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Função Data Curitiba, 09 de setembro de 2010


















 


CELEBRAÇÃO DA ENTREAJUDA

1. Um novo Método

Jesus no Evangelho de João afirma: “Eu vim para que todos tenham vida e vida em plenitude” (Jo 10,10). Sua vida foi voltada para minorar o sofrimento do povo de seu tempo, levando a Boa Nova do Evangelho, curando, abençoando, transmitindo esperança, ensinando e testemunhando o amor como caminho para chegar ao Pai. Exercia com tanto amor sua missão que quase não tinha tempo nem para comer (Mc 6,31). Cumprida sua missão, Jesus funda a Igreja e delega aos seus discípulos a incumbência de continuar o que Ele fazia.
Nós, freis capuchinhos, seguidores de Jesus a exemplo de São Francisco de Assis, somos procurados por inúmeras pessoas sofridas, que buscam orientação e consolo para seus problemas. Muitas vezes, sentimo-nos impotentes para atender tanta demanda.
Em 1996, recebi uma bolsa de estudos de nossa “Província-Mãe” de Veneza (Itália), para fazer Mestrado de Psicologia ligada à fé em Washington (EUA). Por três anos e meio freqüentei a “Loyola University” dos Padres Jesuítas.

 

Fé e Ciência se interligam


As orientações e estudos ali recebidos eram de unir Fé à ciência como fundamentos, e colocar em prática junto ao povo sofrido, técnicas e métodos não só religiosos, mas também psicológicos para ajudar a libertar o Povo de Deus que sofre.
Aliás, o Concílio Vaticano II, já nos assegurava no documento “Gaudium Et Spes”, no 310, sobre a importância da ciência no auxílio à fé, e que fé e ciência não se opõem entre si.
Sendo nomeado pároco da Igreja Nossa Senhora das Mercês em 1o de janeiro de 2000, em Curitiba-PR, estudei atentamente o Documento 56 da CNBB, “RUMO AO NOVO MILÊNIO”. Na página 25, fala das diretrizes para uma nova Evangelização, repetindo as palavras do Papa, fazendo vigorosa interpelação para que nossas paróquias, pastorais e movimentos eclesiais prossigam na missão de Evangelizar com novo ardor, novos métodos, e novas expressões diante dos enormes desafios da humanidade.
Confesso que fiquei angustiado porque, trabalhando em grande paróquia urbana, sem poder dar resposta e ajuda a tantos que me procuravam.

 

Fé e ciência na Evangelização


Ao refletir quais poderiam ser os novos métodos para evangelizar – e depois de orar muito para que o Senhor me inspirasse – veio-me à mente a pergunta: Por que não aplicar praticamente o que nos foi sugerido na “Loyola University” e unir fé e ciência para ajudar o Povo de Deus? Por que não ajudar as pessoas não só a participarem da vida espiritual mas a entenderem a riqueza e a importância da mente e o valor das programações mentais para se libertarem de tantos sofrimentos? Por que não conclamar tantos profissionais leigos voluntários neste trabalho?
Na verdade, quando descobrimos como funcionam as leis da mente que Deus criou, mais entendemos o porquê de nossos problemas e como é maravilhoso o ser humano.
Dizia Albert Einstein: “Não posso imaginar um autêntico cientista que não tenha fé profunda... Ciência sem religião é paralítica, religião sem ciência é cega”.
Sobre o tema ciência e religião, o papa João Paulo II falou diversas vezes em suas numerosas cartas. Em uma delas fez esta afirmação: “A ciência pode purificar a religião do erro da superstição. A religião pode purificar a ciência da idolatria e do falso absolutismo”.
Assim, respaldado com os fundamentos cristãos da fé e a segurança da metodologia da psicologia, parapsicologia e terapias alternativas, não seria um novo método de evangelização? Mas para que isso acontecesse, precisava da aprovação dos Bispos da Arquidiocese de Curitiba, aos quais, acima de tudo devo obediência como frei e sacerdote.

 

Aprovação dos Bispos


Na Assembléia Geral do Clero nos dias 14, 15 e 16 de agosto de 2001, na Casa de Retiros do Mossunguê tive uma reunião com nosso Arcebispo Metropolitano Dom Pedro Fedalto e seus bispos auxiliares, de então, Dom Sérgio Arthur Braschi, Dom Moacir José Vitti, Dom Ladislau Biernaski e mais o Ministro Provincial Frei João Daniel Lovato. Nessa oportunidade, foi aprovada e abençoada a nossa Celebração da Entreajuda.

Início da Entreajuda

Assim, aos 23 de setembro de 2001 iniciamos, com freis e voluntários, a Celebração da Entreajuda, cujo esquema e conteúdo estão nas páginas seguintes.
Creio que, desta maneira, estamos dentro do Plano de Ação Evangelizadora da Arquidiocese de Curitiba para 2004-2007, na página 10, nas pistas de ação para promover a dignidade da pessoa humana afirma:
“Qualquer pessoa que procure a comunidade eclesial deve ser recebida por alguém que a escute e ajude a encontrar uma solução para sua necessidade (um conselho, uma orientação para encontrar assistência religiosa ou psicológica ou médica ou jurídica ou material...), e alguma forma de apoio”.
Fique bem claro que a Celebração da Entreajuda não é missa, mas um novo método de Evangelização, que, graças a Deus, está dando certo. A Entreajuda é bem aceita e, em quase todas as quintas-feiras, umas três mil pessoas dela participam.

Frei Alvadi Pedro Marmentini, Pároco, Psicólogo e Parapsicólogo
Avenida Manoel Ribas, 966 Mercês Curitiba-PR CEP 80810-000
Secretaria:(41)3335-5752