invés de focarmos
na suficiência das graças e dons e provindos
do Criador.
Peçamos
que, a exemplo do filho pródigo,
possamos ter a humidade do arrependimento,
para retornarmos ao Pai, pela Sua misericórdia,
e por intermédio das mãos santas de Seu filho,
Jesus,
o qual assim nos disse:
“Eu
não vim para condenar o mundo,
mas para salvá-lo”
(João 12, 47).
Texto escrito por
Marcos de Lacerda Pessoa
em dezembro de 2005.
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A
Inocência
Lisete Maria, uma linda menininha, vai e volta diariamente
de sua escola, caminhando.
Em
uma determinada manhã, apesar de nuvens negras estarem
rapidamente se formando no céu, Lisete Maria inicia
seu caminho diário para a escola, como de costume.
Mas,
muito rapidamente o vento aumentou, e de forma assustadora,
vindo junto com ele fortes raios e trovões.

Ao
perceber isso, sua mãe imaginou que a menininha poderia
ter muito medo de caminhar sob aquele mau tempo, e preocupada
com isso, tratou de pegar rapidamente seu carro, para apanhar
Lisete Maria em seu caminho à escola.
Logo
ela avistou sua filhinha andando, com uma toalha em volta
de sua cabeça; mas percebeu que, a cada relâmpago,
a criança parava, olhava calmamente para cima e...
SORRIA!
Mais
e mais trovões vieram, e ela de novo parava, olhava
para cima, e em seguida... sorria!

Finalmente,
a menininha entrou no carro e a mãe, curiosa, logo
perguntou:
-
“O que você estava fazendo, minha filha?”
Ao
que a garotinha calmamente respondeu:
-
“Sorrindo, mamãe, pois hoje Deus não
pára de tirar fotos minhas!”
Roguemos
ao Pai para que Ele permita com
que toda inocência floresça em nossos corações
para podermos perceber a bela e real felicidade
que é encontrada nos momentos
de maior simplicidade.
“BEM-AVENTURADOS
OS HUMILDES DE ESPÍRITO,
PORQUE DELES É O REINO DOS CÉUS”
- Jesus Cristo (Mt 5, 3).
“BEM-AVENTURADOS
OS LIMPOS DE CORAÇÃO,
PORQUE VERÃO A DEUS”
- Jesus Cristo (Mt 5, 8).
Texto
adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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A
Jóia deVerdade
Esperando
na fila do caixa, a alegre menininha de cachinhos dourados
e quase cinco anos de idade viu algo que lhe chamou a atenção:
um reluzente colarzinho de pérolas em uma caixa cor
de rosa metálico.
-
Compra pra mim, mamãe? Por favor, mamãe, por
favor!
Rapidamente
a mãe virou a caixa para ver o preço, e olhando
para os olhinhos azuis que a fitavam como que rogando pelo
presente, declarou:
-
Custa um dólar e noventa e cinco centavos. Quase
dois dólares...
-
Se você realmente quer esse colar, vou arranjar uns
servicinhos a mais que você possa fazer e logo logo
terá essa quantia. O seu aniversário é
daqui a uma semana, e quem sabe se a vovó não
vai lhe dar uma nota novinha de um dólar?

Assim
que chegou em casa, Jane esvaziou o cofrinho e contou 17
cents. Depois do jantar foi muito prestativa, fazendo mais
do que suas obrigações. Foi à casa
da vizinha, dona Mariana, e perguntou se poderia arrancar
as ervas-daninhas da grama por dez cents. No dia do seu
aniversário, a avó lhe deu uma outra nota
de um dólar, e ela finalmente tinha o dinheiro para
comprar o colar. Jane adorava as suas pérolas, e
quando as usava sentia-se uma mocinha. Não as tirava
do pescoço. Ia com elas para todos os cantos: à
igreja, à escola, até dormia com o colar!
Só o tirava quando ia nadar ou tomar um banho de
espuma, porque a mãe lhe dizia que se molhassem,
talvez manchassem o seu pescoço de verde.
O
pai de Jane era bem amoroso e todas as noites, antes de
ela ir dormir, ele parava o que estava fazendo e subia até
o quarto para ler-lhe uma história. Uma noite, depois
que ele terminou, perguntou a Jane:
-
Você me ama?
-
Claro que amo, papai. Você sabe que eu amo o senhor.
-
Então me dá as suas pérolas?
-
Mas papai... minhas pérolas não. O senhor
pode ficar com a Princesa, o cavalinho branco da minha coleção.
Aquele que tem o rabo cor de rosa. Lembra, papai? Foi o
senhor quem me deu. É o que mais gosto.
-
Tudo bem, querida. O papai te ama. Boa noite! E com um beijo
em seu rostinho, despediu-se.
Mais
ou menos uma semana mais tarde, depois da historinha, o
pai voltou a lhe perguntar:
-
Jane, você me ama?
-
Papai, o senhor sabe que te amo.
-
Então me dá as suas pérolas?
-
Ah, papai, o meu colar não. Mas eu te dou a minha
bonequinha. Aquela novinha que ganhei de aniversário.
Ela é linda e te dou também o cobertorzinho
amarelo que combina com o chinelinho dela.
-
Tudo bem. Durma bem! Deus te abençoe, minha querida.
O papai te ama!
E,
como sempre, deu-lhe um beijinho no rosto. Algumas noites
depois, quando o pai entrou no quarto, Jane estava sentada
na cama com as pernas cruzadas, como um índio...
Ao se aproximar reparou seu queixo tremendo e uma lágrima
rolando pela face.
-
O que foi, Jane? O que aconteceu?
Jane
não disse nada, só estendeu a mãozinha
para o pai, e quando a abriu ali estava o tão amado
colar. Um pouco trêmula, ela conseguiu dizer:
-
É para o senhor, papai!
Contendo
as lágrimas, o gentil pai, com uma mão pegou
o colar barato, enquanto com a outra tirava do bolso uma
caixinha de veludo azul onde se encontrava um colar de pérolas
verdadeiras, que guardara todo esse tempo para dar à
filha. Só estava esperando até ela estar disposta
a abrir mão do colar barato para poder lhe dar uma
jóia de verdade.
Bem
semelhante à maneira como
o nosso Pai celestial age conosco.
Existe algo do qual você
não quer se desapegar?
Não
juntem riquezas neste mundo,
onde as traças e a ferrugem destroem,
onde os ladrões arrombam e roubam.
Ao
contrário, juntem riquezas no céu
onde as traças e a ferrugem não podem destruí-las
e os ladrões não podem arrombar e roubá-las.
Pois onde estiverem as suas riquezas,
aí estará o coração de vocês.
- Jesus de Nazaré
(Mt 6:19-21).
Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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A
Linha Mágica
Era uma
vez uma viúva que tinha um filho chamado Pedro. O
menino era forte e são, mas não gostava de
ir à escola e passava o tempo todo sonhando acordado.

-
Pedro, com o que você está sonhando a uma hora
destas? - perguntava-lhe a professora.
-
Estava pensando no que serei quando crescer - respondia
ele.
-
Seja paciente. Há muito tempo para pensar nisso.
Depois de crescido, nem tudo é divertimento, sabe?
- dizia ela.
Mas
Pedro tinha dificuldades para apreciar qualquer coisa que
estivesse fazendo no momento, e ansiava sempre pela próxima.
No inverno, ansiava pelo retorno do verão; e no verão,
sonhava com passeios de esqui e trenó, e com as fogueiras
acesas durante o inverno. Na escola, ansiava pelo fim do
dia, quando poderia voltar para casa; e nas noites de domingo,
suspirava dizendo: "Se as férias chegassem logo!"
O que mais o entretinha era brincar com a amiga Lise. Era
companheira tão boa quanto qualquer menino, e a ansiedade
de Pedro não a afetava, ela não se ofendia.
"Quando crescer, vou casar-me com ela", dizia
Pedro consigo mesmo.
Costumava
perder-se em caminhadas pela floresta, sonhando com o futuro.
Às vezes, deitava-se ao sol sobre o chão macio,
com as mãos postas sob a cabeça, e ficava
olhando o céu através das copas altas das
árvores. Uma tarde quente, quando estava quase caindo
no sono, ouviu alguém chamando por ele. Abriu os
olhos e sentou-se. Viu uma mulher idosa em pé à
sua frente. Ela trazia na mão uma bola prateada,
da qual pendia uma linha de seda dourada.
-
Olhe o que tenho aqui, Pedro - disse ela, oferecendo-lhe
o objeto.
-
O que é isso? - perguntou, curioso, tocando a fina
linha dourada.
-
É a linha da sua vida - retrucou a mulher. - Não
toque nela e o tempo passará normalmente. Mas se
desejar que o tempo ande mais rápido, basta dar um
leve puxão na linha e uma hora passará como
se fosse um segundo. Mas devo avisá-lo: uma vez que
a linha tenha sido puxada, não poderá ser
colocada de volta dentro da bola. Ela desaparecerá
como uma nuvem de fumaça. A bola é sua. Mas
se aceitar meu presente, não conte para ninguém;
senão, morrerá no mesmo dia. Agora diga, quer
ficar com ela?
Pedro
tomou-lhe das mãos o presente, satisfeito. Era exatamente
o que queria. Examinou-a. Era leve e sólida, feita
de uma peça só. Havia apenas um furo de onde
saía a linha brilhante. O menino colocou-a no bolso
e foi correndo para casa. Lá chegando, depois de
certificar-se da ausência da mãe, examinou-a
outra vez. A linha parecia sair lentamente de dentro da
bola, tão devagar que era difícil perceber
o movimento a olho nu. Sentiu vontade de dar-lhe um rápido
puxão, mas não teve coragem. Ainda não.
No
dia seguinte na escola, Pedro imaginava o que fazer com
sua linha mágica. A professora o repreendeu por não
se concentrar nos deveres. "Se ao menos", pensou
ele, "fosse a hora de ir para casa!" Tateou a
bola prateada no bolso. Se desse apenas um pequeno puxão,
logo o dia chegaria ao fim. Cuidadosamente, pegou a linha
e puxou. De repente, a professora mandou que todos arrumassem
suas coisas e fossem embora, organizadamente. Pedro ficou
maravilhado. Correu sem parar até chegar em casa.
Como a vida seria fácil agora! Todos seus problemas
haviam terminado. Dali em diante, passou a puxar a linha,
só um pouco, todos os dias.
Entretanto,
logo apercebeu-se que era tolice puxar a linha apenas um
pouco todos os dias. Se desse um puxão mais forte,
o período escolar estaria concluído de uma
vez. Ora, poderia aprender uma profissão e casar-se
com Lise. Naquela noite, então, deu um forte puxão
na linha, e acordou na manhã seguinte como aprendiz
de um carpinteiro da cidade. Pedro adorou sua nova vida,
subindo em telhados e andaimes, erguendo e colocando a marteladas
enormes vigas que ainda exalavam o perfume da floresta.
Mas às vezes, quando o dia do pagamento demorava
a chegar, dava um pequeno puxão na linha e logo a
semana terminava, já era a noite de sexta-feira e
ele tinha dinheiro no bolso.
Lise
também se mudara para a cidade e morava com a tia,
que lhe ensinava os afazeres do lar. Pedro começou
a ficar impaciente acerca do dia em que se casariam. Era
difícil viver tão perto e tão longe
dela, ao mesmo tempo. Perguntou-lhe, então, quando
poderiam se casar.
-
No próximo ano - disse ela. - Eu já terei
aprendido a ser uma boa esposa.
Pedro
tocou com os dedos a bola prateada no bolso.
-
Ora, o tempo vai passar bem rápido - disse, com muita
certeza.
Naquela
noite, não conseguiu dormir. Passou o tempo todo
agitado, virando de um lado para outro na cama. Tirou a
bola mágica que estava debaixo do travesseiro. Hesitou
um instante; logo a impaciência o dominou, e ele puxou
a linha dourada. Pela manhã, descobriu que o ano
já havia passado e que Lise concordara afinal com
o casamento. Pedro sentiu-se realmente feliz.
Mas
antes que o casamento pudesse realizar-se, recebeu uma carta
com aspecto de documento oficial. Abriu-a, trêmulo,
e leu a noticia de que deveria apresentar-se ao quartel
do exército na semana seguinte para servir por dois
anos. Mostrou-a, desesperado, para Lise.
-
Ora - disse ela -, não há o que temer, basta-nos
esperar. Mas o tempo passará rápido, você
vai ver. Há tanto o que preparar para nossa vida
a dois!
Pedro
sorriu com galhardia, mas sabia que dois anos durariam uma
eternidade para passar.
Quando
já se acostumara à vida no quartel, entretanto,
começou a achar que não era tão ruim
assim. Gostava de estar com os outros rapazes, e as tarefas
não eram tão árduas a princípio.
Lembrou-se da mulher aconselhando-o a usar a linha mágica
com sabedoria e evitou usá-la por algum tempo. Mas
logo tornou a sentir-se irrequieto. A vida no exército
o entediava com tarefas de rotina e rígida disciplina.
Começou a puxar a linha para acelerar o andamento
da semana a fim de que chegasse logo o domingo, ou o dia
da sua folga. E assim se passaram os dois anos, como se
fosse um sonho.
Terminado
o serviço militar, Pedro decidiu não mais
puxar a linha, exceto por uma necessidade absoluta. Afinal,
era a melhor época da sua vida, conforme todos lhe
diziam. Não queria que acabasse tão rápido
assim. Mas ele deu um ou dois pequenos puxões na
linha, só para antecipar um pouco o dia do casamento.
Tinha muita vontade de contar para Lise seu segredo; mas
sabia que se contasse, morreria.
No
dia do casamento, todos estavam felizes, inclusive Pedro.
Ele mal podia esperar para mostrar-lhe a casa que construíra
para ela. Durante a festa, lançou um rápido
olhar para a mãe. Percebeu, pela primeira vez, que
o cabelo dela estava ficando grisalho. Envelhecera rapidamente.
Pedro sentiu uma pontada de culpa por ter puxado a linha
com tanta freqüência. Dali em diante, seria muito
mais parcimonioso com seu uso, e sé a puxaria se
fosse estritamente necessário.
Alguns
meses mais tarde, Lise anunciou que estava esperando um
filho. Pedro ficou entusiasmadíssimo, e mal podia
esperar. Quando o bebê nasceu, ele achou que não
iria querer mais nada na vida. Mas sempre que o bebê
adoecia ou passava uma noite em claro chorando, ele puxava
a linha um pouquinho para que o bebê tornasse a ficar
saudável e alegre.
Os
tempos andavam difíceis. Os negócios iam mal
e chegara ao poder um governo que mantinha o povo sob forte
arrocho e pesados impostos, e não tolerava oposição.
Quem quer que fosse tido como agitador era preso sem julgamento,
e um simples boato bastava para se condenar um homem. Pedro
sempre fora conhecido por dizer o que pensava, e logo foi
preso e jogado numa cadeia. Por sorte, trazia a bola mágica
consigo e deu um forte puxão na linha. As paredes
da prisão se dissolveram diante dos seus olhos e
os inimigos foram arremessados à distância
numa enorme explosão. Era a guerra que se insinuava,
mas que logo acabou, como uma tempestade de verão,
deixando o rastro de uma paz exaurida. Pedro viu-se de volta
ao lar com a família. Mas era agora um homem de meia-idade.
Durante
algum tempo, a vida correu sem percalços, e Pedro
sentia-se relativamente satisfeito. Um dia, olhou para a
bola mágica e surpreendeu-se ao ver que a linha passara
da cor dourada para a prateada. Foi olhar-se no espelho.
Seu cabelo começava a ficar grisalho e seu rosto
apresentava rugas onde nem se podia imaginá-las.
Sentiu um medo súbito e decidiu usar a linha com
mais cuidado ainda do que antes. Lise dera-lhe outros filhos
e ele parecia feliz como chefe da família que crescia.
Seu modo imponente de ser fazia as pessoas pensarem que
ele era algum tipo de déspota benevolente. Possuía
um ar de autoridade como se tivesse nas mãos o destino
de todos. Mantinha a bola mágica bem escondida, resguardada
dos olhos curiosos dos filhos, sabendo que se alguém
a descobrisse, seria fatal.
Cada
vez tinha mais filhos, de modo que a casa foi ficando muito
cheia de gente. Precisava ampliá-la, mas não
contava com o dinheiro necessário para a obra. Tinha
outras preocupações, também. A mãe
estava ficando idosa e parecia mais cansada com o passar
dos dias. Não adiantava puxar a linha da bola mágica,
pois isto sé aceleraria a chegada da morte para ela.
De repente, ela faleceu, e Pedro, parado diante do túmulo,
pensou como a vida passara tão rápido, mesmo
sem fazer uso da linha mágica.
Uma
noite, deitado na cama, sem conseguir dormir, pensando nas
suas preocupações, achou que a vida seria
bem melhor se todos os filhos já estivessem crescidos
e com carreiras encaminhadas. Deu um fortíssimo puxão
na linha, e acordou no dia seguinte vendo que os filhos
já não estavam mais em casa, pois tinham arranjado
empregos em diferentes cantos do país, e que ele
e a mulher estavam sós. Seu cabelo estava quase todo
branco e doíam-lhe as costas e as pernas quando subia
uma escada ou os braços quando levantava uma viga
mais pesada. Lise também envelhecera, e estava quase
sempre doente. Ele não agüentava vê-la
sofrer, de tal forma que lançava mão da linha
mágica cada vez mais freqüentemente. Mas bastava
ser resolvido um problema, e já outro surgia em seu
lugar. Pensou que talvez a vida melhorasse se ele se aposentasse.
Assim, não teria que continuar subindo nos edifícios
em obras, sujeito a lufadas de vento, e poderia cuidar de
Lise sempre que ela adoecesse. O problema era a falta de
dinheiro suficiente para sobreviver. Pegou a bola mágica,
então, e ficou olhando. Para seu espanto viu que
a linha não era mais prateada, mas cinza, e perdera
o brilho. Decidiu ir para a floresta dar um passeio e pensar
melhor em tudo aquilo.
Já
fazia muito tempo que não ia àquela parte
da floresta. Os pequenos arbustos haviam crescido, transformando-se
em árvores frondosas, e foi difícil encontrar
o caminho que costumava percorrer. Acabou chegando a um
banco no meio de uma clareira. Sentou-se para descansar
e caiu em sono leve. Foi despertado por uma voz que o chamava
pelo nome: "Pedro! Pedro!"
Abriu
os olhos e viu a mulher que encontrara havia tantos anos
e que lhe dera a bola prateada com a linha dourada mágica.
Aparentava a mesma idade que tinha no dia em questão,
exatamente igual. Ela sorriu para ele.
-
E então, Pedro, sua vida foi boa? - perguntou.
-
Não estou bem certo - disse ele. - Sua bola mágica
é maravilhosa. Jamais tive que suportar qualquer
sofrimento ou esperar por qualquer coisa em minha vida.
Mas tudo foi tão rápido. Sinto como se não
tivesse tido tempo de apreender tudo que se passou comigo;
nem as coisas boas, nem as ruins. E agora falta tão
pouco tempo! Não ouso mais puxar a linha, pois isto
só anteciparia minha morte. Acho que seu presente
não me trouxe sorte.
-
Mas que falta de gratidão! - disse a mulher. - Como
você gostaria que as coisas fossem diferentes?
-
Talvez se você tivesse me dado uma outra bola, que
eu pudesse puxar a linha para fora e para dentro também.
Talvez, então, eu pudesse reviver as coisas ruins.
A
mulher riu-se. - Está pedindo muito! Você acha
que Deus nos permite viver nossas vidas mais de uma vez?
Mas posso conceder-lhe um último desejo, seu tolo
exigente.
-
Qual? - perguntou ele.
-
Escolha - disse ela. Pedro pensou bastante. Depois de um
bom tempo, disse: - Eu gostaria de tornar a viver minha
vida, como se fosse a primeira vez, mas sem sua bola mágica.
Assim poderei experimentar as coisas ruins da mesma forma
que as boas sem encurtar sua duração, e pelo
menos minha vida não passará tão rápido
e não perderá o sentido como um devaneio.
-
Assim seja - disse a mulher. - Devolva-me a bola. Ela esticou
a mão e Pedro entregou-lhe a bola prateada. Em seguida,
ele se recostou e fechou os olhos, exausto.
Quando
acordou, estava na cama. Sua jovem mãe se debruçava
sobre ele, tentando acordá-lo carinhosamente.
-
Acorde, Pedro. Não vá chegar atrasado na escola.
Você estava dormindo como uma pedra!
Ele
olhou para ela, surpreso e aliviado.
Tive
um sonho horrível, mãe. Sonhei que estava
velho e doente e que minha vida passara como num piscar
de olhos sem que eu sequer tivesse algo para contar. Nem
ao menos algumas lembranças.
A
mãe riu-se e fez que não com a cabeça.
Isso
nunca vai acontecer disse ela. As lembranças são
algo que todos temos, mesmo quando velhos. Agora, ande logo,
vá se vestir. A Lise está esperando por você,
não deixe que se atrase por sua causa.
A
caminho da escola em companhia da amiga, ele observou que
estavam em pleno verão e que fazia uma linda manhã,
uma daquelas em que era ótimo estar vivendo. Em poucos
minutos, estariam encontrando os amigos e colegas, e mesmo
a perspectiva de enfrentar algumas aulas não parecia
tão ruim assim. Na verdade, ele mal podia esperar.
Texto
adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.
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A
Mala de Viagem
Conta-se
uma fábula sobre um homem que caminhava vacilante
pela estrada, levando uma pedra numa mão e um tijolo
na outra. Nas costas carregava um saco de terra; em volta
do peito trazia vinhas penduradas. Sobre a cabeça
equilibrava uma abóbora pesada.
Pelo caminho encontrou um transeunte que lhe perguntou:
“Cansado viajante, por que carrega essa pedra tão
grande?”
“É estranho”, respondeu o viajante, “mas
eu nunca tinha realmente notado que a carregava.”
Então, ele jogou a pedra fora e se sentiu muito melhor.
Em seguida veio outro transeunte que lhe perguntou: “Diga-me,
cansado viajante, por que carrega essa abóbora tão
pesada?”
“Estou contente que me tenha feito essa pergunta”,
disse o viajante, “porque eu não tinha percebido
o que estava fazendo comigo mesmo”. Então ele
jogou a abóbora fora e continuou seu caminho com
passos muito mais leves.
Um
por um, os transeuntes foram avisando-o a respeito de suas
cargas desnecessárias. E ele foi abandonando uma
a uma. Por fim, tornou-se um homem livre e caminhou como
tal.
Qual
era na verdade o problema dele? A pedra e a abóbora?
Não!
ERA
A FALTA DE CONSCIÊNCIA DA EXISTÊNCIA DELA