AMIGOS
SOLIDÁRIOS NA DOR E NO LUTO
Objetivo: Apoiar as pessoas enlutadas através
da terapia grupal. Uma dor compartilhada é uma dor diminuída
Coordenação: Michele
Maba - Psicóloga Clínica - Tel 9196-0196 e Marisa
Cremer - tel 3222-9869.
Reuniões:Toda
quinta - feira às 14h30 no Salão da Torre.
"Nossa
primeira reunião oficial, aconteceu dia 22 de março
de 2005, com a presença do Frei Alvadí, Pedro Paulo
/ Dalva e Jorge / Cida (da Pastoral Familiar). Não me recordo
quantas pessoas procuraram nosso grupo, mas me lembro que ficamos
bastante satisfeitos com a resposta que nos foi dada pela comunidade.
Para mim, particularmente, foi uma experiência difícil,
mas muito enriquecedora; pela primeira vez, eu tentava fazer nascer
um bom fruto, que tinha como semente a morte do meu filho André".
Marisa Cremer
Índice
dos textos
Perdas e ganhos
Luz e sombra
O
luto e a Fé
4 de outubro
A morte não é nada
Deus é só Amor
Lágrimas e Solidariedade
Minha História
Se não houver amanhã
Senhor, providencia!
Onde Estava Deus?
PERDAS
E GANHOS
A
VIDA QUE DEUS NOS DÁ É ETERNA... Entretanto, no
caminho desta trajetória, passa-se por uma experiência
física, curta, complicada e fugaz,onde se vivencia uma
seqüência de perdas e de ganhos. Ao nascer, já
se perde o aconchego e a segurança do útero materno,
mas se ganha seu colo, seus beijos e carinhos. Os dentes de leite
ao caírem, dão lugar a outros bem mais fortes e
duradouros.Ao chegar à juventude perde-se a condição
de criança, mas ganha-se um mundo novo, cheio de novas
emoções e alegrias.E assim vão se sucedendo
as perdas e os ganhos...
Quando os cabelos branqueiam, mesmo com todo o esforço
despendido com tintas, mechas e todo o mais, estes nunca mais
terão a cor e a textura de antigamente. Assim também
a pele, que apesar das plásticas, cremes, peenchimentos
e “butox”, jamais terá de volta a textura aveludada,
firmeza e elasticidade de outrora. Nesta fase, dizem que se ganha
sabedoria
Aprende-se, nesta etapa física da vida, que não
se pode ter tudo, que é impossível aliar a sabedoria
de um ancião a um corpo jovem e perfeito, a uma pele sem
rugas, a uma alma sem marcas...
A vida vai machucando e confortando a si própria... Quando
a tristeza chega, existe uma resistência natural a este
estado e uma necessidade imperiosa de se livrar dela. É
difícil sofrer e mais difícil ainda, é “driblar”este
sentimento que tanto faz sofrer, que mostra o quanto é
pouco o que podemos, sozinhos, fazer por nós mesmos.É
aí que aparecem os primeiros sinais de que existe muito
mais do que esta vida física insiste em nos mostrar; começam
então os questionamentos, a procura por algo que ajude
e acalme. Então, como num passe de mágica, o ‘eterno’
começa a infiltrar-se pouco a pouco em nossa consciência,
deixando emergir uma força extra que, muitas vezes, não
sabíamos possuir.É o nosso Deus interior falando
ao nosso ser:
:
- -“Calma, filho! Eu estou aqui!”
- - “Relaxe e me escute!”
É
nas maiores perdas que, geralmente, se ganha a certeza de que
existe um Deus vivo dentro de nós.Depois deste encontro
definitivo, os questionamentos diminuem, a aceitação
é maior, a dor é mais suportável. Até
o luto é amenizado, pois entende-se que a morte é
parte desta existência física e que só através
da PERDA do corpo, o ser estará apto a GANHAR a vida eterna.
Só com a morte é possível realmente vivenciar
a afirmação de que:
A VIDA QUE DEUS NOS DÁ, É ETERNA...
Marisa Cremer.
Amigos Solidários na Dor e no Luto
Reuniões: Quintas-feiras,às 14:30 h.
Local: Sala da Torre
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LUZ
E SOMBRA
Cada vez mais, tenho tido a minha atenção voltada
à observação de como são inúmeras
as formas as quais o ser humano usa para lidar com a mágoa,
a perda, a tristeza, a dor...
Uns se abastecem de luz. Outros se debatem nas trevas. Aqueles
que escolhem viver no lado iluminado da vida, procuram enxergar
os amigos, desfrutar da natureza, acalmar o espírito através
da oração, conversar com Deus...Usam o amor, a doação
e a sensibilidade como armas para lutar contra a revolta e a dor.
Em contrapartida, aqueles que escolhem viver no lado sombrio da
vida, sem conseguir enxergar nem mesmo um tênue raio de
luz entrando pela janela da sua alma, se debatem na escuridão
sem encontrar uma saída.São incapazes de, sozinhos,
acender a chama que é capaz de iluminar e aquecer sua vida
e seu coração. A luz do Espírito Santo está
dentro de todos e de cada um em particular, mas espera que a porta
da Fé seja ao menos entreaberta para que Ele se manifeste.
Se você não está tendo força suficiente
para abri-la, peça ajuda
- FAÇA PARTE DE GRUPOS DE APOIO;
- ORE;
-FAÇA USO DOS SACRAMENTOS;
-PROCURE OS AMIGOS;
-MEDITE...
São
inúmeras as possibilidades de crescimento que os “grandes
sofrimentos” colocam ao nosso dispor. A dualidade existe
em tudo: nada ou ninguém é totalmente bom ou ruim.
Nada pressupõe um enfoque único. As coisas e os
acontecimentos deixam sempre o espaço necessário
para o ser humano se colocar diante deles sob o prisma que escolher.E
todos possuem condições para fazer tal escolha.Muitas
vezes, optar pela força da luz em detrimento do marasmo
das trevas, não é tarefa fácil; quando muito
machucado, é quase que instintivo, o mergulho numa tristeza
profunda. E daí, o esquecimento do “outro”,
o enfoque contínuo na sua própria história,
faz com que o terreno seja o mais fértil possível
para uma depressão profunda.
Em vez de perguntar: - “Por que tudo isso aconteceu?”,
a pergunta deveria ser: - - “Para que tudo isso aconteceu?”
- “O que tem que ser feito, já que tudo isso aconteceu?”
No silêncio da oração e do recolhimento, as
respostas começarão a aparecer e o caminho da luz
começará a ser delineado.
Façamos nossa parte; Deus fará todo o resto..
Marisa
Cremer
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O
Luto e a Fé
Quando
passamos por situações de profundo pesar, nossa
mente faz verdadeiros malabarismos para elaborar e processar uma
verdade que é inaceitável, e assim nos proteger
da dor insuportável que advém da morte de uma pessoa
que é única em nossa vida. Ela (a mente) precisa
de um tempo e de um espaço para assimilar o fato traumático,
para lidar com uma nova realidade, repentina e terrível,
para desenvolver estratégias que consigam relacionar a
verdade do passado com o futuro que precisa ser vivido. Mas, como?
O processo do luto não é linear e a dor precisa
ser externada; cada ser precisa de um tempo só seu para
reformular conceitos de justiça, de impotência, de
culpa, de revolta, mas principalmente de Fé. Ela, e só
ela, nos faz aos poucos entender que a vida é realmente
eterna e que as pessoas que nos fazem tanta falta e despertam
em nós uma saudade tão intensa, continuam vivas
e que com elas vamos um dia nos reencontrar.
O Espírito Santo de Deus está presente em nossa
vida, mas cabe a nós, abrirmos a porta do nosso coração,
dando espaço para que Ele se manifeste. À proporção
que evoluímos espiritualmente, que fazemos a nossa parte,
orando e meditando, que O deixamos fluir em nosso ser, nossa mente
vai se acalmando,as boas e felizes lembranças começam
a vir à tona, e nós vamos, aos poucos, aprendendo
a viver junto aos nossos entes queridos, espiritualmente, mesmo
que deles afastados fisicamente
Com a saudade temos que nos acostumar... Este é um caminho
difícil, mas não impossível; que, ao menos,
ela seja uma saudade saudável, que nos ajude a reviver
situações alegres, lembranças emocionantes,
palavras ditas, emoções compartilhadas...Que nela
encontremos um refúgio onde possamos chorar e sorrir. E
quando isto acontece, adquirimos a certeza de que o Amor é
realmente eterno; é o elo indestrutível que nos
mantém para sempre unidos àqueles que já
ressuscitaram, e que, portanto, continuam VIVOS e na PAZ.
E, quando isto acontece, é chegada a hora de agradecermos
a companhia ,a atenção,o cuidado,o carinho, os beijos
e os abraços, e principalmente à Deus , pelo presente
maravilhoso que nos foi dado e pelo privilégio de ter convivido
com eles aqui na Terra.
Marisa Cremer
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4
DE OUTUBRO
Dia de São Francisco de Assis. Nesta data, há 4
anos atrás, meu filho André Surugi morreu. Minha
vida perdeu o sentido e a procura pelo entendimento e pela aceitação
começou. Muita coisa aconteceu a partir desta tragédia
e muitos caminhos novos começaram a se delinear frente
aos meus olhos. Eu continuava viva e precisava , de qualquer jeito,
encontrar uma maneira de sobreviver a esta perda irreparável.
Afinal, quem era eu para questionar ou me revoltar contra leis
inexoráveis que vão muito além daquilo que
a minha inteligência poderia explicar? Mas era “meu
filho”que tinha ido embora... Eu não conseguia racionalizar
este fato... A saudade apertava e nada havia que pudesse ser feito
para amenizar tanta dor.
Então, comecei a procurar caminhos e fazer todo o esforço
possível para encontrar uma maneira de “sobreviver”
a todos estes novos acontecimentos. Eu sempre tive fé mas
nunca tinha sentido a presença real de Deus na minha vida.
Foi então que Ele se apresentou a mim, sem cobrar nada,
apenas me confortando e falando ao meu coração.
Deus realmente existe! Ele não havia me abandonado! Eu
não estava sozinha! Os amigos eram muitos e havia uma infinidade
de braços para me abraçar e me dar conforto. E,
além de tudo, eu tinha outros amores que precisavam de
mim e para eles eu tinha que continuar me sentindo inteira, forte
e feliz.
E assim a vida continuou e com ela, novas descobertas foram acontecendo:hoje
sei que sou muito mais forte do que imaginava ser ; sei que tenho
tantas lembranças boas e alegres de meu filho que me recuso
a impregnar minha mente com memórias tristes ou traumáticas.
E se existem tantas pessoas passando pela mesma experiência
que eu vivi, sentindo muita dificuldade para elaborar e aceitar
uma perda, por que então não me propor a atender
quem precisa de atenção, de um abraço, de
conforto? Assim começou nosso trabalho no grupo “Amigos
Solidários na Dor e no Luto” o qual já está
no terceiro ano de funcionamento.
Quanto à morte de meu filho, posso hoje dizer que a saudade
não diminuiu, mas é só a saudade de ver,
falar, ouvir ou tocar. Sinto-me ligada a ele pelos laços
indestrutíveis do amor e por isso não vou ficar
exageradamente triste neste 4 de outubro. Vou rezar por ele e
por mim, pedindo a Deus,
muita
Luz ,Paz e Amor para nós.
Com certeza, ele vai passar este dia muito melhor do que eu, pois
deve estar muito alegre e feliz, na grande festa que São
Francisco, com certeza, programou lá no Céu para
comemorar o seu dia
e o quarto aniversário de vida eterna do André.
Parabéns para os dois!
Marisa Cremer.
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“A
morte não é nada.
Eu somente passei
para o outro lado do Caminho.
Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês,
eu continuarei sendo.
Me dêem o nome que vocês sempre me deram,
falem comigo como vocês sempre fizeram.
Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas,
Eu estou vivendo no mundo do Criador.
Não utilizem um tom solene
ou triste, continuem a rir
daquilo que nos fazia rir juntos.
Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim,
Que meu nome seja pronunciado
como sempre foi,
sem ênfase de nenhum tipo,
sem nenhum traço de sombra
ou tristeza.
A vida significa tudo
o que ela sempre significou.
O fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora
de seus pensamentos,
agora que estou apenas fora
de suas vistas?
Eu não estou longe,
apenas estou
do outro lado do Caminho..
.
Você que aí ficou, siga em frente...
A vida continua, linda e bela
como sempre foi”
Santo Agostinho.
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"Deus é só Amor"
....Soube
então que era tempo de escrever meu livro.Eu ultrapassara
a autopiedade, chegando ao ponto de enfrentar e aceitar a morte
de meu filho. Um livro que contasse às pessoas o quanto
eu sofrera não faria bem a ninguém. Este livro teria
que ser uma afirmação da vida. Ele teria de dizer
que ninguém nunca nos prometeu uma vida livre da dor e
do sofrimento.O máximo que nos prometeram foi que não
estaríamos sós em nossa dor e que poderíamos
haurir de uma fonte exterior a força e a coragem de que
necessitássemos para sobreviver às tragédias
e iniqüidades da vida
Sou uma pessoa mais sensível,um pastor mais eficiente,um
conselheiro mais simpático por causa da vida e morte de
Aaron do que teria sido sem elas.E eu renunciaria a todos esses
ganhos em um segundo se pudesse ter meu filho de volta.Se pudesse
escolher,eu me anteciparia a todo o crescimento e aprofundamento
espiritual que me sobrevieram em função de nossas
experiências e seria o que eu era há 15 anos,um rabino
médio, um conselheiro indiferente, ajudando a uns e incapaz
de ajudar a outros, e pai de um garoto brilhante e feliz. Porém
não posso escolher.
Eu creio em Deus. Mas não creio nas mesmas coisas a respeito
d’Ele em que acreditava há alguns anos, quando eu
estava crescendo ou quando era estudante de teologia.Reconheço
suas limitações.Ele é limitado no que pode
fazer pelas leis da natureza e pela evolução da
natureza e da liberdade humanas.
Não mais considero Deus o responsável por doenças,
acidentes e desastres naturais, porque percebo que ganho pouco
e perco muito quando incrimino a Deus por semelhantes coisas.
Posso mais facilmente cultuar um Deus que odeia o sofrimento,
mas não pode eliminá-lo, do que cultuar um Deus
que opta por fazer as crianças sofrerem e morrerem, qualquer
que seja a razão dada.
Deus não causa nossas desgraças. Algumas são
causadas pela má sorte, outras vêm de gente perversa
e outras ainda são simplesmente a conseqüência
inevitável do fato de sermos humanos e mortais, vivendo
em um mundo de leis naturais inflexíveis.As coisas dolorosas
que nos afligem não são punição por
nosso mau comportamento nem, de qualquer forma, fazem parte de
um grande desígnio de Deus. Como a tragédia não
decorre da vontade de Deus, não precisamos sentir-nos magoados
ou traídos por Deus quando a tragédia nos golpeia.É
possível ir a Ele em busca de auxílio para superá-la
precisamente porque podemos dizer que Deus está tão
ofendido quanto nós.
Do livro:“Quando coisas ruins acontecem às pessoas
boas”.(Harold S.Kushner).
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LÁGRIMAS
E SOLIDARIEDADE
Quando sofremos uma grande perda,não adianta ficar perguntando:Por
que isto aconteceu? Não há resposta possível.Como
não houve quando perdi minha filha Camile, em um acidente
de
carro.Sua
perda me forçou a enfrentar a convivência com a morte
Precisamos elaborar o luto.O luto só terá sentido
se pudermos tirar algum ensinamento, algum crescimento pessoal
e humanitário dessa dor inexplicável Tão
inexplicável que, até onde eu saiba, em nenhum idioma
existe uma palavra que identifique o pai que perdeu o filho, assim
como órfão identifica o filho que perdeu o pai ou
a mãe, ou ainda, viúvo ou viúva, identifica
aquele que perdeu o companheiro
O meu desejo é compartilhar experiências vivenciadas,
que possam ajudar quem teve uma perda recente... (página
118)
Lembrando que a elaboração da dor não é
linear – nem sempre hoje será melhor do que ontem
e amanhã melhor do que hoje – mas que apresenta flutuações,
altos e baixos, no estado de ânimo e no humor, é
assim que tenho conseguido sobreviver e reencontrar alegria na
vida, apesar de perda tão traumática.
Para encerrar, apresento algumas dicas que podem ajudar a superar
o sofrimento:
Não
negar a morte nem tentar esquecer que um dia a pessoa existiu
. Ao contrário, lembrar-se , freqüentemente, dos momentos
bons compartilhados, mesmo que estas recordações
tragam lágrimas.
Ao invés de perguntar o porquê do acontecido –
uma pergunta sem resposta – avaliar com critério
o que fazer, apesar do acontecido.
Procurar manter alguma atividade – mesmo coisas rotineiras
podem ser úteis.
Procurar ajudar outras pessoas-“Aquele que traz a luz do
sol para o outro, também se beneficia de sua luz”(Sir
James Barrie)
Não reprimir ou ignorar as reações à
dor, mas conviver com elas. Chorar sempre que tiver vontade, e
permitir-se também, ter alegria e prazer.
Expressar os sentimentos. Compartilhar com os amigos, principalmente
com grupos de pessoas que passaram por processos semelhantes.
-”O luto compartilhado é luto amenizado”(Earl
A.Grollman)
Evitar a falsa proteção do álcool e das drogas
Termino estas reflexões expressando um pedido. Se me vir
chorando pela perda de minha filha, por favor, não me peça
para não chorar, nem se constranja com minhas lágrimas.
Me dê seu ombro, e se tiver vontade, chore comigo.
A
grande lição que aprendi com tudo isso foi : o que
realmente importa são as lágrimas e a
solidariedade.
(página 123)
“De luto à Luta”Gláucia Rezende Tavares
e colaboradores.
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MINHA
HISTÓRIA
Há mais de vinte anos, iniciei minha coleção
de imagens de São Francisco de Assis.Quando me perguntavam
se eu era devota deste santo, lembro-me que sempre respondia :
- Não...! Apenas acho muito lindas as pombinhas pousadas
no seu corpo!
E assim, a cada viagem, novas imagens iam aumentando o meu acervo
e eram, muitas vezes, motivo de transtornos na hora de preparar
a bagagem para o retorno.
Quando vim morar no bairro das Mercês, reaproximei-me da
Igreja e passei a freqüentá-la mais assiduamente.
Constatei então, que o meu São Francisco era o Patrono
da Congregação. Coincidência?? Será??
Num sábado ensolarado, sozinha em casa, resolvi participar
da missa das 17:00 horas; na saída da Igreja lembro-me
de ter conversado com Frei Nelson e ter lhe contado sobre a minha
coleção. Ao chegar em casa , liguei para o meu filho
mais novo, que apesar de ser solteiro, já morava sozinho,
para saber se ele iria jantar conosco ( aos sábados, geralmente
jantávamos juntos e era ele quem preparava um churrasco,
uma carne-de-onça, ou um maravilhoso salmão na brasa,
com alcaparras). O telefone não atendia, “sem caixa
postal para deixar recado”.
Sentei-me no sofá e liguei a televisão para ver
se havia algum programa agradável ou interessante. No primeiro
canal que acessei, iniciava -se a edição local do
Jornal Nacional e a manchete de entrada era a notícia do
desaparecimento de um avião na Serra do Mar. Ao serem noticiados
os nomes dos ocupantes da aeronave, o meu coração
foi parando aos poucos, pois ao ouvir os nomes tão meus
conhecidos, em silêncio, eu gritava meu desespero , recusando-me
a escutar o nome do MEU FILHO. Mas tive que escutá-lo...
O tempo parou...Num misto de incredulidade e angústia,
lembro-me que berrava:
Meu
Deus, meu Deus, me ajude! Meu filho morreu! E eu não sei
lidar com isso!
E Ele me ajudou. Por isso estou aqui contando a minha história
.
Tudo isto aconteceu no dia 4 de outubro de 2003; dia de São
Francisco de Assis...
Ele esteve sempre muito próximo de mim, só que ,
dentro de minhas limitações, eu nunca consegui enxergá-lo
ou valorizar seus sinais.
Mais um dado interessante: como há muito tempo não
confio mais na minha memória, costumo anotar meus compromissos
em uma agenda, a qual consulto todas as manhãs . Quando
ela era aberta no dia 4 de outubro, eu sentia, sempre, uma forte
sensação de que aquele era um dia muito importante;
seria o aniversário de algum amigo? Ou parente? A data
de algum casamento? Cheguei, muitas vezes, a ligar para parentes
para certificar-me de que não estava esquecendo de algo
que não pudesse ser esquecido. Agora eu sei o recado que
ele sempre me deu...
Existem muito mais coisas entre o Céu e a Terra do que
supomos entender ou explicar.
Marisa Cremer.
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Se
não houver amanhã
Sabe, eu que costumava deixar muitas coisas para amanhã,
resolvi lhe dizer hoje, o quanto você é importante
para mim, porque quando acordei pela manhã, uma pergunta
ressoava na acústica de minha alma: “E se não
houver amanhã?“
Então,
hoje eu quero me deter um pouco mais ao seu lado, ouvir suas idéias
com mais atenção, observar seus gestos mais singelos,
decorar o tom da sua voz, seu jeito de andar, correr, de abraçar.
Porque...
se não houver amanhã...eu quero saber a sua comida
preferida, a música que você mais gosta, a sua cor
predileta...
Hoje
eu vou observar o seu olhar, descobrir seus desejos, seus anseios,
seus sonhos mais secretos e tentar realizá-los.
Porque,
se não houver amanhã... eu quero ter gravada em
minha retina o seu sorriso, seu jeito de ser, suas manias...
Hoje
eu quero fazer uma prece ao seu lado, descobrir com você
a magia que lhe traz tanta serenidade, quero subir aos céus
com você, pelos fios invisíveis da oração.
Hoje
eu vou sentar com você na relva macia, ouvir a melodia dos
pássaros e sentir a brisa acariciando meu rosto, colado
ao seu, em silêncio... E sem pressa.
Hoje
eu vou lhe pedir por favor, agradecer, me desculpar, pedir perdão,
se for necessário.
Sabe,
eu sempre deixei todas estas coisas para amanhã, mas o
amanhã é apenas uma promessa...hoje é o presente.
Assim,
se não houver amanhã eu quero descobrir hoje qual
a flor que você mais gosta e lhe ofertar um belo ramalhete.
Quero
conhecer seus receios, lhe aconchegar em meus braços e
lhe transmitir confiança...
Hoje,
quando você se afastar de mim, vou segurar suas mãos
e pedir que fique um pouco mais ao meu lado.
Sabe,
eu sempre costumava deixar as palavras gentis para dizer amanhã,
carinhos para fazer amanhã, muita atenção
para prestar amanhã, mas o amanhã talvez não
nos encontre juntos.
Eu
sei que muitas pessoas sofrem quando um ser amado embarca no trem
da vida e parte sem que tenham chance de dizer o que sentem, eu
sei também que isso é motivo de muito remorso e
sofrimento.
Por
isso, eu não quero deixar nada para amanhã, pois
se o amanhã chegar e não nos encontrar juntos, você
saberá tudo o que sinto por você e saberei também
o que você sente por mim. Nada ficará pendente...
Quero
registrar na minha alma cada gesto seu. Quero gravar em meu ser,
para sempre o seu sorriso, pois se a vida nos levar por caminhos
diferentes, eu terei você comigo, mesmo estando temporariamente
separados.
Sabe,
eu não sei se o amanhã chegará para nós,
mas sei que hoje, hoje eu posso dizer a você o quanto você
é importante para mim.
Seja
você meu filho, minha filha, meu esposo, meu irmão
e irmã, um amigo talvez, você vai saber hoje, o quanto
é importante para mim...Porque, se não houver amanhã...
Pense
nisso !
Amanhã
o sol será o mesmo mensageiro da luz, mas as circunstâncias,
pessoas e coisas poderão ser diferentes.
Hoje
significa o seu momento de agir, semear, investir suas possibilidades
afetivas em favor daqueles que convivem com você.
Hoje
é o melhor período de tempo na direção
do tempo sem fim.
Texto
escrito por MARIA APARECIDA PASCHOAL FURUSHO,
antes de sofrer acidente rodoviário fatal em Março
deste ano.
Publicado no jornal "O Popular" da cidade de Ribeirão
Claro - PR
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Senhor,
providencia !
“Por
que vos confundis, preocupando-se? Deixai comigo o cuidado das
vossas coisas e tudo se acalmará. Eu vos digo que todo
ato de verdadeiro abandono em Mim, produz o efeito que desejais
e resolve as dificuldades.
Abandonar-se em Mim não significa angustiar-se, perturbar-se
e desesperar-se, dirigindo-Me, enfim, uma oração
agitada para que Eu faça do vosso jeito – isso é
transformar a agitação em oração.
Abandonar-se significa fechar sossegadamente os olhos da alma,
afastar o pensamento da tribulação e confiar-se
a Mim para que somente Eu aja, dizendo: PROVIDENCÍA!
A preocupação é contra o abandono, assim
como a agitação e a atenção às
conseqüências de um acontecimento. É como a
confusão causada pelas crianças que exigem a atenção
da mãe, mas impedem sua ação com suas insistências
e inquietação.
Fechai os olhos e deixai-Me agir, fechai os olhos e pensai no
momento presente, desviando o pensamento do futuro, descansai
em Mim, acreditando na minha bondade e Eu vos juro pelo meu amor
que, falando-Me com esta disposição, PROVIDECÍA
TU !, Eu providencio, vos consolo,vos liberto,vos conduzo.
E se precisar guiar-vos num caminho diferente daquilo que vós
enxergais,Eu vos treino, vos levo nos Meus braços, faço
que – como crianças dormindo nos braços maternos
– vos encontreis na outra margem.
Aquilo que vos inquieta e produz um grande mal-estar é
o vosso raciocínio, vossa idéia fixa, vosso querer
a todo custo, resolver as coisas do vosso jeito.
Quantas coisas Eu realizo quando a alma, seja nas necessidades
espirituais, seja nas materiais, dirige-se a Mim dizendo: PROVIDENCÍA
! Fecha os olhos e descansa! Recebeis poucas graças quando
vos inquietais para produzi-las; e recebeis muitíssimas
quando a oração é de plena confiança
em Mim.
Vós, na dor, pedis para que Eu intervenha, mas para que
intervenha do vosso jeito... Não confiais em Mim, quereis
que Eu me adapte às vossas idéias. Vós sois
enfermos que pedem o tratamento ao médico, mas lhe sugerem...Não
façais assim; rezai o Pai-Nosso como vos ensinei:
- Seja santificado o Teu nome, ou seja, sejas glorificado nesta
minha necessidade.
-
Venha a nós o Teu reino, ou seja, tudo sirva para Teu reino
em nós e no mundo.
-
Seja feita Tua vontade assim na Terra como no Céu, ou seja,
dispõe como melhor achar para nossa vida temporal e eterna.
Se de verdade vós Me dizeis: Seja feita Tua vontade, que
é o mesmo que dizer-PROVIDENCÍA-, Eu intervenho
com toda Minha onipotência e resolvo as situações
mais complicadas.Asseguro-vos que Eu vou providenciar e que não
há remédio mais poderoso que Minha intervenção
de amor.
Eu penso só quando vós fechais os olhos. Vós
sois ( estais) incansavelmente despertos,
Avaliais
tudo, perscrutais tudo, pensais em tudo e confiais nas forças
humanas, na intervenção das criaturas. Isto atrapalha
Minhas palavras e intenções. Oh! Como Eu desejo
de vós este abandono para beneficiar-vos, e como me entristece
vê-los inquietos!
Confiai
só em Mim, descansai em Mim, abandonai-vos em Mim em tudo.
Eu opero milagres
em
proporção ao vosso abandono em Mim. Eu derramo tesouros
de graças quando vos tornais plenamente pobres.Se vós
vos preocupais com recursos, vós estais num campo natural,
e perturbador.Opera divinamente quem se abandona em Deus. Quando
vós vedes as coisas se complicarem, dizei com os olhos
da alma fechados: Jesus, pensa tu !
Age assim em todas as vossas necessidades. Fazei assim todos e
vereis grandes , contínuos e silenciosos milagres. “-JURO
POR MEU AMOR”.
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Onde
Estava Deus?
Quando uma grande tragédia se abate sobre nossa vida, muitas
e muitas vezes perguntamos:
-
“Onde estava Deus quando tudo aconteceu? Será que
mereço tanto sofrimento?”
Com certeza, Deus que é só Amor, não tem
como evitar as catástrofes que acontecem a toda hora, nem
é Ele que escolhe aqueles que devem sofrer mais.Deus respeita
os caminhos humanos, assim como respeita o livre–arbítrio
do homem e as leis naturais inflexíveis que regem a vida
neste mundo.As coisas dolorosas que nos atingem não fazem
parte de um grande desígnio de Deus, por isso não
precisamos sentir-nos magoados ou traídos por Ele, quando
a tragédia nos golpeia. Podemos, sim, ir em busca de Seu
auxílio, pois nunca estamos sozinhos na nossa dor; Deus
está sempre ao nosso lado, sofrendo conosco, dando-nos
amparo e conforto, ajudando-nos a suportar o que julgamos impossível
aceitar.
A fé é a ferramenta que temos e é a única
que pode nos ajudar a descobrir o caminho da serenidade e da paz.
Mas será fácil enxergá-Lo e ir ao seu encontro
quando tudo nos parece tão escuro e assustador? Muitas
vezes, não é fácil, não! Façamos
a nossa parte: prestemos atenção ao que Ele tem
a nos dizer. No silêncio, na oração e na tranqüilidade
é mais fácil descobrir e entender o que Deus tem
ao nosso dispor.Vamos aprender a escutar com o coração,
a ver com a imaginação, a sentir com a emoção,
a falar em silêncio total...
A força divina está dentro de cada um de nós
e é esta a força que é capaz de “mover
montanhas”, que opera milagres, que nos torna capazes de
acreditarmos que somos verdadeiramente filhos de Deus. Podemos
vencer as batalhas da vida , sermos sempre vencedores, uma vez
que, até na morte, ganhamos a vida eterna.
E então:
-Onde estava Deus quando tudo aconteceu?
-Seguramente,
carregando você no colo.
Marisa
Cremer.
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Amigos
Solidários na Dor e no Luto.
Reuniões:
Terças-feiras, após a missa das 19 horas.
Local:
Salão Paroquial.