Saudação
Paz e bem - Bom dia, Seja bem-vindo !
Função Data Curitiba, 09 de setembro de 2010


















 

AMIGOS SOLIDÁRIOS NA DOR E NO LUTO

Objetivo: Apoiar as pessoas enlutadas através da terapia grupal. Uma dor compartilhada é uma dor diminuída

Coordenação:
Michele Maba - Psicóloga Clínica - Tel 9196-0196 e Marisa Cremer - tel 3222-9869.
Reuniões:Toda quinta - feira às 14h30 no Salão da Torre.

"Nossa primeira reunião oficial, aconteceu dia 22 de março de 2005, com a presença do Frei Alvadí, Pedro Paulo / Dalva e Jorge / Cida (da Pastoral Familiar). Não me recordo quantas pessoas procuraram nosso grupo, mas me lembro que ficamos bastante satisfeitos com a resposta que nos foi dada pela comunidade.
Para mim, particularmente, foi uma experiência difícil, mas muito enriquecedora; pela primeira vez, eu tentava fazer nascer um bom fruto, que tinha como semente a morte do meu filho André".

Marisa Cremer

Índice dos textos

Perdas e ganhos
Luz e sombra
O luto e a Fé
4 de outubro
A morte não é nada
Deus é só Amor
Lágrimas e Solidariedade
Minha História
Se não houver amanhã
Senhor, providencia!
Onde Estava Deus?

 


 

 

 

 

PERDAS E GANHOS

A VIDA QUE DEUS NOS DÁ É ETERNA... Entretanto, no caminho desta trajetória, passa-se por uma experiência física, curta, complicada e fugaz,onde se vivencia uma seqüência de perdas e de ganhos. Ao nascer, já se perde o aconchego e a segurança do útero materno, mas se ganha seu colo, seus beijos e carinhos. Os dentes de leite ao caírem, dão lugar a outros bem mais fortes e duradouros.Ao chegar à juventude perde-se a condição de criança, mas ganha-se um mundo novo, cheio de novas emoções e alegrias.E assim vão se sucedendo as perdas e os ganhos...
Quando os cabelos branqueiam, mesmo com todo o esforço despendido com tintas, mechas e todo o mais, estes nunca mais terão a cor e a textura de antigamente. Assim também a pele, que apesar das plásticas, cremes, peenchimentos e “butox”, jamais terá de volta a textura aveludada, firmeza e elasticidade de outrora. Nesta fase, dizem que se ganha sabedoria
Aprende-se, nesta etapa física da vida, que não se pode ter tudo, que é impossível aliar a sabedoria de um ancião a um corpo jovem e perfeito, a uma pele sem rugas, a uma alma sem marcas...
A vida vai machucando e confortando a si própria... Quando a tristeza chega, existe uma resistência natural a este estado e uma necessidade imperiosa de se livrar dela. É difícil sofrer e mais difícil ainda, é “driblar”este sentimento que tanto faz sofrer, que mostra o quanto é pouco o que podemos, sozinhos, fazer por nós mesmos.É aí que aparecem os primeiros sinais de que existe muito mais do que esta vida física insiste em nos mostrar; começam então os questionamentos, a procura por algo que ajude e acalme. Então, como num passe de mágica, o ‘eterno’ começa a infiltrar-se pouco a pouco em nossa consciência, deixando emergir uma força extra que, muitas vezes, não sabíamos possuir.É o nosso Deus interior falando ao nosso ser:
:
- -“Calma, filho! Eu estou aqui!”
- - “Relaxe e me escute!”

É nas maiores perdas que, geralmente, se ganha a certeza de que existe um Deus vivo dentro de nós.Depois deste encontro definitivo, os questionamentos diminuem, a aceitação é maior, a dor é mais suportável. Até o luto é amenizado, pois entende-se que a morte é parte desta existência física e que só através da PERDA do corpo, o ser estará apto a GANHAR a vida eterna. Só com a morte é possível realmente vivenciar a afirmação de que:

A VIDA QUE DEUS NOS DÁ, É ETERNA...

Marisa Cremer.
Amigos Solidários na Dor e no Luto
Reuniões: Quintas-feiras,às 14:30 h.
Local: Sala da Torre

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LUZ E SOMBRA


Cada vez mais, tenho tido a minha atenção voltada à observação de como são inúmeras as formas as quais o ser humano usa para lidar com a mágoa, a perda, a tristeza, a dor...
Uns se abastecem de luz. Outros se debatem nas trevas. Aqueles que escolhem viver no lado iluminado da vida, procuram enxergar os amigos, desfrutar da natureza, acalmar o espírito através da oração, conversar com Deus...Usam o amor, a doação e a sensibilidade como armas para lutar contra a revolta e a dor. Em contrapartida, aqueles que escolhem viver no lado sombrio da vida, sem conseguir enxergar nem mesmo um tênue raio de luz entrando pela janela da sua alma, se debatem na escuridão sem encontrar uma saída.São incapazes de, sozinhos, acender a chama que é capaz de iluminar e aquecer sua vida e seu coração. A luz do Espírito Santo está dentro de todos e de cada um em particular, mas espera que a porta da Fé seja ao menos entreaberta para que Ele se manifeste. Se você não está tendo força suficiente para abri-la, peça ajuda

- FAÇA PARTE DE GRUPOS DE APOIO;
- ORE;
-FAÇA USO DOS SACRAMENTOS;
-PROCURE OS AMIGOS;
-MEDITE...

São inúmeras as possibilidades de crescimento que os “grandes sofrimentos” colocam ao nosso dispor. A dualidade existe em tudo: nada ou ninguém é totalmente bom ou ruim. Nada pressupõe um enfoque único. As coisas e os acontecimentos deixam sempre o espaço necessário para o ser humano se colocar diante deles sob o prisma que escolher.E todos possuem condições para fazer tal escolha.Muitas vezes, optar pela força da luz em detrimento do marasmo das trevas, não é tarefa fácil; quando muito machucado, é quase que instintivo, o mergulho numa tristeza profunda. E daí, o esquecimento do “outro”, o enfoque contínuo na sua própria história, faz com que o terreno seja o mais fértil possível para uma depressão profunda.
Em vez de perguntar: - “Por que tudo isso aconteceu?”, a pergunta deveria ser: - - “Para que tudo isso aconteceu?”
- “O que tem que ser feito, já que tudo isso aconteceu?”
No silêncio da oração e do recolhimento, as respostas começarão a aparecer e o caminho da luz começará a ser delineado.
Façamos nossa parte; Deus fará todo o resto..

Marisa Cremer
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O Luto e a Fé

Quando passamos por situações de profundo pesar, nossa mente faz verdadeiros malabarismos para elaborar e processar uma verdade que é inaceitável, e assim nos proteger da dor insuportável que advém da morte de uma pessoa que é única em nossa vida. Ela (a mente) precisa de um tempo e de um espaço para assimilar o fato traumático, para lidar com uma nova realidade, repentina e terrível, para desenvolver estratégias que consigam relacionar a verdade do passado com o futuro que precisa ser vivido. Mas, como?

O processo do luto não é linear e a dor precisa ser externada; cada ser precisa de um tempo só seu para reformular conceitos de justiça, de impotência, de culpa, de revolta, mas principalmente de Fé. Ela, e só ela, nos faz aos poucos entender que a vida é realmente eterna e que as pessoas que nos fazem tanta falta e despertam em nós uma saudade tão intensa, continuam vivas e que com elas vamos um dia nos reencontrar.

O Espírito Santo de Deus está presente em nossa vida, mas cabe a nós, abrirmos a porta do nosso coração, dando espaço para que Ele se manifeste. À proporção que evoluímos espiritualmente, que fazemos a nossa parte, orando e meditando, que O deixamos fluir em nosso ser, nossa mente vai se acalmando,as boas e felizes lembranças começam a vir à tona, e nós vamos, aos poucos, aprendendo a viver junto aos nossos entes queridos, espiritualmente, mesmo que deles afastados fisicamente

Com a saudade temos que nos acostumar... Este é um caminho difícil, mas não impossível; que, ao menos, ela seja uma saudade saudável, que nos ajude a reviver situações alegres, lembranças emocionantes, palavras ditas, emoções compartilhadas...Que nela encontremos um refúgio onde possamos chorar e sorrir. E quando isto acontece, adquirimos a certeza de que o Amor é realmente eterno; é o elo indestrutível que nos mantém para sempre unidos àqueles que já ressuscitaram, e que, portanto, continuam VIVOS e na PAZ.

E, quando isto acontece, é chegada a hora de agradecermos a companhia ,a atenção,o cuidado,o carinho, os beijos e os abraços, e principalmente à Deus , pelo presente maravilhoso que nos foi dado e pelo privilégio de ter convivido com eles aqui na Terra.

Marisa Cremer

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4 DE OUTUBRO

Dia de São Francisco de Assis. Nesta data, há 4 anos atrás, meu filho André Surugi morreu. Minha vida perdeu o sentido e a procura pelo entendimento e pela aceitação começou. Muita coisa aconteceu a partir desta tragédia e muitos caminhos novos começaram a se delinear frente aos meus olhos. Eu continuava viva e precisava , de qualquer jeito, encontrar uma maneira de sobreviver a esta perda irreparável. Afinal, quem era eu para questionar ou me revoltar contra leis inexoráveis que vão muito além daquilo que a minha inteligência poderia explicar? Mas era “meu filho”que tinha ido embora... Eu não conseguia racionalizar este fato... A saudade apertava e nada havia que pudesse ser feito para amenizar tanta dor.
Então, comecei a procurar caminhos e fazer todo o esforço possível para encontrar uma maneira de “sobreviver” a todos estes novos acontecimentos. Eu sempre tive fé mas nunca tinha sentido a presença real de Deus na minha vida. Foi então que Ele se apresentou a mim, sem cobrar nada, apenas me confortando e falando ao meu coração. Deus realmente existe! Ele não havia me abandonado! Eu não estava sozinha! Os amigos eram muitos e havia uma infinidade de braços para me abraçar e me dar conforto. E, além de tudo, eu tinha outros amores que precisavam de mim e para eles eu tinha que continuar me sentindo inteira, forte e feliz.
E assim a vida continuou e com ela, novas descobertas foram acontecendo:hoje sei que sou muito mais forte do que imaginava ser ; sei que tenho tantas lembranças boas e alegres de meu filho que me recuso a impregnar minha mente com memórias tristes ou traumáticas. E se existem tantas pessoas passando pela mesma experiência que eu vivi, sentindo muita dificuldade para elaborar e aceitar uma perda, por que então não me propor a atender quem precisa de atenção, de um abraço, de conforto? Assim começou nosso trabalho no grupo “Amigos Solidários na Dor e no Luto” o qual já está no terceiro ano de funcionamento.
Quanto à morte de meu filho, posso hoje dizer que a saudade não diminuiu, mas é só a saudade de ver, falar, ouvir ou tocar. Sinto-me ligada a ele pelos laços indestrutíveis do amor e por isso não vou ficar exageradamente triste neste 4 de outubro. Vou rezar por ele e por mim, pedindo a Deus,
muita Luz ,Paz e Amor para nós.
Com certeza, ele vai passar este dia muito melhor do que eu, pois deve estar muito alegre e feliz, na grande festa que São Francisco, com certeza, programou lá no Céu para comemorar o seu dia
e o quarto aniversário de vida eterna do André.
Parabéns para os dois
!

Marisa Cremer.
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A MORTE NÃO É NADA

“A morte não é nada.
Eu somente passei
para o outro lado do Caminho.
Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês,
eu continuarei sendo.
Me dêem o nome que vocês sempre me deram,
falem comigo como vocês sempre fizeram.
Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas,
Eu estou vivendo no mundo do Criador.
Não utilizem um tom solene
ou triste, continuem a rir
daquilo que nos fazia rir juntos.
Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim,
Que meu nome seja pronunciado
como sempre foi,
sem ênfase de nenhum tipo,
sem nenhum traço de sombra
ou tristeza.
A vida significa tudo
o que ela sempre significou.
O fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora
de seus pensamentos,
agora que estou apenas fora
de suas vistas?
Eu não estou longe,
apenas estou
do outro lado do Caminho..
.
Você que aí ficou, siga em frente...
A vida continua, linda e bela
como sempre foi”

Santo Agostinho.

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"Deus é só Amor"

....Soube então que era tempo de escrever meu livro.Eu ultrapassara a autopiedade, chegando ao ponto de enfrentar e aceitar a morte de meu filho. Um livro que contasse às pessoas o quanto eu sofrera não faria bem a ninguém. Este livro teria que ser uma afirmação da vida. Ele teria de dizer que ninguém nunca nos prometeu uma vida livre da dor e do sofrimento.O máximo que nos prometeram foi que não estaríamos sós em nossa dor e que poderíamos haurir de uma fonte exterior a força e a coragem de que necessitássemos para sobreviver às tragédias e iniqüidades da vida


Sou uma pessoa mais sensível,um pastor mais eficiente,um conselheiro mais simpático por causa da vida e morte de Aaron do que teria sido sem elas.E eu renunciaria a todos esses ganhos em um segundo se pudesse ter meu filho de volta.Se pudesse escolher,eu me anteciparia a todo o crescimento e aprofundamento espiritual que me sobrevieram em função de nossas experiências e seria o que eu era há 15 anos,um rabino médio, um conselheiro indiferente, ajudando a uns e incapaz de ajudar a outros, e pai de um garoto brilhante e feliz. Porém não posso escolher.

Eu creio em Deus. Mas não creio nas mesmas coisas a respeito d’Ele em que acreditava há alguns anos, quando eu estava crescendo ou quando era estudante de teologia.Reconheço suas limitações.Ele é limitado no que pode fazer pelas leis da natureza e pela evolução da natureza e da liberdade humanas.

Não mais considero Deus o responsável por doenças, acidentes e desastres naturais, porque percebo que ganho pouco e perco muito quando incrimino a Deus por semelhantes coisas. Posso mais facilmente cultuar um Deus que odeia o sofrimento, mas não pode eliminá-lo, do que cultuar um Deus que opta por fazer as crianças sofrerem e morrerem, qualquer que seja a razão dada.

Deus não causa nossas desgraças. Algumas são causadas pela má sorte, outras vêm de gente perversa e outras ainda são simplesmente a conseqüência inevitável do fato de sermos humanos e mortais, vivendo em um mundo de leis naturais inflexíveis.As coisas dolorosas que nos afligem não são punição por nosso mau comportamento nem, de qualquer forma, fazem parte de um grande desígnio de Deus. Como a tragédia não decorre da vontade de Deus, não precisamos sentir-nos magoados ou traídos por Deus quando a tragédia nos golpeia.É possível ir a Ele em busca de auxílio para superá-la precisamente porque podemos dizer que Deus está tão ofendido quanto nós.


Do livro:“Quando coisas ruins acontecem às pessoas boas”.(Harold S.Kushner).

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LÁGRIMAS E SOLIDARIEDADE

Quando sofremos uma grande perda,não adianta ficar perguntando:Por que isto aconteceu? Não há resposta possível.Como não houve quando perdi minha filha Camile, em um acidente de

carro.Sua perda me forçou a enfrentar a convivência com a morte

Precisamos elaborar o luto.O luto só terá sentido se pudermos tirar algum ensinamento, algum crescimento pessoal e humanitário dessa dor inexplicável Tão inexplicável que, até onde eu saiba, em nenhum idioma existe uma palavra que identifique o pai que perdeu o filho, assim como órfão identifica o filho que perdeu o pai ou a mãe, ou ainda, viúvo ou viúva, identifica aquele que perdeu o companheiro

O meu desejo é compartilhar experiências vivenciadas, que possam ajudar quem teve uma perda recente... (página 118)


Lembrando que a elaboração da dor não é linear – nem sempre hoje será melhor do que ontem e amanhã melhor do que hoje – mas que apresenta flutuações, altos e baixos, no estado de ânimo e no humor, é assim que tenho conseguido sobreviver e reencontrar alegria na vida, apesar de perda tão traumática.

Para encerrar, apresento algumas dicas que podem ajudar a superar o sofrimento:

Não negar a morte nem tentar esquecer que um dia a pessoa existiu . Ao contrário, lembrar-se , freqüentemente, dos momentos bons compartilhados, mesmo que estas recordações tragam lágrimas.
Ao invés de perguntar o porquê do acontecido – uma pergunta sem resposta – avaliar com critério o que fazer, apesar do acontecido.
Procurar manter alguma atividade – mesmo coisas rotineiras podem ser úteis.
Procurar ajudar outras pessoas-“Aquele que traz a luz do sol para o outro, também se beneficia de sua luz”(Sir James Barrie)
Não reprimir ou ignorar as reações à dor, mas conviver com elas. Chorar sempre que tiver vontade, e permitir-se também, ter alegria e prazer.
Expressar os sentimentos. Compartilhar com os amigos, principalmente com grupos de pessoas que passaram por processos semelhantes. -”O luto compartilhado é luto amenizado”(Earl A.Grollman)
Evitar a falsa proteção do álcool e das drogas

Termino estas reflexões expressando um pedido. Se me vir chorando pela perda de minha filha, por favor, não me peça para não chorar, nem se constranja com minhas lágrimas. Me dê seu ombro, e se tiver vontade, chore comigo.

A grande lição que aprendi com tudo isso foi : o que realmente importa são as lágrimas e a

solidariedade. (página 123)


“De luto à Luta”Gláucia Rezende Tavares e colaboradores.

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MINHA HISTÓRIA


Há mais de vinte anos, iniciei minha coleção de imagens de São Francisco de Assis.Quando me perguntavam se eu era devota deste santo, lembro-me que sempre respondia :

- Não...! Apenas acho muito lindas as pombinhas pousadas no seu corpo!

E assim, a cada viagem, novas imagens iam aumentando o meu acervo e eram, muitas vezes, motivo de transtornos na hora de preparar a bagagem para o retorno.

Quando vim morar no bairro das Mercês, reaproximei-me da Igreja e passei a freqüentá-la mais assiduamente. Constatei então, que o meu São Francisco era o Patrono da Congregação. Coincidência?? Será??

Num sábado ensolarado, sozinha em casa, resolvi participar da missa das 17:00 horas; na saída da Igreja lembro-me de ter conversado com Frei Nelson e ter lhe contado sobre a minha coleção. Ao chegar em casa , liguei para o meu filho mais novo, que apesar de ser solteiro, já morava sozinho, para saber se ele iria jantar conosco ( aos sábados, geralmente jantávamos juntos e era ele quem preparava um churrasco, uma carne-de-onça, ou um maravilhoso salmão na brasa, com alcaparras). O telefone não atendia, “sem caixa postal para deixar recado”.

Sentei-me no sofá e liguei a televisão para ver se havia algum programa agradável ou interessante. No primeiro canal que acessei, iniciava -se a edição local do Jornal Nacional e a manchete de entrada era a notícia do desaparecimento de um avião na Serra do Mar. Ao serem noticiados os nomes dos ocupantes da aeronave, o meu coração foi parando aos poucos, pois ao ouvir os nomes tão meus conhecidos, em silêncio, eu gritava meu desespero , recusando-me a escutar o nome do MEU FILHO. Mas tive que escutá-lo...

O tempo parou...Num misto de incredulidade e angústia, lembro-me que berrava:

Meu Deus, meu Deus, me ajude! Meu filho morreu! E eu não sei lidar com isso!
E Ele me ajudou. Por isso estou aqui contando a minha história .

Tudo isto aconteceu no dia 4 de outubro de 2003; dia de São Francisco de Assis...

Ele esteve sempre muito próximo de mim, só que , dentro de minhas limitações, eu nunca consegui enxergá-lo ou valorizar seus sinais.

Mais um dado interessante: como há muito tempo não confio mais na minha memória, costumo anotar meus compromissos em uma agenda, a qual consulto todas as manhãs . Quando ela era aberta no dia 4 de outubro, eu sentia, sempre, uma forte sensação de que aquele era um dia muito importante; seria o aniversário de algum amigo? Ou parente? A data de algum casamento? Cheguei, muitas vezes, a ligar para parentes para certificar-me de que não estava esquecendo de algo que não pudesse ser esquecido. Agora eu sei o recado que ele sempre me deu...


Existem muito mais coisas entre o Céu e a Terra do que supomos entender ou explicar.

Marisa Cremer.

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Se não houver amanhã


Sabe, eu que costumava deixar muitas coisas para amanhã, resolvi lhe dizer hoje, o quanto você é importante para mim, porque quando acordei pela manhã, uma pergunta ressoava na acústica de minha alma: “E se não houver amanhã?“

Então, hoje eu quero me deter um pouco mais ao seu lado, ouvir suas idéias com mais atenção, observar seus gestos mais singelos, decorar o tom da sua voz, seu jeito de andar, correr, de abraçar.

Porque... se não houver amanhã...eu quero saber a sua comida preferida, a música que você mais gosta, a sua cor predileta...

Hoje eu vou observar o seu olhar, descobrir seus desejos, seus anseios, seus sonhos mais secretos e tentar realizá-los.

Porque, se não houver amanhã... eu quero ter gravada em minha retina o seu sorriso, seu jeito de ser, suas manias...

Hoje eu quero fazer uma prece ao seu lado, descobrir com você a magia que lhe traz tanta serenidade, quero subir aos céus com você, pelos fios invisíveis da oração.

Hoje eu vou sentar com você na relva macia, ouvir a melodia dos pássaros e sentir a brisa acariciando meu rosto, colado ao seu, em silêncio... E sem pressa.

Hoje eu vou lhe pedir por favor, agradecer, me desculpar, pedir perdão, se for necessário.

Sabe, eu sempre deixei todas estas coisas para amanhã, mas o amanhã é apenas uma promessa...hoje é o presente.

Assim, se não houver amanhã eu quero descobrir hoje qual a flor que você mais gosta e lhe ofertar um belo ramalhete.

Quero conhecer seus receios, lhe aconchegar em meus braços e lhe transmitir confiança...

Hoje, quando você se afastar de mim, vou segurar suas mãos e pedir que fique um pouco mais ao meu lado.

Sabe, eu sempre costumava deixar as palavras gentis para dizer amanhã, carinhos para fazer amanhã, muita atenção para prestar amanhã, mas o amanhã talvez não nos encontre juntos.

Eu sei que muitas pessoas sofrem quando um ser amado embarca no trem da vida e parte sem que tenham chance de dizer o que sentem, eu sei também que isso é motivo de muito remorso e sofrimento.

Por isso, eu não quero deixar nada para amanhã, pois se o amanhã chegar e não nos encontrar juntos, você saberá tudo o que sinto por você e saberei também o que você sente por mim. Nada ficará pendente...

Quero registrar na minha alma cada gesto seu. Quero gravar em meu ser, para sempre o seu sorriso, pois se a vida nos levar por caminhos diferentes, eu terei você comigo, mesmo estando temporariamente separados.

Sabe, eu não sei se o amanhã chegará para nós, mas sei que hoje, hoje eu posso dizer a você o quanto você é importante para mim.

Seja você meu filho, minha filha, meu esposo, meu irmão e irmã, um amigo talvez, você vai saber hoje, o quanto é importante para mim...Porque, se não houver amanhã...

Pense nisso !

Amanhã o sol será o mesmo mensageiro da luz, mas as circunstâncias, pessoas e coisas poderão ser diferentes.

Hoje significa o seu momento de agir, semear, investir suas possibilidades afetivas em favor daqueles que convivem com você.

Hoje é o melhor período de tempo na direção do tempo sem fim.


Texto escrito por MARIA APARECIDA PASCHOAL FURUSHO,
antes de sofrer acidente rodoviário fatal em Março deste ano.
Publicado no jornal "O Popular" da cidade de Ribeirão Claro - PR

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Senhor, providencia !

“Por que vos confundis, preocupando-se? Deixai comigo o cuidado das vossas coisas e tudo se acalmará. Eu vos digo que todo ato de verdadeiro abandono em Mim, produz o efeito que desejais e resolve as dificuldades.

Abandonar-se em Mim não significa angustiar-se, perturbar-se e desesperar-se, dirigindo-Me, enfim, uma oração agitada para que Eu faça do vosso jeito – isso é transformar a agitação em oração.

Abandonar-se significa fechar sossegadamente os olhos da alma, afastar o pensamento da tribulação e confiar-se a Mim para que somente Eu aja, dizendo: PROVIDENCÍA!

A preocupação é contra o abandono, assim como a agitação e a atenção às conseqüências de um acontecimento. É como a confusão causada pelas crianças que exigem a atenção da mãe, mas impedem sua ação com suas insistências e inquietação.

Fechai os olhos e deixai-Me agir, fechai os olhos e pensai no momento presente, desviando o pensamento do futuro, descansai em Mim, acreditando na minha bondade e Eu vos juro pelo meu amor que, falando-Me com esta disposição, PROVIDECÍA TU !, Eu providencio, vos consolo,vos liberto,vos conduzo.

E se precisar guiar-vos num caminho diferente daquilo que vós enxergais,Eu vos treino, vos levo nos Meus braços, faço que – como crianças dormindo nos braços maternos – vos encontreis na outra margem.

Aquilo que vos inquieta e produz um grande mal-estar é o vosso raciocínio, vossa idéia fixa, vosso querer a todo custo, resolver as coisas do vosso jeito.

Quantas coisas Eu realizo quando a alma, seja nas necessidades espirituais, seja nas materiais, dirige-se a Mim dizendo: PROVIDENCÍA ! Fecha os olhos e descansa! Recebeis poucas graças quando vos inquietais para produzi-las; e recebeis muitíssimas quando a oração é de plena confiança em Mim.

Vós, na dor, pedis para que Eu intervenha, mas para que intervenha do vosso jeito... Não confiais em Mim, quereis que Eu me adapte às vossas idéias. Vós sois enfermos que pedem o tratamento ao médico, mas lhe sugerem...Não façais assim; rezai o Pai-Nosso como vos ensinei:


- Seja santificado o Teu nome, ou seja, sejas glorificado nesta minha necessidade.

- Venha a nós o Teu reino, ou seja, tudo sirva para Teu reino em nós e no mundo.

- Seja feita Tua vontade assim na Terra como no Céu, ou seja, dispõe como melhor achar para nossa vida temporal e eterna. Se de verdade vós Me dizeis: Seja feita Tua vontade, que é o mesmo que dizer-PROVIDENCÍA-, Eu intervenho com toda Minha onipotência e resolvo as situações mais complicadas.Asseguro-vos que Eu vou providenciar e que não há remédio mais poderoso que Minha intervenção de amor.


Eu penso só quando vós fechais os olhos. Vós sois ( estais) incansavelmente despertos,

Avaliais tudo, perscrutais tudo, pensais em tudo e confiais nas forças humanas, na intervenção das criaturas. Isto atrapalha Minhas palavras e intenções. Oh! Como Eu desejo de vós este abandono para beneficiar-vos, e como me entristece vê-los inquietos!

Confiai só em Mim, descansai em Mim, abandonai-vos em Mim em tudo. Eu opero milagres

em proporção ao vosso abandono em Mim. Eu derramo tesouros de graças quando vos tornais plenamente pobres.Se vós vos preocupais com recursos, vós estais num campo natural, e perturbador.Opera divinamente quem se abandona em Deus. Quando vós vedes as coisas se complicarem, dizei com os olhos da alma fechados: Jesus, pensa tu !

Age assim em todas as vossas necessidades. Fazei assim todos e vereis grandes , contínuos e silenciosos milagres. “-JURO POR MEU AMOR”.

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Onde Estava Deus?


Quando uma grande tragédia se abate sobre nossa vida, muitas e muitas vezes perguntamos:

- “Onde estava Deus quando tudo aconteceu? Será que mereço tanto sofrimento?”

Com certeza, Deus que é só Amor, não tem como evitar as catástrofes que acontecem a toda hora, nem é Ele que escolhe aqueles que devem sofrer mais.Deus respeita os caminhos humanos, assim como respeita o livre–arbítrio do homem e as leis naturais inflexíveis que regem a vida neste mundo.As coisas dolorosas que nos atingem não fazem parte de um grande desígnio de Deus, por isso não precisamos sentir-nos magoados ou traídos por Ele, quando a tragédia nos golpeia. Podemos, sim, ir em busca de Seu auxílio, pois nunca estamos sozinhos na nossa dor; Deus está sempre ao nosso lado, sofrendo conosco, dando-nos amparo e conforto, ajudando-nos a suportar o que julgamos impossível aceitar.

A fé é a ferramenta que temos e é a única que pode nos ajudar a descobrir o caminho da serenidade e da paz.

Mas será fácil enxergá-Lo e ir ao seu encontro quando tudo nos parece tão escuro e assustador? Muitas vezes, não é fácil, não! Façamos a nossa parte: prestemos atenção ao que Ele tem a nos dizer. No silêncio, na oração e na tranqüilidade é mais fácil descobrir e entender o que Deus tem ao nosso dispor.Vamos aprender a escutar com o coração, a ver com a imaginação, a sentir com a emoção, a falar em silêncio total...

A força divina está dentro de cada um de nós e é esta a força que é capaz de “mover montanhas”, que opera milagres, que nos torna capazes de acreditarmos que somos verdadeiramente filhos de Deus. Podemos vencer as batalhas da vida , sermos sempre vencedores, uma vez que, até na morte, ganhamos a vida eterna.

E então:

-Onde estava Deus quando tudo aconteceu?

-Seguramente, carregando você no colo.

Marisa Cremer.

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Amigos Solidários na Dor e no Luto.

Reuniões: Terças-feiras, após a missa das 19 horas.

Local: Salão Paroquial.

Avenida Manoel Ribas, 966 Mercês Curitiba-PR CEP 80810-000 Tel: 041/3335-5752